quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O monge que sabia voar...


Você não é nova aqui. Nunca foi. Você é mais do mesmo. Teu signo. Tuas reticências. O jeito que escreve. Você é meu padrão; minha história gasta. É a mesma casa velha de outrora que ouso decorar com teu nome; com tua cor. Mas que canta outras músicas, que prova outros pratos. E já que não consigo te matar, mantenho-te viva, pois você é a lição que ainda não aprendi. O erro que ainda não superei. É o livro de páginas repetidas em que encontro minha feiúra e minha verdade. Em que vomito meu azedume e banco o mocinho; que adoça a vida alheia. E o enredo que é teu, fala de mim. Do outro fruto que colhi, tens o mesmo gosto. Chamo pelo novo e é o velho que ecoa. Reconstruo o passado que se faz presente. E não consigo achar um final para você. Para nós dois. Você é a mesma que inevitavelmente me persegue e me encontra, já que andamos em círculo. Por saber meu endereço. Por saber em que canto de mim guardo meus segredos. E você vem sempre do mesmo jeito, mesmo que de outras formas, pra me lembrar que não estou aqui para reclamar, mas para transcender.

5 comentários:

Psicólogaproblemática disse...

Adoro teu blog, por isso deixei um selinho pra voê lá no meu...
Abraço.

Priscila Rôde disse...

Depois descreva a cor do céu, a textura das nuvens, o bater das asas e se o amor fica menor daí de cima, onde os sonhos adormecem.

Um beijo.

Uma mocinha não tão indefesa disse...

É até difícil comentar no seu blog porque nunca acho que vou conseguir escrever um comment à altura...

Você não tem uma ilha de um homem só, tem um mundo inteiro que é só seu. Mas quando resolve compartilhar uma pequena parte dele com o mundo, é de tirar o fôlego!

Su Lourencio disse...

Lindo texto...
É sempre bacana ler seus feitos.
=)

Guilherme disse...

"O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino"