segunda-feira, 8 de março de 2010

Saudade...

"Hoje acordei com uma incontrolável saudade. Uma inevitável saudade de um tempo que não passa, de uma história sem enredo, de um filme sem final feliz, de alguma coisa que parece nunca chegar. Sinto saudades de uma parte boa da minha vida interrompida por um acaso, sem nunca ter acabado ao certo, porque talvez nunca tenha exatamente começado. Daí a saudade de alguma coisa que poderia ter sido e nunca foi e nem nunca será. Saudade a gente não vê, não pega, mas sente e sabe que ela está ali. Saudade é uma ferida que nunca sara. É como se alguém apertasse seu coração e seu pescoço, quase um estrangulamento. É uma dor sem evidência física. Mas ainda assim é uma dor consistente e tem dias, como hoje, que parecem ser feitos para doer de saudades. Saudades de sonhos, de cheiros, de gostos, de olhares, sorriso discretos, do que seria e acabou sem explicação. Saudades de poucas palavras, de um aperto de mãos, do olhar carinhoso e recatado, de planos loucos traçados à beira da impulsividade. Sinto saudades do que nunca existiu mesmo – embora desejo até que tivesse existido. Não aconteceu. Não houve. Um dia para doer. Eu sinto saudades."
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(Luís Augusto Z. Cardoso)

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