terça-feira, 31 de agosto de 2010

Peça chave...

"Sou a peça chave do meu jogo. Das minhas certezas, sou contraditória, dos meus erros, sou verdade, das minhas doçuras, sou vaidade, dos meus medos sou metade. E de você sou inteira.."
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(Ju Fuzetto)

Luz e sombra...

"Tem um momento de vida que o mais importante é a coerência, inclusive com nossas próprias contradições. Um tempo em que tudo e todos que a gente ama, ama-se pra sempre, às vezes de outras formas e outros jeitos, mas segue-se amando. Um tempo em que a gente não se envergonha mais das escolhas, mesmo que elas tenham mudado, mesmo que elas não sejam as recomendáveis, louváveis e de aprovação coletiva necessária (e às vezes exatamente por isso mesmo) em que tudo vira patrimônio indispensável daquilo que somos, da nossa humanidade, sempre construída em luz e sombra, daquilo que sonhamos e daquilo que ainda vamos ser. Tem lá um momento de vida em que a gente dá menos importância ao mundo e mais importância ao que queremos de verdade, seja um bife enrolado com toicinho (...) ou uma transgressão atordoante das normas de moral & bons costumes. Tem uma hora que só mesmo o que importa é aquilo que nos faz feliz, bom ou mau, adequado às normas sociais vigentes ou não, mas totalmente coerente com a vida que escolhemos viver, com as pessoas que amamos e nos amam da maneira que podem. Tem um momento de vida que a gente escolhe a si mesmo. É pra lá que eu tô indo. ‘Bora"?
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(Ticcia)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Barulheira...

"A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se empavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas cheia de fúria e muita barulheira que nada significa".

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(Shakespeare. "Macbeth")

domingo, 29 de agosto de 2010

A busca...

Pedra no sapato...

"(...) Ser humano devia ter menos medo de dar a cara a tapa, e se arriscar com toda a verdade que temos e ter fé que estamos no caminho certo. Temos mais medo de como os outros encaram os nossos fracassos, do que como nós mesmos o encaramos. E eu humana como sou, me importo e muito com o que acham, talvez esse seja o meu maior defeito e minha maior pedra no sapato".
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(Thaísa Schelles)

sábado, 28 de agosto de 2010

Tudo...

"Tem dia de dores pressentidas, dias que avisam sobre cuidados , que sussurram ameaças de dores, dores e gelo. É sem explicação, é também sem motivos; eu sei de tudo isso, não precisa me dizer, mas eu sei também dos escondidos, do que se permitiu espiar pelas frestas e foi pego num vislumbre tétrico; nem sempre se vê bem na primeira vez, a nuance fica escondida e é pega pelo rabo do olho, encara a pupila, bota na retina uma face distorcida da realidade que achávamos imutável. Hoje é um dia de dores inventadas e adivinhadas. E eu gostava mais das primeiras frases, mesmo que a pontuação não estivesse correta, mesmo que o sentido real nunca tenha existido. Metade de nada é coisa nenhuma e pouco é menos da metade. Continuo querendo mais do que vem nos milagres. Continuo querendo um milagre. Continuo querendo mais. Continuo querendo tudo".
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lâmina...

(...)"Afora o teu amor
Para mim
Não há sol,
E eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com o seu brilho" (...)
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(Maiakovski)

Cicatrizes...


"Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor, e a cada amor que termina, abre-se uma ferida. Estou cheia de orgulhosas cicatrizes".(Isabel Allende)
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Inevitável...

"Eu sei que poderia ter sido diferente e que eu ainda estaria com os mesmos cristais nos olhos tocando sonhos no escuro, virando céu e tempo, fazendo dia em mim. Eu sei que ainda torto, seria certo. E por ter a certeza, troquei um pulsar mais forte por silêncios curtos que soavam tempos novos. Arrisquei a estrada com caminhos prontos por pontos incertos de luz. Virei o inevitável. O que eu não entendo e me lembro quando não amo".
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(Priscila Rôde)

Acertando...

"Talvez as coisas sejam muito mais simples do que pareçam, talvez os outros sejam muito mais inocentes do que julgamos, talvez a vida possa ser mais pura se olharmos com outros olhos, talvez os dias possam ser mais coloridos se o pintarmos com sorrisos de verdade, talvez a consciência essa sim seja sua ruína. Humanos têm esse dom de complicar os fatos, de distorcer verdades ao seu favor, de ser vítima das coisas que não deram certo. O segredo da vida às vezes se encontra do lado mais simples de tudo, às vezes é preciso ignorar algumas coisas para se manter de pé, às vezes é preciso esquecer pra não enlouquecer, perdoar para alcançar a paz, se humilhar para ser feliz. A vida corre tão depressa que nem sempre dá tempo de consertar alguns erros, por isso recompense mal sempre com bem. Se dê uma nova chance de tentativas, em uma dessas você acaba acertando".
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(Thaisa Schelles)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Frágil...

'Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.'
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(Caio Fernando Abreu)

Chances...

"Chances nós não damos para as outras pessoas, damos a nós mesmos. Quando você sabe que o sentimento é bem maior que o erro, do que a mancada, daí você dá uma nova largada. Você é quem precisa daquilo ou daquela pessoa de novo, não está dando uma chance por ela, mas por você mesmo. Acho que não consegui dar a décima chance, pois não havia sentimento, e sobreviver descobrindo que era tão artificial até quando sentava na sua calçada não me incomodou, surpreendeu, mas sem doer desta vez".
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(Camila Heloise)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Noite...

















"Quanto mais fecho os olhos, melhor vejo...
Meu dia é noite quando estás ausente...
E à noite eu vejo o sol se estás presente..."
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(Shakespeare)

Farsa...

"Eu sou uma farsa. Meus livros na estante do quarto são puro enfeite, minhas frases de efeito são plágios vulgares de outrem, confundo os três Andrades da poesia, proclamo o cinema glauberiano mas não guardo na memória nem Deus, nem o Diabo e nem a tal Terra do Sol.  Acompanho os acontecimentos em rasas manchetes de jornais, canto em falsete em busca de aplausos e, pasmem, o dourado de minhas madeixas é apenas coloração fajuta. Até as plantas da minha casa são flores artificiais. Sou uma farsa da cabeça aos pés, perambulando pelo mundo postiço que me cerca".
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(Maíra Viana)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Rosa...


"Só me dói morrer se não for de amor."
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(Gabriel Garcia Márquez)

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Sólo eres tú
(aquella tú)
cuando me hieres.
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(Juan Ramón Jiménez)

O limite do desejo...

"Um imperador, conhecido por sua extrema arrogância, resolveu dar uma volta pela capital do reino para impressionar os súditos e mostrar o quanto era bom. Caminhou em comitiva por algumas ruas, seguidos pela multidão que o acompanhava até que encontraram um mendigo: "Do que você precisa, pobre homem?" perguntou o imperador. O mendigo riu: "Vossa alteza me faz esta pergunta, como se pudesse satisfazer qualquer coisa!" "O que você quer?" Claro que posso satisfazer qualquer desejo, já que você não deve ter ambições tão nobres assim" disse irritado. "Na verdade, o meu desejo é bem simples. Está vendo esta bolsa vazia que carrego comigo? Gostaria que colocasse alguma coisa aí dentro". O rei pegou o dinheiro que tinha com o conselheiro e colocou na pequena bolsa, mas ela parecia continuar vazia. Surpreso, o imperador pediu ajuda aos nobres que o acompanhavam que esvaziassem seus bolsos e sacolas, mas a bolsa não dava sinais de encher. A história correu por todo o reino e agora, era o prestígio do imperador que estava em jogo. Pensou: "Se precisar colocar todo o meu reino aí dentro, farei isso, mas não posso ser humilhado por um mendigo". Tudo o que era ali colocado parecia desaparecer num passe de mágica. Ao final do dia, depois de jóias, diamantes e todo o tesouro ter sido levado até a bolsa, o soberano ajoelhou-se diante do mendigo e admitiu sua derrota. "Vim aqui para tentar convencer os outros que sou um homem generoso e terminei sendo convencido que não tenho nenhum poder. Peço perdão pela minha arrogância, mas também peço que me abençoes, pois és um homem santo". O mendigo disse: "Basta um grão de amor para que o coração fique repleto. Entretanto, nem toda riqueza do mundo pode encher de alegria um coração com fome de amor". "É esse o segredo da tua bolsa?" perguntou o Rei. "Não. Minha bolsa é feita do desejo humano: por mais que tenha, sempre quer ter mais, e por isso permanece vazia."

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"O anseio interior se expressa numa centena de desejos que, pensam as pessoas, são suas necessidades reais. Mas a experiência mostra que não são estes seus desejos verdadeiros pois, ainda que atinjam tais objetivos, o anseio não diminui." (Jalaluddin Rumi)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mesa farta...

"Não viverei entre cacos de vidro, entre navalhas, entre pontas de lança envenenadas de culpa. O que me pertence nasce e morre comigo, foi inventado em meus olhos e dorme sob mechas dos meus cabelos, se nutre do meu ventre. Não viverei entre víboras, entre escorpiões, entre ratos de lembrança. Não viverei aqui, à míngua, não tenho âncora, tenho asa. Não viverei entre lixo, entre restos, entre escombros do teu passado. O que sinto é profundo mas não traz em si a covardia de uma raiz fincada, sou móvel, líquida, fluida e instável, porque viva. Não viverei entre galhos, entre espinhos, entre as folhas mortas do que descartaste. Não tenho freios, tenho partidas. Não tenho sossego, tenho ardor. Não viverei entre areia, entre pedras, entre abismos de promessas que se foram. Meus trilhos se trifurcam, quadrifurcam... e eu sigo por todos eles. Não viverei entre miséria, água pouca, migalhas de desejo. Minha mesa é farta e eu mesma me darei de comer".
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(Ticcia)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando...


"Quando o meio do ano chega eu paro e penso no que quero levar pro meu final feliz. Reclamo da falta. Reparo malas perdidas. Tempo a gente tem tenha que correr ou seja devagar. O vai levando é que não me deixa ser maior e então me irrito. Vontade malandra de escapulir, de viver o tudo, viver o nada, viver intensa. Com raízes e asas. Sonho e vou além. Lá. Onde me perco de mim mesma. Lá onde o caminho me leva sem pressa. Lá onde eu já sou feliz. Quando encontrar esse lá vou sem dó. Não dou ré. E canto. Vou brincar no futuro que não é previsto. Vou desejar as surpresas que ele me oferece. Vou pra sempre e não volto mais. Pois lá o tempo faz meu caminho e às vezes me tira o ar. E é como deve ser. Até lá, quando sozinha essa hora eu viver, por sorte já terei sido muito feliz".
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(Janaína Salgado)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Amantes...

"Quero o circo todo a que tenho direito: sedução, fantasia, tempo. Quero um romance longo, quero intimidade. Fazer cena de ciúme, terminar, voltar, amar, brigar de novo, telefonar, pedir desculpas, retornar. Amantes bem comportadas são um tédio."
(Martha Medeiros)
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As portas do Templo...

"Ao chegar às portas do Templo, aconselhou-o:

- Não há mais o que fazer ao teu lado; me é lícito partir...
- Partir? Por que?! Agora que eu cheguei até aqui. Tenho medo. Você não vê? Não são portas, são portões! Parecem pesar toneladas, talvez sozinho eu não consiga abrir!
- É teu medo o peso que te obsta; o destemor é sua chave. Para entrar, abra-as com teus olhos.
- Como assim, meus olhos?
- Aqueles que você nunca usou lá fora. Os olhos que veem as coisas tais quais elas são.
- Mas eu vejo as coisas!!!
- Você vê teu horizonte coberto de poeira e teus semelhantes em volta da neblina. E você escuta do mesmo jeito que vê.
- Eu não entendo nada do que você fala. Tudo muito poético, mas muito vago, inconsistente, sem sentido pra mim...
- Tua Vida em teu dia-a-dia lhe sussurra as tuas próprias verdades desta forma. Aquelas que lhes são íntimas e que adormecem no teu sangue e falam à tua Alma. Tuas próprias verdades. E esta é a linguagem. Aquela que apenas aponta; vaga, mística. Como o intervalo que permeia o dia e a noite, onde se misturam luz e escuridão. Exatamente onde um termina e o outro acaba. Onde nada pode ser traçado, onde nada é absoluto. Cabe a você costurar os retalhos com a sua compreensão.
- Eu não sei se..
- Oras, o que são símbolos? O que são suas ideias? Seus pensamentos? Sua arte? Seus acessos de fúria e seu amor que aparece e lhe arrebata sem aviso, que lhe dá vontade de abraçar a todos? São expressões. Eles são formas. Que correm para fora de você; são os reflexos destas Verdades viventes aí dentro. O acaso, a coincidência são expressões da harmonia e da Inteligência. Isto tudo vive em ti. Mas você só entende a sombra das partes que a Verdade lhe conta. Come os frutos mas desconhece seu passado. Você vê o crescer da árvore, mas ignora a raíz que a sustenta e a terra que lhe faz fértil. Abençoa a bonita e amaldiçoa a que não lhe contenta.
- É você quem fala, e não eu. É você quem me conta tudo isto! Você é quem me trouxe tudo isto!
- E por um acaso, o que sou? Sou teu reflexo. Sou a sua projeção. Você colore as coisas  que vê com tuas cores, tuas sombras, teus tons. Você é quem traduz, quem interpreta o que lê. Você vê em mim aquilo que busca ou aquilo que rejeita, pois, ambos, estão em você.
- Você é minha projeção? A Vida é uma manifestação de símbolos?
- Por assim dizer...
- Como?
- Você não está separado. Você não é uma Ilha. Ninguém é. Eu sou a Vida falando. Um pássaro que canta é a Vida cantando. Quem vem até você é a Vida vindo; quem vai é a Vida indo. E você permite tal proximidade ou não, pelas escolhas que acredita fazer e por aquelas em que suas verdades dentro de você fazem, através de você e que você mal se dá conta. Na verdade, é a Vida quem se expressa em você. Você é a expressão dela. Todo o resto, também.
- Isto é...?
- Você cria o propósito, você cria e escolhe seus momentos, o seu eterno presente que se sucede ininterruptamente e que lhe dá uma falsa sensação de tempo e de futuro; você permite a Vida vir até você pela sua abertura, pelo modo e a forma como vê e entende, o quanto se permite ver, ouvir, sentir. A questão é que você cria e cria a permissão.. você aproxima e afasta seja lá o que for, de acordo com quem você É.
- E o que eu sou? Quem eu sou?
- Você vai além do que vê a tua volta. Você vê as suas projeções e tão somente elas. Você vê os símbolos. Você vê as formas. Você olha pra fora. Você nunca olhou pra dentro. Você tem medo de entrar pelas portas do Templo. E dentro, é só você quem pode se dizer quem realmente é.
- É isso o que você quer dizer quando vejo poeira e neblina?
- Agora você começa a entender...
- Que bom...
- Você se permite olhar para as coisas através da janela do teu entendimento. Você não pode ver toda a paisagem. O vidro não permite a nitidez, você troca as cores do vidro e acha que tudo lá fora é cinza, ou cor de rosa. Talvez se você levantasse os vidros.. Talvez se aumentasse a janela.. Talvez se saísse pela porta...
- Entendo o que você quer dizer.
- A poeira é a estreiteza com que se permite ver a Vida. Cheia de entendimentos de alguém que não você, a educação de seus pais que lhe ensinaram o que é bom e ruim, as crenças que os pais de seus pais lhe deixaram como legado e que você aceitou como verdade por ser verdade pra eles. Você não vê a totalidade. Não agora. Você vê com suas cores, mas seus lápis podem ser poucos e as cores desbotadas.
- Por isso devo "ver" com os olhos?
- Exatamente. Os olhos que você nunca usou. Os que estão abrindo aos poucos e que lhe causam medo porque nunca enxergaram. Medo do desconhecido. Medo de que a luz ofusque.
- Ah, talvez esse seja o meu medo de abrir as portas. Por isso as vejo tão pesadas, e eu nem ao menos tentei abri-las. Se a Vida é um conjunto de reflexos e símbolos, o Templo reflete quem Eu Sou, e para entrar, é preciso ser destemido. Para entrar, preciso ver como sou, lidar como sou. É isso?

E o outro havia desaparecido. E ele entendeu. Compreendeu. Sendo sua projeção, o outro lhe transmitia algo que não podia ser imediatamente absorvido, percebido. Por isso a relação entre os dois aconteceu. Ele mesmo havia trazido aquela presença, aquelas palavras até si. No desaparecer do outro, percebeu que não havia mais necessidade de tal projeção, de carregar interpretações. Talvez pudesse, agora, ver as coisas tais quais elas realmente são...
E com apenas um ligeiro empurrão, abriu os portões do Templo..."

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Dançam...

"Como se no mar as ondas
não se arqueassem o bastante.

Como se na terra as pedras
não se elevassem o bastante.

Como se no ar as nuvens
não rodassem o bastante.

Como se o azul planetário
não fosse o longe bastante."


Dançam...


(Fiama Hasse P. Brandão)

Das constatações...

"Coisa mais sem jeito é esse meu coração, arriscando voos,
pousando sempre de cara no chão. Mas pra falar a
verdade
,
é desses
arranhões e desequílibrios
que me nasceram as coisasmais bonitas."
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(Serena-Cris)

Alfinete...

"Não queiram entender minhas palavras: não me dissequem, não segurem entre vidros essas canções, essas asas, essa névoa. Não queiram me prender como a um inseto no alfinete da interpretação: se não podem amar o meu poema, deixem que seja somente um poema. (Nem eu ouso erguê – lo entre meus dedos e perturbar a sua liberdade).
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-Lya luft-

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Raízes e asas...

"Raízes e asas.
mas que as asas enraízem
e as raízes voem".
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(Juan Ramón Jiménez)

O que é Amor...

"- Então Charlie Brown, o que é amor pra você?

- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.

- Mas o que isso tem a ver com amor?

- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir..

Acho que isso é amor".

domingo, 15 de agosto de 2010

Utopia...

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
...(Eduardo Galeano)

Internos...

"há um desejo horrível em mim;
tenso bruto cru. que não cala.
odeio o barulho que ele faz
triturando os vazios.

há um vácuo feroz em mim;
denso escuro torto. que não fala.
odeio o silêncio que ele faz
quando me retalha."
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(Adrianna Coelho)

sábado, 14 de agosto de 2010

Solidão cansada...

"Por mais que todas as terapias do mundo, todas as auto-ajudas do universo e todos os amigos experientes do planeta me digam que preciso definitivamente não precisar de você, minha alma grita aqui dentro que, por mais feliz que eu seja, a festa é sempre pela metade. É você quem eu sempre busco com minha gargalhada alta, com a minha perdição humana em festejar porque é preciso festejar, com a minha solidão cansada de se enganar!"

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(Tati Bernardi)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Farsa...

“Me esforço pra ser fácil
E me finjo de difícil
Mas me dou de graça
Pra quem descobrir minha farsa”
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Cheiros...



"Sabia que passado era feito de cheiros. Cheiros bons que lhe enchiam de imagens, fazendo com que a menina suspirasse muitas vezes no dia. Cheiro de café no meio da tarde era tempo de morar com a vó. Tempo de brincar até tarde na rua. De pedir benção pra dormir e levar beijo na testa por isso. Cheiro de quentão, no meio de Junho, era festa no Sítio do Tio. Tempo de apanhar vagalume e guardar num frasquinho pra luz não sumir. Que era esse o desejo da menina desde cedo: o de manter as luzes acesas por mais que disessem não. Por mais que o vento soprasse. Cheiro de bolo saindo do forno era amigas reunidas em volta da mesa, pra falar de um novo paquera, do primeiro beijo, de um olhar trocado com um colega de sala. Cheiro de mato era correria no quintal do vizinho, trepanças em árvores, lambuzeiras de goiabas e mangas e outras coisitas mais. Tempo de apostar corrida pra ver quem chegava primeiro. E o último era sempre a mulher do padre. Cheiros bons que invadem o peito, tomam conta de tudo e faz a gente lembrar do bonito que foi e que, de um jeito ou de outro, permanecerá bem dentro, bem forte, esparramando alegrias todas às vezes que o frasco for derramado. Perfume da memória que o tempo não destrói e que o coração não apaga."
(Serena-Cris)
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Procurar...

"E se eu me abandonasse aqui, ao pé da escada, um dia virias me colocar umas luas nos olhos? Virias me tomar no colo, apascentar minhas mãos, tirar o veneno da minha língua num beijo de certezas e promessas nunca feitas? Te interrogo e em meu peito se fazem antigas todas as asas e morrem mais alguns dos sonhos aninhados entre os meus seios. Se faz tarde e eu suplico teu resgate. Não demora o gosto de sangue a se espalhar nos lábios e eu preciso que imprimas meu nome junto ao teu no lugar mais azul do dia, que chames por mim antes que eu te desespere e adormeça.
E se eu me perdesse, você me procuraria?"
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(Ticcia)

O novo Homem...


“Esta é uma crise muito grande. Se tomarmos o desafio, esta é uma oportunidade para criar o novo... vocês estão vivendo em uma das mais belas eras - porque o velho está desaparecendo, e um caos é criado. E é só a partir do caos que grandes estrelas nascem.

Vocês têm a oportunidade de criar um novo Cosmos. Esta é uma oportunidade que só acontece de vez em quando - muito rara. Vocês têm sorte de estarem vivos nestes momentos críticos. Usem a oportunidade de criar o novo homem. E para criar o novo homem, vocês têm que começar consigo mesmos.

O novo homem será um místico, um poeta, um cientista - todos já ao mesmo tempo. Ele não vai olhar a vida através de divisões podres. Ele será um místico, porque ele vai sentir a presença de Deus. Ele vai ser um poeta, porque ele vai comemorar a presença de Deus. E ele vai ser um cientista, porque ele irá procurar essa presença através de metodologia científica. Quando um homem é todos os três juntos, ele é um todo. Esse é o meu conceito de um homem santo.

O velho homem era repressivo, agressivo. O velho estava fadado a ser agressivo, porque a repressão sempre traz a agressão. O novo homem será espontâneo, criativo. O velho homem viveu ideologias; o novo homem não viverá através de ideologias, não viverá através de moralidades, mas através da consciência.

O novo homem será responsável - responsável por si mesmo e pela existência. O novo homem não será moral, no velho sentido, ele será amoral. O novo homem traz um mundo novo com ele. Neste momento o novo homem é obrigado a ser uma minoria mutante - mas ele é o portador de uma nova cultura, a semente. Ajude-o! Anuncie sua chegada sobre os telhados: essa é a minha mensagem para você.

O novo homem é aberto e honesto. Ele é transparente, verdadeiro, autêntico e auto-revelado. Ele não será um hipócrita. Ele não vai viver através de metas, ele vai viver aqui e agora. Ele conhecerá apenas um tempo, o agora e só um espaço, o aqui. E através dessa
presença, ele saberá o que é Deus.

Alegrem-se! O novo homem está chegando, o velho está indo. O velho já está na cruz e o novo já está no horizonte. Alegrem-se! Eu digo de novo e de novo, Alegrem-se!
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(Osho)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Poente...

"Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama,
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!"

Você mesmo...

"A verdade é que não dá pra viver todo dia como se fosse o último, que não dá pra jogar tudo pro alto sempre, que o desespero não leva a nada, que o sacrifício é o custo da vitória. A vida pede paciência, e eu impaciente como sou, me desespero. Pra mim é necessário o caos para ocorrer à mudança. O importante mesmo é conhecer seu limite, tem horas que não dá mais pra ir levando, então se vista de uma capa protetora cheia de esperança, de confiança, de auto-estima. No final das contas viver é uma batalha interna, é só você com você mesmo, superando, sobrevivendo. Na realidade a gente precisa mesmo é se levar menos a sério, entender que nem todo fracasso é o fim do mundo, é preciso ser mais compreensivo com os erros dos outros, mas principalmente seja mais compreensivo com você mesmo."
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(Thaisa Schelles)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Linha reta...


"Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro... acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso."
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(Elenita Rodrigues)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pergunta idiota...

"─ Por que você ficou com o papai? 
─ Que pergunta. - Ela sacudiu a cabeça. ─ Por um tempo você até é capaz de escolher. Se quer fazer isto ou aquilo, viver com esta ou com aquela pessoa. Mas um dia a atividade e a pessoa escolhida se tornam sua vida, e por que você fica com sua vida é uma pergunta bastante idiota".
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(Bernhard Schlink)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Delicadezas...


"Hoje, nosso tempo é outro. Tempo de dores mais persistentes e mais doídas. Tempo de medos e feridas abertas e expostas. Tempo sem porta de saídas. E de corredores cada vez mais estreitos. Mas é aí que mora o fio da meada. É aí que vive a motivação. Porque o difícil pode esconder também beleza. (...) Por isso mesmo que te faço o convite. De sair nos dias com os pincéis que nos cabem. Para pintar o mundo do jeitinho que a gente gosta. Para deixar tudo assim, no tom do anil. E bordar delicadezas no tecido áspero das horas. E, amanhã, cabe a nós o dom de contornar as agruras da vida. A cultivar a sementinha da boa esperança num vaso que fique sempre à mostra. A morrer de amor quantas vezes quiser, sem se perder por isso. Porque uma coisa eu digo: a gente não morre de amor. A gente vive".
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(Serena-Cris)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mar pelo avesso...

"Já faz um tempo que meu canto tem a mesma cor, o mesmo som, a mesma dor. O mundo não muda quando meus olhos permanecem os mesmos. Não falar de amor pra mim é virar o rosto, esconder o beijo, fechar os olhos e mentir pro mar. Não ler, reler, nem viver. O amor me segue no beijo que sinto, no sonho que vivo, com as lembranças que deito. Amor aqui dentro é tempo, imprevisível. Fujo do previsível como quem foge do passado. Corro pro presente, pro medo, me cubro de planos que mal planejo. Quando desejo o que ainda não vive, pressinto. Se pressinto, logo perco. Perco a dose do beijo. Perco a noite que não durmo. Perco a saudade que não sinto e envolvo a dor que não vejo, mas quando perco o tudo, amanheço. E se escrevo, no verso eu vejo um mundo e me ordeno: "Entenda o mar pelo avesso". Trago a poesia fundo e aceito: Sou mulher de inícios. Um recomeço. Por tudo o que parece ser tão pouco, hoje não corro. Ando na vida e respiro os raros por que ser feliz requer paciência e escrever amor, ainda salva a minha alma do mundo".
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(Priscila Rôde)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O mesmo que...

"Está tão puro já meu coração,
que é o mesmo que morra
ou cante.
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(Juan Ramón Jimenéz)

Os sonhos...

"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas ações, dos seus propósitos e dos seus desejos."
                            (Padre Vieira, no
Sermão de São Francisco Xavier Dormindo)

Acesa a chama...

