quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Amnésia...

Saiu batendo a porta e pisando duro; partiu sem saber pra onde ia. Era a bilionésima vez que discutiam e mais uma vez, ele se descontrolou. Gritou com ela. Escondeu seu Amor nos punhos cerrados de raiva; espantou seu carinho com seus gestos brutos de desespero. As lágrimas que corriam não o deixavam ver o tamanho colossal da sua idiotice. Sentia-se tão certo ainda que estivesse tão errado. Recusou dividir culpa que também lhe cabia. Ignorou a cartilha do saber-cuidar que aprendera a duras penas durante toda sua vida, desaprendendo perdão no constante amargo dos seus avessos. E a vida bonita que é lhe deu abrigo imediato em lição amarga de desatino. Atravessando a rua não viu caminhão que passava. Quebrou ossos pra fazer companhia ao coração partido dela. Bateu forte a cabeça e esqueceu-se de tudo. Aprendeu por amnésia, sumariamente a perdoar; mas levou para sempre na memória o carinho da sua menina que ali o encontrou, despindo-se das próprias feridas para cuidar da sua Alma. Levantou-se outro. Tornou-se melhor.


"Quem pede perdão mostra que ainda crê no amor. Quem perdoa mostra que ainda existe amor para quem crê. Mas não importa saber qual das duas coisas é mais importante. É sempre importante saber que: perdoar é o modo mais sublime de crescer, e pedir perdão é o modo mais sublime de se levantar..."

3 comentários:

Alice disse...

Mais que lindo isso! Gostei muito!!!

Beijos

.Intense. disse...

Bonito, e triste, e doído (deu vontade de chorar, te falo).


;*

Uma mocinha não tão indefesa disse...

Será que eu também posso considerar o meu pedido de ver mais textos seus na "Ilha" como um dos responsáveis (sei que não foi o único) por você estar mostrando mais dos seus escrito por aqui?
Parabéns, tá ficando melhor a cada textop que passa :)