segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Farpas e conchas...


Parece que longe da Ilha, ela é mais feliz. Mas por quê me parece isso se a tempestade que a assusta, não tem culpa o meu canto? Construo bonita cabana e é a farpa que lhe encontra; na areia em que desenho meu amor, é a concha que lhe corta. E remando contra a Ilha, em jangada frágil de boicote, parece querer voltar. É saudade, o mar que a circunda? É solidão as velas içadas? Naufraga dentro de si a ideia de que a Ilha, em verdade é porto seguro? Não se encontram ameaças na plenitude dos mistérios frondosos que a enfeitam. Cuido dos pastos com esperança. Convido-a ao regresso com a luz do farol. Carinho é trilha. Talvez não enxergue com medo de que as cores confudam, ou a promessa de herdar tal terra a sufoque. Ainda que o único desafio seja a semeadura interior de paz diante do reino que lhe entrego, coberto pelo manto estrelado do céu. Não há riscos, nesta Ilha de um homem só...

3 comentários:

Helen Viana disse...

Ninguém é feliz longe de SUA ilha!

Quando escrito em testamento, essa herança é irrevogável.

Há de se entender, seja na calmaria dos ventos, na maré contra a ilha ou no fundear que aquele canto todo, é teu.

O mundo todo é só uma ilha, a NOSSA ilha.

Algo novo, nunca visto, quando entregue: ASSUSTA.

"Quem bater primeira dobra do mar
Dá de lá bandeira qualquer
Aponta pra fé e rema"

(...hoje, e sempre, estou tão Los Hermanos).

Guilherme disse...

"Sou náufrago de mim. E invento minhas ilhas." (Myriam Fraga)

Maria Clara disse...

'(..) ou a promessa de herdar tal terra a sufoque.'
Será que eu mereço tanto?