"Ainda há pouco tinha sol. Sem que eu diga uma palavra, a cortina cai e a noite domina. Ainda bem que as pessoas que a gente gosta aparecem em sonhos. Não posso acreditar que algum dia venha a alcançar um ponto onde eu esteja livre de sentir. Porque neste dia, estarei morta. Encontre-me no portão da frente de sua vida. Tem meu nome pendurado. Te desabotoo coração, para que você fique todo exposto. As lágrimas aqui caem dobradas. Porque onde quer que exista o amor, ele brilhará de alguma forma. Então acredito. Não faço idéia da hora que você vai chegar. Pode até ser de madrugada, como da última vez. Vou esperá-lo. Quero ficar acordada para não perder o momento. Eu tenho luz suficiente para manter a chama acesa."
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(Pipa)

Deus é Química...

"meus cabelos pedem: alisantes! minha sede pede: coca-cola! minhas axilas precisam: desodorante! meus pulmões aspiram: fumaça! minha tristeza engole: anti-depressivos! minha libído: anti-concepcional! minha coluna: dorflex! meu cérebro grita: anfetamina! minha insônia cospe: soníferos! meu sono bebe: cafeína! meus nervos sugerem: calmante! meus seios choram: implante! meu corpo grita: química!"
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(Aleta Valente)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Minha vontade...

"Eu já não to conseguindo fazer mais nada! O primeiro capitulo do livro que eu li teve gosto de dúvida. Eu fugi da história, pulei para a minha. Faltou apetite, ideia, plano, assim como o meu coração. Tudo pelas abomináveis perguntas que me engolem, me tiram o sono, e o sabor de tudo. Só quero desligar o mundo, o tempo e qualquer vontade minha. Ah eu queria governar a minha vida, o meu futuro, me governar. (...) Sem faltar nada. Sem sobrar muita coisa. (...) Já estou a esperança no colo, em uma mão o sonho, na outra o arrependimento. Qual o destino vai escolher? Eu não tenho forças pra desistir dessa história. Eu tenho um milhão de argumentos contra e só um a favor: a minha vontade. Logo eu que queria tanto que ela escolhesse um rumo. Eu não quero acreditar que ela faz péssimas escolhas."
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(Mariana Peixoto)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Literalmente...

“Eu devo reconhecer que ninguém me conhece. Não realmente. Os que mais sabem não sabem da metade. Não deixo todos os segredos escaparem de mim, não mesmo. Uma delicadeza com os outros, eu diria, pois não quero assustar as pessoas com meu passado. Em especial aquelas que continuaram gostando de mim após o pouco que souberam. Mesmo porque aquela, que fez aquilo, não está mais aqui. Eu sou literalmente outra."
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(Fernanda Young)

domingo, 1 de agosto de 2010

Reinventar-se...

"Essa é a parte que dói, que você precisa se manter forte, que você quase não consegue virar a página, que a angústia volta, que dá uma vontade louca de fazer tudo errado de novo. Mas é nessa hora que você percebe, que pela primeira vez você realmente quer enxergar e então você enxerga, você entende, as peças se encaixam e você sente que vai dar tudo certo (...) e você vai seguir em frente, porque cedo ou tarde a gente sempre se renova.

Acho que o segredo está em você ter sede de verdades, sabe verdades daquelas que doem, mas vai devagar, uma coisa de cada vez, vai descobrindo quem é você e sua melhor maneira de lidar com tudo. Agora é o momento crucial, onde você aceita que não deu certo, que errou e que você precisa esquecer, começar de novo. Sabe aquele despertar que vem de dentro, que você sente que precisa ser feliz, e que nenhum dos seus passados anda te fazendo bem, então é nesse momento que você vira a página. (...)

Sinta aquela paz que só existe quando somos o que somos! Eu sei que na hora de colocar em prática tudo fica mais difícil, mas lembre-se: “Mude, mas mude devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade". (Recortes dos textos de Thaisa Schelles)