sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Os dois vasos...

Ganhou ele dois vasinhos bonitos que a vida lhe deu; para que assim aprendesse a cuidar de si e de cada uma das flores que em cada qual residia. Apaixonou-se pelas diferenças; das cores e da fragrância gostosa que o encantava. Passaram a enfeitar seus dias em distintas formas e tons que ali abrigavam, ainda que alguns de seus frutos, amargos, nutriam-no em promessas de fartura e longa companhia. Noutro, sempre doces, não havia de vingar, por mais que se satisfizesse o paladar ou contemplasse sua beleza. Em um lhe cabia o zelo para evitar seus espinhos e no outro, apenas o perfume de suas flores. E o  vaso que a ele parecia mais gasto, seria também o mais forte. E no mais formoso, o que melhor parecia acolher as sementes do porvir. Eram os vasos, suas amantes. Seus frutos, seus prazeres. E em cada qual abrigavam todos os seus amores. Eram indispensáveis. Mesmo assim, uma há de morrer pois, no cantinho de sua alma em que o Sol habita, cabe carinho apenas pra uma delas. Não se sabe qual.

2 comentários:

Vitória Z. disse...

Adorei, e tomei a liberdade de postar no meu blog.

Dá uma olhada depois.

Vanessa Souza Moraes disse...

Cabe apenas um?
Bonito.