segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O limite do desejo...

"Um imperador, conhecido por sua extrema arrogância, resolveu dar uma volta pela capital do reino para impressionar os súditos e mostrar o quanto era bom. Caminhou em comitiva por algumas ruas, seguidos pela multidão que o acompanhava até que encontraram um mendigo: "Do que você precisa, pobre homem?" perguntou o imperador. O mendigo riu: "Vossa alteza me faz esta pergunta, como se pudesse satisfazer qualquer coisa!" "O que você quer?" Claro que posso satisfazer qualquer desejo, já que você não deve ter ambições tão nobres assim" disse irritado. "Na verdade, o meu desejo é bem simples. Está vendo esta bolsa vazia que carrego comigo? Gostaria que colocasse alguma coisa aí dentro". O rei pegou o dinheiro que tinha com o conselheiro e colocou na pequena bolsa, mas ela parecia continuar vazia. Surpreso, o imperador pediu ajuda aos nobres que o acompanhavam que esvaziassem seus bolsos e sacolas, mas a bolsa não dava sinais de encher. A história correu por todo o reino e agora, era o prestígio do imperador que estava em jogo. Pensou: "Se precisar colocar todo o meu reino aí dentro, farei isso, mas não posso ser humilhado por um mendigo". Tudo o que era ali colocado parecia desaparecer num passe de mágica. Ao final do dia, depois de jóias, diamantes e todo o tesouro ter sido levado até a bolsa, o soberano ajoelhou-se diante do mendigo e admitiu sua derrota. "Vim aqui para tentar convencer os outros que sou um homem generoso e terminei sendo convencido que não tenho nenhum poder. Peço perdão pela minha arrogância, mas também peço que me abençoes, pois és um homem santo". O mendigo disse: "Basta um grão de amor para que o coração fique repleto. Entretanto, nem toda riqueza do mundo pode encher de alegria um coração com fome de amor". "É esse o segredo da tua bolsa?" perguntou o Rei. "Não. Minha bolsa é feita do desejo humano: por mais que tenha, sempre quer ter mais, e por isso permanece vazia."

.
.

"O anseio interior se expressa numa centena de desejos que, pensam as pessoas, são suas necessidades reais. Mas a experiência mostra que não são estes seus desejos verdadeiros pois, ainda que atinjam tais objetivos, o anseio não diminui." (Jalaluddin Rumi)

Nenhum comentário: