segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pensamento Tibetano do Século VIII...

Encontrado nas ruínas do antigo aposento do monge Raksheh Vilmiintuch, no templo de Potala. O monge, mais tarde, chegou a ser um Dalai Lama.

"Tudo aquilo que algum filho da puta diz que é "urgente", sempre é algo que algum imbecil deixou de fazer em tempo hábil e quer que você se foda pra fazer em tempo recorde."
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(Raksheh Vilmiintuch - Monge Tibetano)

domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

A tristeza...

A tristeza
é uma mulher
que não se pinta demais
não se perfuma demais
e nem bebe demais
para nos esperar
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(Marcio Scheel)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Chance...

Enquanto espirra o perfume de fragrância duvidosa, Emanuel pensa no tamanho da roubada em que está se metendo. Essa coisa de encontro às escuras, ou "blaindaiti" (como dizia seu amigo Cezar), definitivamente não é a melhor das idéias pra sair daquela melancolia danada. Tudo por causa da Glorinha. Mas agora já foi, são águas passadas, ela que seja feliz com o tal auxiliar administrativo do cartório, que em uma semana acabou com meses de planos. Caguei, diz ele se olhando no espelho. Um Alain Delon, diria sua avó.

Ajeita a camisa, dá um último tapa no cabelo emplastado de gel e caminha até a porta. Pensa no momento de encontrar Isabela e suas pernas tremem. O suor começa. Puta merda, toca passar mais perfume!

Essa coisa de conhecer gente pela internet é complicada. Você vê a foto ali, não sabe se a pessoa é aquela mesma, se não estão te enganando, se na hora de apalpar não é nada daquilo que você espera encontrar. Mas uma coisa o Cezar tem razão, precisa ir lá e conferir. Ainda mais no caso da Isabela, tão gatinha nas fotos, sorriso meigo, olhos delicados, peitos empinados, cintura fina, linda, linda, linda... mas, e se ela não for nada daquilo?

Uma tremenda incerteza bate em Emanuel. Cara, essa menina não pode ser tão bonita como nas fotos. Por que uma gata dessas estaria numa sala de bate-papo? Garotas bonitas como ela não precisam disso, definitivamente.

Emanuel olha para suas mãos, elas tremem. Volta para o espelho, se analisa dos pés à cabeça. Acho que não vou. Mais uma olhada. Cara, deve ser alguém zoando com a minha cara, se bobear é o próprio Cezar querendo me pregar uma peça. Nem ferrando que vou cair nessa. Melhor, vou deixar ele lá, plantado, achando que vou cair feito um bestão nessa zoeira dele.

Pipoca, pijama, Zorra Total na TV. É isso aí, que sair que nada, parei, não vou cair na do Cezar. Pensa que acreditei nesse papo de Isabela... prefiro ficar aqui pensando na Glorinha.

Enquanto isso, na porta do shopping está uma menina muito bonita, sorriso meigo, olhos delicados, peitos empinados, cintura fina, linda, linda, linda... seu nome é Isabela.
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(Nelson Botter Jr.)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Parada Obrigatória...

Às vezes a distância é a melhor coisa que pode acontecer.

Na guerra ou na vida, períodos de recuo são essenciais em qualquer boa estratégia. Ou simplesmente acontecem, atropelando nossa vontade-mesmo assim, continuam sendo estarrecedoramente úteis (depois de passada a raiva por termos sidos detidos na marcha, claro). Eles nos forçam a enxergar a situação sob outro prisma, com mais frieza e, por isso mesmo, de forma mais acertada e isenta dos erros de julgamento que a intensidade e a bile nos levam a cometer (o significado do ditado chinês "o lugar mais escuro é sempre debaixo da lâmpada" tornou-se, de repente, tão claro para mim como areia em dia de sol).

O grande barato de, vez por outra, nos distanciarmos do que é nos importa é sentir o que esse redimensionamento nos causa. E seja ele qual for, a retomada nunca é insípida: ou nos faz enxergar a placa de "rua sem saída" que teimávamos em não ver ou, feito polimento em prata, devolve o brilho ao que o tempo havia enegrecido. Talvez por isso alguns casais só se entendam depois de uma separação: a dor, a sensação de ficar sem centro gravitacional, não ter mais ali ao lado quem se ama, pode provocar verdadeiros milagres na dinâmica de uma vida em comum (e na vida solo). Mas não podemos contar com milagres, precisamos da razão. O problema é que nossa suposta sapiência tende a sub-avaliar o que se tem ou (talvez seja pior), exagerar na importância e, se quisermos ser felizes, é inútil proclamar independência emocional ou tornar-se escravo das paixões. Qualquer extremismo nos isola-e, curiosamente, é só dando um pequeno mergulho na solidão que compreendemos o valor do que nos rodeia e mora dentro de nós.

Tente um Monet

Depois de sofrer feito o cão por encarar tudo na base do oito ou oitenta, fiz um pacto comigo mesma: jamais levaria coisa alguma a ferro e fogo porque nada importa tanto. Absolutamente nada é imprescindível. Nem ninguém. Esse não é um discurso de auto-suficiência, pelo contrário, é uma reflexão de alguém que aprendeu na porrada (ou melhor, no choro) que só relativizando, tornando a existência e o coração mais leves, é que se pode ser feliz e, então, ser feliz com alguém. Pare de arrastar correntes, levar tudo tão a sério: a única coisa que você vai conseguir é uma úlcera. Cuide de quem ama mas não faça disso o objetivo da sua vida porque ficará, inevitavelmente, frustrado quando não tiver deles o que deu pra eles. Ou não tiver deles o que você ACHA que eles deveriam devolver. E será bem feito: você fez o que quis, porque quis, então não venha reclamar o troféu. Não existe prêmio para quem doa amor. Por isso, distanciar-se deveria ser uma tarefa cotidiana: evitaria que fôssemos sugados pelo redemoinho que sempre começa logo ali nos nossos pés, mas estamos ocupados demais pra ver. Evitaria que exercêssemos de forma tão eficaz, e perigosamente despercebida, nossos piores defeitos.

Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante dos seus olhos.

Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
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(Ailin Aleixo)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Amor de pessoa...

"Não minta para mim, eu descubro
Não tente me enganar, porque eu percebo
Não apronte, porque eu me vingo
Fora isto, sou um amor de pessoa!!!"

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O ponto...

"Venho de um mar revolto que não me dava descanso, um gosto de sal na garganta e uma sede, em meio a tanta água. Venho cansado da luta. E a minha sede era de água e paz.

Eu não procurava um pouso porque já tinha o meu próprio – que pode não ser macio nem mágico, mas tem o meu cheiro. Eu procurava o que não sei. Procurava parar de procurar. E já vinha desacelerando a busca, numa desistência doce.
 
Era a paz que eu procurava. A paz que me sorri bem puro. A paz que não é tédio. Que dá colo pra descansar, mas também é capaz de surpreender e fazer o coração bater forte, a circulação aumentar, o corpo se sentir vivo. A paz que atormenta. Paz que é um ponto.
 
Que é chegar em casa sorrindo. Uma insônia boa. Certeza que não mata. Saudade que revela. Que é quando a imperfeição encontra lugar confortável em nós. É sentir no outro uma semelhança macia. Saber um pouco do que vai no outro, sem saber quem é o outro.

Estou apaixonado por tempestade suave em mim".

(C. Guerra)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Perdoar...

Uma Serpente, tendo feito sua toca perto da entrada de uma cabana, deu uma mordida no filho menor do Lavrador que ali morava, e este veio a falecer, causando grande angústia e aflição aos seus pais.

O Pai da criança resolveu então matar a serpente.

No dia seguinte, quando ela saiu do buraco em busca de alimento, ele desferiu-lhe um golpe com seu machado.

Mas, na ânsia de acertar com um só golpe antes que ela escapasse, errou a cabeça, e cortou apenas a ponta da sua cauda.

Depois de algum tempo, o camponês, com medo de também ser atacado pela serpente, resolveu fazer as pazes, e para agradá-la, deixou perto do buraco, uma porção de pão e sal.

A Serpente então disse:

“Doravante, não pode existir paz entre nós, pois sempre que eu ver você, lembrarei da minha cauda cortada, enquanto que, sempre que você me ver, lembrará da morte do seu filho.”

Amenidades..

É você mesmo...

"Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça, e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros.
Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação..
É você mesmo".
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(Chico Xavier)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nada a ver...

"A mente é um mecanismo de cálculos, de negócio; ela não tem nada a ver com o amor. O amor será um caos, perturbará tudo nela.

O coração não tem nada a ver com negócio - está sempre de férias. Ele pode amar e pode amar sem nunca transformar seu amor em ódio.

O coração não possui nenhum dos venenos do ódio".
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(Osho)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Espelho...

"Certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak – que viveu de 1317 a 1405 – e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele.
Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida.
- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias.
O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak.
- Comparei você a um porco, e você me compara ao Buda?
- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda".

Funeral...

"Um cardiologista muito famoso na cidade morreu..
Seu funeral foi muito pomposo e muitos de seus colegas médicos compareceram.

Durante o velório, um enorme 'coração', rodeado de coroas de flores, permaneceu atrás do caixão...

Após as últimas palavras do Padre, o coração se abriu e o caixão entrou automaticamente no enorme coração, emocionando a todos os presentes.
O coração se fechou, levando no seu interior o famoso médico para sempre.

Um dos presentes explodiu em gargalhada, causando surpresa e indignação.
Questionado por que ria, ele explicou:

- Desculpem-me... por favor, desculpem-me....
É que eu estava pensando como seria meu funeral... sou Ginecologista!
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Nesse momento, o proctologista desmaiou!"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Seu trabalho...

"Se um dia alguém fizer com que se quebre a visão bonita que você tem de si, com muita paciência e amor reconstrua-a. Assim como o artesão recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão, sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante, você é a sua criação mais valiosa.
Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.
Olhe somente para dentro, para bem dentro de você e faça dali o seu lugar de descanso, conforto e recomposição. Crie este universo agradável para si e seja feliz.
O mundo agradecerá o seu trabalho".
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.(Brahma Kumaris)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Muito...

"O que ele quer é falar de amor. Fazer cafuné, comprar presente, reservar hotel pra viagem, olhar estrela sem ter o que dizer. Quer tomar vinho e olhar nos olhos. Ele quer poder soprar o que mora dentro, o que não cabe, que voa inocente e suicida. Ele quer o que não tem nome. Quer rir sem saber de quê, passar horas sem notar, quer o silêncio e a falação. Ele quer bobagem. Quer o que não serve pra nada. Quer o desejo, que é menos comportado que a vontade. Ele quer o imprevisto, a surpresa, o coração disparado, o medo de ser bom. Quer música, barulho de e-mail na caixa, telefone tocando. Ele tem muito e quer mais. Quer sempre. Quer se cobrir de eternidade, quer o oxigênio do risco pra ficar sempre menino. Ele quer tremer as pernas, beijo no ponto de ônibus e a milésima primeira vez. Quer cor e som, lembrança de ontem, sorriso no canto da boca. Ele quer dar bandeira. Quer a alegria besta de quem não tem juízo. O que ele quer é tão simples. Só que ele não é desse mundo."
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(C.Guerra)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Enquanto crê...

"Enquanto crê, o homem não precisa pensar. É a incerteza que o obriga a meditar. Quando não sabe o que fazer com as suas crenças, o homem pensa, tentando devolver ordem à circunstância que se fez problema para torná-la de novo estável e segura." (Hegenberg)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Silêncio...

Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos. Aprende com o silêncio a respeitar a opinião dos outros, por mais contrária que seja da sua. Aprende com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou, a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora. Aprende com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido, evitar reclamações vazias e sem sentido. Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores.... Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo, que pode ser qualquer livro, desde que você o leia até o fim. Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, complete a sua tarefa. Aprende com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia, enxergar em você as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu. Aprende com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares. Aprende com o silêncio a respeitar o seu "eu", a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo, e o santuário que é a sua vida. Aprende hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar, e em respeito a você, eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe um dia vitorioso e confirmar que você é especial.
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(Paulo Roberto Gaefke)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Na berma da estrada...


"(...) amo o ódio que sentes por mim. Amo o teu desprezo, o teu ciúme. Amo o quanto me empurras pra trás e para a frente como se fosse o pêndulo do teu próprio relógio. Se não havia barreiras nem obstáculos que me fizessem parar, agora existe uma fina ponta de corda que se parte a tentativa da nossa chegada. Eu recuo e tu avanças. A sorte encontra-se do meu lado e a ponte desabou. E tu, ficaste perdido no meio do nada. E eu, fiquei onde sempre estive, no sitio certo, na hora certa. Agora, passas por mim na berma da estrada e as lágrimas escorrem-te de saudade. Sofres por um amor que já não é correspondido? Lamento. Ontem tambem eu sofri. Agora queres-me; eu já não dependo de ti para (sobre)viver. Se ainda não percebeste que ja não significas nada, concentra-te nisto: tu PERDESTE-ME(!) e eu ESQUECI-TE(!)"

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(Cláudia Azevedo)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Confidência...

"...Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos..."
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(Mia Couto)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Comprometa-se...

Quanto mais você aceitar tanto seu lado bom quanto o ruim, tanto menos crítico será para com as pessoas que o cercam. Se estivermos dispostos a agir de forma honesta, cada relacionamento pode tornar-se um espelho. Quando reagimos com irritação desproporcional ao comportamento de outra pessoa, isso normalmente acontece porque tal atitude espelha algo que não queremos perceber em nós mesmos.

Ao identificar e aceitar as múltiplas facetas de sua natureza, você estará se capacitando a aceitar com maior facilidade as pessoas e, portanto, a viver mais em paz consigo e com as pessoas que importam em sua vida. Sob uma perspectiva espiritual, a meta do amor consiste em enxergar você no outro e o outro em você. Este estado de consciência unificadora é a expressão da divindade na humanidade. Ao se sentir confortável dentro de si, seu contentamento interior ajuda naturalmente aqueles que estão ao seu redor a se sentirem mais confortáveis.

Um coração repleto de compaixão transmite a mensagem: “Reconheço você...Conheço você...Aceito você. Você pode assumir um risco, indo além de seus limites normais, mas isso significa mover-se para fora de sua zona de segurança...vale a pena. Abraçar o desconhecido nos oferece nossa maior oportunidade de crescimento pessoal, enquanto desperta nossos maiores temores. Quando você se apaixona torna-se uma pessoa diferente...existem vários tipos de relacionamentos apaixonantes... O amor expande nosso sentido de nós mesmos, algo que, uma vez expandido, jamais retorna a seu tamanho original.

Uma vida desfrutada em amor é a única vida que vale a pena. Como citado em Coríntios, sem amor, o conhecimento e a caridade são vazios. Entre a fé, a esperança e o amor, o amor é maior. Comprometa-se a amar sob todas as suas expressões. Mesmo depois de tanto tempo, o sol nunca diz para a terra, “você me deve”. Veja o que acontece com um amor como este, Ele ilumina o céu inteiro. Libertar-se de hábitos exige atenção focada e força de vontade Os hábitos preenchem necessidades. Para abandonar um comportamento indesejável, você deve substituí-lo por um que o gratifique.

A medida que você trouxer para o seu cotidiano influências que apóiem seu bem estar emocional e físico, o alívio temporário que seu antigo hábito lhe oferecia será substituído por conforto e harmonia duradouros. Procure relacionamentos e comunidades que reforcem seu compromisso de adotar escolhas que promovam a vida. Somos a soma das escolhas que fizemos. Lembre-se a cada momento: todo mundo faz seu melhor, com base em seu atual estado de consciência. Das amebas unicelulares aos seres humanos com trilhões de células, a dança da vida inclui a alternância entre pausa e o movimento. A vitalidade e o entusiasmo são frutos de uma vida em harmonia com os ritmos da natureza.
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(Citações do livro Comprometa-se de autoria de David Simon)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ilhado...

