domingo, 31 de outubro de 2010

Satisfação...

"Hoje acordei estranhamente feliz, feliz era o que eu conseguia identificar naquele momento, mas com o passar das horas, acabei identificando o sentimento, era o sentimento de satisfação. Satisfação é quando tudo externo está meio despingoletado, mas internamente você se sente satisfeito, como se todas as vírgulas estivessem no lugar exato e vc não precisasse mudar nada. É um sentimento novo, que não vem com todas as incertezas da paixão ou a desconfiança da felicidade que trás o medo de não continuar sendo feliz. É a satisfação pura e simples. Ela não vem exultante como a alegria, nem é sublime como o contentamento, mas é dotada de toda a paz que se precisa. É como aquela refeição maravilhosa que você come lentamente, saboreando, e depois vem a satisfação, nem o mais maravilhoso prato é capaz de te tentar, você se sente feliz com a escolha da sua refeição, você não mudaria nada. E foi com esse estranho e novo sentimento que tentei explicar a mim que a tal felicidade que buscamos talvez seja isso. Talvez seja a porra da paz que as pessoas tanto procuram, talvez por isso compramos e comemos tanto, porque não sabemos onde mora a satisfação, mas não confundamos satisfação com comodismo, satisfação é saber parar quando tudo está bem, ao invés de procurarmos motivos para continuar caçando a tal felicidade, quando souber identificar a satisfação e tiver um breve namoro com ela, pare um tempinho para contemplá-la, você saberá do que escrevo. Uma vez uma velha sábia muito espertona disse: “talvez o amor seja estar em um lugar e não querer estar em nenhum outro.” Diga-se de passagem, essa velha sábia espertona sou eu".
(Cristal. daqui.)

sábado, 30 de outubro de 2010

Necessidade...

"Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um".
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(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E de mais ninguém...

"Aos pares vêm as asas, vêm as amizades, vêm os amores. Dois. Ainda é o melhor jeito de dançar uma canção e você ainda é a pessoa que eu elejo para me livrar da imparidade. Muito embora você me seja quase sempre insuportável, você ainda me é infinitamente necessário. Eu não consigo parar de girar, de trocar os pés ainda que desordenadamente e, mesmo que tropeçando sempre nos mesmos passos, trocar de par ainda é mais doloroso. Queria te ser insuportável também e assim poder começar a ter alguma esperança a respeito do acaso, da espera e dos pares de lágrimas sempre bem guardados no meu travesseiro. Essa música toca incessantemente em mim. Vitrola estragada, disco arranhado, cd no repeat. Você me gira e me abraça sem ao menos desconfiar sobre quem eu sou sem você por perto. Você conduz os meus passos e me olha nos olhos sem ter a mínima noção sobre a bagunça que você deixou aqui dentro e que, ainda assim, consegue despertar o que eu tenho de melhor em mim. Você me volve para baixo e segura a minha mão sem nem sequer supor sobre todo o tormento que você me causa, nem sobre toda a paz que você me devolve. Eu sou uma mulher, que não sabe dançar, se aventurando em alguns passos arriscados. Eu sou o tudo e o nada de que a gente sempre falava, mas nunca conseguiu entender. Eu sou a espera. Eu sou tanta coisa, sou tantas em uma só, sou única e sou sua. Culpo a você por eu viver sempre pelo avesso. Agradeço a você por viver tudo tão intensamente, por sorte ou não, ainda é melhor do que não sentir. E, em meio aos meus exageros de sempre e todas as minhas bobices, você me reponde apenas com “Eu te amo”. Acho graça. É que o amor se torna complicado justamente por ser tão simples. Mas, se você me rodopiar de novo, tirar meus pés do chão por um momento que dure toda a vida, eu te juro, meu bem, que serei seu par apenas e de mais ninguém". (Gabi Castro)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vazio...

"As pessoas gastam uma vida inteira buscando pela felicidade; procurando pela paz. Elas perseguem sonhos vãos, vícios, religiões, e até mesmo outras pessoas, na esperança de preencherem o vazio que as atormenta. A ironia é que o único lugar onde elas precisavam procurar era sempre dentro de si mesmas."
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(Ramona L. Anderson)

Desperceber...

"A gente precisa de amor pra viver, um amor daqueles que deixa marcas, que é sincero, que é real. A gente precisa de um amor que nos complete, que entenda nossas angústias e que nos abrace quando não houver mais nada que possa ser feito. A gente precisa de um amor, que seja amigo, que seja amante, que seja intenso. Os desejos nos corrempem, as paixões nos cegam e o amor nos transforma. Amar é uma mudança, a gente nunca permanece igual depois de ter amado. Enquanto a vida ensina, corre e nos corrige, o amor nos molda despercebidamente".
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(Thaísa Schelles)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tóxico...

Como dois guerreiros cansados que lutam sem mais saber por quê, ainda carregam suas armas de tortura, pois desaprenderam a escolher melhor suas batalhas; e não sabem eles que a conquista, sabe-se lá do quê, não virá. No campo do dia-a-dia, discussões estão marcadas na agenda; desavenças tem horário certo pra ser. Perderam há muito a rota do prazer que seguiam juntos, já que passaram a ver cores outras na mesma forma e formas muitas da mesma cor desbotada. As nuances se tornaram faísca e a presença, combustível. Tornaram-se cobradores implacáveis de pormenores não ditos, entrelinhas não vistas e passado perdido. O que passaram a bem cultivar foram suas raivas e represar suas mágoas. O desespero passou a doutrinar o querer e o estar com lições amargas. A estima que preservam, tornou-se chão fundo, e o amor, impróprio, evapora pelo calor de cada contenda. E neste encontro do avesso, passaram a trocar alegria por tristeza, saúde por doença, riqueza por pobreza, de espírito. E assim se desgastam, se desusam e se desconhecem; jamais se descansam.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O que se foi...

"Se algo ainda perdura
é só a amarga marca
na paisagem escura.

Se o que se foi regressa,
traz um erro fatal:
falta-lhe simplesmente
ser real.

Portanto, o que se foi,
se volta, é feito de morte.

Então por que me faz
o coração bater tão forte"?

(Em alguma parte alguma, Ferreira Gullar)

Absurdo...


Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo."
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(Verônica H.)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Viagem...

"Mas o homem que vem de cruzar de novo a 'Porta na Muralha' jamais será igual ao que partira para essa viagem. Será, daí por diante, mais sábio, embora menos arraigado em suas convicções, mais feliz, ainda que menos satisfeito consigo mesmo, mais humilde em concordar com a própria ignorância, embora esteja em melhores condições para compreender a afinidade entre as palavras e as coisas, entre o raciocínio sistemático e o insondável mistério que ele procura, sempre em vão, compreender". (Aldous Huxley)

Ler também: As portas da percepção)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Talento...

Examinando percurso sinuoso da própria vida, reconhece seu sucesso em trancar as portas de oportunidades tantas e perder a chave. Sabe bem dar nó nos laços de carinho. Refinado na arte de por sempre o dedo na ferida, se faz excelente, não por cultivar flores, mas por dizimar jardins. Sabotagem é seu grilo falante; que lhe mostra como fechar janela com a lua lá fora. Tinge de branco, os quadros outrora em tons de Amor presenteados. Afasta habilmente o descanso e, convites, nega todos. Todos aqueles que lhe clamam para ser feliz, já que alegria se encontra apenas na hora de visita. E quanto mais quer próximo, mais afasta. Com suas mãos, sufoca o futuro, pois desconhece que o bom habita o porão de sua Alma, reconhecendo apenas a sombra de quem se é; e na casa escura de si, vive espantando fantasmas. Sua morada são suas prisões. E não há ninguém que explique, nem ninguém que não entenda, seu desespero. Mas não sabe se o talento que arrasta, é obra de deus, do diabo, ou dele mesmo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Faço minha...

Aos observadores silenciosos, e aos declarados. Aos olhos que se veem no espelho de minha Ilha. Derramo sorrisos pela oportunidade de compartilhar histórias e estórias, que conto em bocas e papéis outros; que falo através de outros corações, outros universos, outras Almas. Que denuncio pelas minhas próprias confissões. Aqui, nos encontramos; todos nós. Em teia bonita de rede, onde descanso, onde me encanto. Onde nos vemos...

... e faço minha, as palavras dela: "A "palavra" é a única que dispensa o toque pra alcançar alguém. Ela estabelece afinidades mesmo entre pessoas que nunca se olharam nos olhos. É mágico como cada comentário que eu recebo aqui também reflete o que eu sinto e como vocês me tocam quando complementam os textos que escolhi postar. Fico feliz por ter atraído mil “almas” de sentimentos semelhantes aos meus. Que se sentem tocados com a obra de grandes escritores e se identificam com os meus delírios". (Fernanda Gaona)


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Doidura...

"Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos, não tanto por virtude, mas por cálculo. Controlar essa loucura razoável: se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura. O jeito é se virar em casa mesmo, sem testemunhas estranhas. Sem despesas".
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(Lygia F. Telles)

Fase...

"Cheguei numa fase da minha vida que vejo que a única coisa que fiz até agora foi fugir, fugir de mim mesmo, do meu nada, e agora não tenho mais para onde ir, nem sei o que vou fazer, fui péssimo em tudo" ..Charles Bukowski..

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ciclo...

Ela... tal como o urubu, no despertar da manhã, estende largo seus braços à espera do porvir, tenha o Sol despontado no alto ou estejam as cinzas nuvens todas no céu,  ainda que se alimente daquilo que já morreu; mas que a sustenta. E mal sabe ela que é por isso que a transformação há de chegar. Seja das coisas do mundo, ou de dentro dela mesma. Ela é peça no ciclo do renascer, do morrer e do recriar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Medo...

"Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama".
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(William Shakespeare)

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Pé de esperança...

"Quero alguém que salve
a minha parte mais doída,
quando acordo antes do dia.
Quando sou problema,
antes de ser saída.

Quero o tempo longe da espera,
quero o sempre mantendo
a nossa porta aberta.
Alguém que ganhe
com um silêncio,
a minha vida inteira.

Quero o que vem inteiro,
e um pé de esperança,
pra mudar o verbo".
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(Priscila Rôde. daqui)

domingo, 17 de outubro de 2010

Sinceridade...

"Pare de procurar preencher as expectativas dos outros, e pare de esperar que os outros preencham as suas. Lembre-se: se você sofrer, você estará sofrendo por sua causa; se os outros sofrem, eles sofrem por causa deles. Ninguém sofre por causa dos outros – lembre-se disso profundamente. Somente então você será capaz de ser realmente sincero para com seu ser interior".

(Osho)

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vampiro...

"Depois do teu consentimento, passei a apreciar teu medo e a sorver todo teu ânimo. Tracei labirinto de contornos incertos e paredes sombrias, dos quais jamais permitirei que escape. Alimento você com culpa, e te consolo com minha falsa complacência, na quimera de ser seu único alvo e apoio; quando te jogo mesmo é pra longe do raso. Registro cada desvio e falta tua em detalhes de livro velho que alto declamo para te fazer pequena. Sufoco tua alegria com laços bonitos e te seguro com promessas de sonho bom, decorando teu caminho de incertezas e te preenchendo de vazio, ao permitir que ostentes o falso. E cada vez que te aproximas, lanço a isca para ainda mais longe, para que enxergues somente meu reflexo e assim, continuo eterno em meu reino escuro de desabrigo. Pois, diante do que confesso, quando te prendo, sou eu o escravo. E te engano, pois em você vejo a verdade. A verdade de que o amor por mim me foi embora. De que me sobra raiva por ter sido você quem abriu a porta para o injusto; de ter sido você quem serviu a taça com veneno. E ao te prender, fujo. E ao te cegar, vejo. Que nunca fui tão escravo em minha própria liberdade. Eu sou a Sombra do meu inteiro".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esgotados...

"O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa".
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-Martha Medeiros-

Rasguei...

"Te escrevi quatro páginas de amor
ontem,
bêbada.
Amor tem disso, sai flu
indo
pelas canetas.

Hoje, sóbria,
rasguei.
Você não cabe nos meus versos.
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(Clara Arôxa)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A dor não se divide...

"Escrever doi. Assim mesmo, sem acento. Apenas acentua minha dor. Porque minha dor é aguda. E quando escrevo assim -doi- parece que uso de eufemismo para com ela. Que me pede apenas para que lhe deixe doer inteira e aí então ela dói. E descubro que sempre será assim com acento dói porque é com uma sílaba só, a dor é indivisível".

Luana Gabriela

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Muro...

"Eu sou uma pessoa excitável que só entende vida liricamente, musicalmente, em quem sentimentos são muito mais fortes que a razão. Eu estou tão sedenta para o maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que eu não possa transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir. Realidade não me impressiona. Eu só acredito em intoxicação, em êxtase, e quando vida ordinária me algemar, eu escapo, de uma maneira ou de outra. Nenhum muro mais".
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(Anaïs Nin)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Piruetas...

"Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim".
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(Lygia F. Telles)

Primeiro capítulo...

"Dessa vez não vou evitar dizer o que está na minha cabeça só porque eu sei que minha mente geminiana vai negar no dia seguinte, não fugirei de palavras bonitas porque quem diz não é uma pessoa perfeita, não arrumarei mil defeitos pra brigar contra as novecentas e noventa e nove qualidades, não desviarei meus olhos por medo de ter minha mente lida, não sumirei por medo de desaparecer, não vou ferir por medo de machucar, não serei chata por medo de você me achar legal, não vou desistir antes de começar, não vou evitar minha excentricidade, não vou me anular por sentir demais e logo depois não sentir nada, não vou me esconder em personagens, não vou contar minha vida inteira em busca de ter realmente uma vida. Dessa vez não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final. Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou neste momento frágil que não quer acabar. Fiquei menos cafajeste, menos racional, menos eu. E estou aproveitando pra tentar levar algo adiante. Relacionamentos que não saem da primeira página já me esgotaram, decorei o prólogo e estou pronta pro primeiro capítulo." (Caio F. Abreu)

domingo, 10 de outubro de 2010

Hoje...

... não tem postagem.

Oremos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sedutor...

Aqui estou eu. Você me busca e me quer sem ao menos saber quem sou. Adoço tua boca; te ganho e te conquisto por apoiar tuas loucuras; quaisquer delas, por isso, permito que te escondas nas tuas próprias mentiras. Conto a você, tudo o que quiser ouvir. Invento histórias; crio qualquer enredo, se assim você o gostar. Sou amante dos teus desejos e planos tantos. Quero habitar em ti e me fazer ser o único que vês e que procuras. Tomo a forma que lhe convém, e te convido ser entregue toda a mim. Esqueça dos outros, do comum, do qualquer, pois quero te enlouquecer e fazer perder todo o controle. Serei autor de muitos dos teus impulsos, até dos mais e mais secretos. Convite de múltiplas escolhas, pois comigo, vais respirar macio. Pelo menos por um tempo. A instigar teus sentidos; a jogar com você. Alimentar teu corpo, e seduzir tua vontade. Prazer é o que venho lhe trazer em nuances e cores muitas.

Prazer, meu nome é Ilusão.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Anjo...

"Ele dorme. Embora a sorte lhe tenha sido adversa
Ele viveu. Morreu quando perdeu seu anjo;
Partiu com a mesma simplicidade
Como a chegada da noite após o dia".
(Os miseráveis - Victor Hugo)

Misto de...

"Hoje de manhã eu acordei e fiquei olhando para tudo catatônica, um misto de susto com deslumbramento. Me dei conta de que essa é a pior e a melhor fase da minha vida. Eu nunca andei tão triste e nem tão feliz. Foi difícil enterrar tantos mortos e tantas rotinas, mas está sendo muito fácil viver dentro de mim."
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(Tati Bernardi)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Serviço...

"Não digo que o amor precise de um estado de euforia perpétua para estar bem, mas daí a ser transformado num serviço de controle de qualidade, há muita diferença".
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(Amores de alto risco, Walter Riso)

Com você...


"Me pega em teus braços. Me abraça bem forte, faz aquela massagem que só você sabe. Uma massagem quase completa com o calor de tuas mãos quem sabe me ajude. Sua presença é terapêutica, aliás tua existência é. Me desculpa vai? Por não valorizar teu esforço em me fazer feliz, sem deixar que isso te deixe triste. Eu te disse que eu era egoísta, eu avisei que não era boa, que eu só parecia. É pode ser isso mesmo que você disse, a gente se apaixonou porque achamos que éramos bons, e permanecemos juntos quando vimos o lado ruim do outro. Pode ser, acho que você tem razão, só pra variar. Eu sei, também te amo. Não, isso eu já não sei responder. Eu já te disse que amor não é merecimento, que sou dramática, poética e tenho um humor ácido na maioria das vezes e que talvez eu coma tanto doce porque sou muito amarga. (...) Eu vou parar de falar agora, antes que eu me perca (mais ainda) de tudo que eu tinha em mente. Me desculpe por não querer ter filhos, mas querer casar logo. Me desculpe essa necessidade de espaço que eu tenho e me desculpa por não respeitar direito a sua necessidade. E, bom acho mesmo que preciso parar, mas não antes de dizer que eu precisava de alguém exatamente como você. Com essa falta de jeito pra amar, com esse brilho de medo e amor no olhar, com esta perna tremendo antes de entrar na minha casa, conhecer minha família, eu precisava de alguém que me protegesse de mim, que me fizesse dizer não aos meus medos e desejos, ambos tão intensos, eu precisava e tinha que ser você. (...) Eu estava errada esse tempo todo eu não precisava de alguém com as mesmas convicções e paixões que eu, seu mundo completa o meu e o meu o seu. Está tudo bem agora que os monstros dos nossos medos dormem embalados pelos sons dos nossos beijos. Dorme amor, eu vou ficar aqui olhando pra você, como você não gosta que eu faça. Dorme, que eu vou ficar sonhando acordada". (Luana Gabriela)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Misturado...

"Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados... Como é que posso com este mundo? Este mundo é muito misturado".
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-Guimarães Rosa-

Conserva...

"Esquece o meu nome. Esquece minhas falhas, o que você pensa sobre mim. Esquece o endereço da minha casa, minha cor favorita, meu apelido. Finge que eu fui um sonho, pesadelo, resfriado, qualquer coisa. Me combate, acaba com a minha raça. Não se ilude comigo, não espera nada de mim, para de me tratar como se você soubesse o que se passa na minha cabeça.

Só conserva meus sonhos".
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(Clara Arôxa)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Linha...

"Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o fervor, mas uma certa dose de cólera, fervor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas".
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(Lygia Fagundes Telles)

Segunda-feira...

... que maravilha! Boa semana. :)

sábado, 2 de outubro de 2010

Sede...

"Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
(Cora Carolina)
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Quieta...

"Quando estou muito quieta por fora, é que dentro de mim alguma coisa grita e eu preciso me ouvir".
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(Luana Gabriela)

Sem entender...

"Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estômago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessária ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: "se toca". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: "é só até às 18 horas", penso comigo".
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(Maíra Viana)