quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mar pelo avesso...

"Já faz um tempo que meu canto tem a mesma cor, o mesmo som, a mesma dor. O mundo não muda quando meus olhos permanecem os mesmos. Não falar de amor pra mim é virar o rosto, esconder o beijo, fechar os olhos e mentir pro mar. Não ler, reler, nem viver. O amor me segue no beijo que sinto, no sonho que vivo, com as lembranças que deito. Amor aqui dentro é tempo, imprevisível. Fujo do previsível como quem foge do passado. Corro pro presente, pro medo, me cubro de planos que mal planejo. Quando desejo o que ainda não vive, pressinto. Se pressinto, logo perco. Perco a dose do beijo. Perco a noite que não durmo. Perco a saudade que não sinto e envolvo a dor que não vejo, mas quando perco o tudo, amanheço. E se escrevo, no verso eu vejo um mundo e me ordeno: "Entenda o mar pelo avesso". Trago a poesia fundo e aceito: Sou mulher de inícios. Um recomeço. Por tudo o que parece ser tão pouco, hoje não corro. Ando na vida e respiro os raros por que ser feliz requer paciência e escrever amor, ainda salva a minha alma do mundo".
.
.
.
(Priscila Rôde)

Um comentário:

Ana Aitak disse...

eta coisa bonita demais, as suas escolhas tem sido maravilhosas, é cada texto de perder o fôlego e ganhar o dia rs

:)