"Não tenho sonhos. Perdi as esperanças quando cheguei nesta ilha. Não sou pessimista como os habitantes do continente povoado. Os pessimistas do continente povoado também têm sonhos. Eles esperam pelo pior. Não espero pelo pior, nem pelo melhor. Não tenho mais esperança. Tive que me despir da esperança para poder pisar aqui. Tive que me despir do passado e do futuro, de tudo que conhecia, até de mim mesmo. Agora tenho nada. Este vazio que é minha fé. Se você está no continente povoado, lendo a mensagem que mandei numa garrafa, achará contraditório, pois no continente povoado fé é sinônimo de esperança. Pura ilusão povoada! A esperança é assim, povoada e condicional. Quem espera, espera sempre algo. A fé é vazia e incondicional. Quem tem fé, não espera nada. Você sabe disto. Quando deita e dorme você abandona o continente povoado e volta para ilha. Alguma vez, durante a viagem, teve esperança de voltar ao continente? Claro que não! Mas quando o mar da vida lhe joga de volta no continente povoado, você esvazia sua fé enchendo o coração de esperança. Sonha que pode chegar a algum lugar além da ilha. Você não pode. Acorde para o sonho. Olhe ao seu redor. Você está ilhado em você."
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(Marcelo Ferrari)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Procure...

"Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"

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(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sobre a Realidade...

"Dom Juan: ” Aprendemos a pensar sobre tudo, e depois exercitamos nossos olhos para olharem como pensamos a respeito das coisas que olhamos. Olhamos para nós mesmos já pensando que somos importantes. E, por isso, temos de sentir-nos importantes! Mas quando o homem aprende a ver, entende que não pode mais pensar a respeito das coisas que ele olha, e se não pode mais pensar a respeito das coisas que ele olha, tudo fica sem importância.

Tudo é igual e dessa forma sem importância. Por exemplo, não há meio de eu dizer que meus atos são mais importantes do que os seus, ou que uma coisa seja mais essencial do que outra, e, portanto, todas as coisas são iguais, e sendo iguais são sem importância.

Quando se aprende a ver, não é mais preciso viver como guerreiro, nem ser feiticeiro. Ao aprender a ver, o homem torna-se tudo, tornando-se nada. Por assim dizer, desaparece, e no entanto continua ali. Eu diria que essa é a ocasião em que o homem pode ser ou conseguir tudo o que deseja, mas não deseja nada, e em vez de brincar com seus semelhantes como se fossem brinquedos, ele os encontra no meio da loucura deles. A unica diferença entre eles é que o homem que vê controla sua loucura, enquanto que seus semelhantes não o conseguem. Um homem que vê não tem mais um interesse ativo por seus semelhantes. Ver já o desprendeu de tudo o que conhecia antes."
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(Carlos Castañeda)

domingo, 2 de maio de 2010

Vermelho...

"Estava parada no farol, debaixo de um viaduto. Gotas de chuva escorriam pela beira da construção e pingavam no vidro do carro. O entorno era cinza escuro de cimento velho. Era uma noite de quinta-feira e a cidade tinha as suas infelicidades camufladas. Tão escondidas, que a sombra de um capuz preto passou por trás do carro sem ela nem perceber. Estava sozinha, ouvia música na rádio distraídamente. Sorrateira a sombra deslizou pela janela e se transformou em um homem parado do lado do passageiro. A barriga gelou e a garganta ficou seca. Um fantasma magro de olhos profundos, parecia a morte. Veio o golpe brutal que quebrou o vidro da janela. Um barulho forte e seco como a própria pancada. O vidro estilhaçado caía aos poucos, enquanto ele sem pensar no próprio braço tentava agarrar a bolsa em cima do banco. Havia sangue. Ela gritou assutadada, mas os gritos foram abafados. Ninguém ouviu. Só ele. Por um momento se olharam nos olhos. Deviam ter a mesma idade. Assustado ele fugiu correndo, deixou a bolsa e partiu segurando o braço machucado. Desapareceu no escuro de onde veio. Ela ficou sozinha, imóvel. Sentia o peito estilhaçado com o vidro. Não tinha raiva, nem revolta, só tristeza. Se perguntou como estaria o braço do rapaz. Se sentiu imbecil por pensar nisso. Se sentiu culpada por ter deixado a bolsa em cima do banco. Se sentiu idota por se sentir culpada. Tudo isso no tempo de um farol. Verde, não deu mais tempo de pensar. A cidade pedia a atenção para outras coisas. Engatou a marcha enquanto secava as lágrimas. Queria que essa história fosse ficção, mas não era. Ela não tinha papel nenhum, nem ele era o vilão. Os dois eram só mais um."
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(Ana Reber)