sábado, 6 de novembro de 2010

Amor-impróprio...

"Me perdi dentro do que ainda sou. Sem vírgulas que me pausassem nem verbos fracos. Foi intenso. Sempre solvi o presente até quando houvesse, até quando o frio na barriga continuasse e as borboletas permanecessem ali batendo asas sem voar para longe. Só dentro de mim. Sou um poço de contradições quando estou no seu mar de emoções previsíveis. Arrumo as malas enfileirando minhas ânsias, guardo a saudade num bolso qualquer e salto do trem sem me preocupar com o caminho a ser percorrido, nem o tamanho da queda. O que pode ser pior do que essa minha leveza que lhe move o coração? O que pode ser melhor do que me dá as mãos, retribuir o meu amor impróprio e seguir com os dois pés ainda que um terceiro fique perdido? Sou fácil de sentir, de envolver. Aceitei a fé indispensável, o tempo que se prolonga quando acorda – se cedo e até decorei meu coração para um novo amor próspero e desesperado. Só não aprendi a seguir a mesma linha e escrever o mesmo verso. Tenho um sonho que não dorme e sou tão flexível que abraço qualquer bom defeito modificando a última página. Talvez não seja sábio trocar o certo pelo incerto e ser feliz pela metade. O bom da vida sobrevive ai dentro. Quando se vive todos os tempos, conjuga – se todos os verbos do doce - amargo presente e não esquece o passado como se nunca o tivesse vivido. Transfiro - o para um futuro distante".

(Priscila Rôde)

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4 comentários:

Roberta Mendes disse...

Pausa de vírgula precipita recomeços, encadeia períodos, ordena ações. Apesar de vital, é pausa demasiado curta e aflitiva, respiração de nadador. Quero é o luxo das reticências, o sabático da sintaxe. Ando numa urgência por tempo, passado ou futuro, qualquer tempo que me seja dado de presente. O laço colorido por si só me distrai.

Vanessa Souza Moraes disse...

Passado não se esquece.

Priscila Rôde disse...

Opa! =)

Suelen Lourencio disse...

Simplesmente lindo....