quinta-feira, 4 de março de 2010

Sabedor...

"Eu que, pretenso sabedor de tudo-em-mim,
Eu que, olhava o Sol como meu próprio reflexo, cego fiquei pelo contraste, ao visitar o canto escuro do meu ser. E tal visita tornou-se permanente morada,
Hoje, fujo das minhas próprias sombras. Quanto mais longe vou, mais elas me acompanham.
E cansado das mesmas novidades que guardei.. me exauro. Em mim, ganho novos contornos firmes enquanto o suave se mascara; me debato diante da inquietude movediça que me paralisa.
Provei da tua árvore do conhecimento e me tornei sabedor dos pecados. Tornei-me eu, impuro. E o paraíso tornou-se, também e além do mais, ansiedade. Não fui expulso. Não quis, nem precisei.
A toca do coelho me enoja em repulsa. Pretério imperfeito.
Vendava meus olhos, vendia. Reescreveria minhas falas, calava.
Na queda dos anjos, o um tornou-se dois, talvez para buscar o Um novamente.
Qual o círculo que ainda não dei volta? Qual senda não percorri?
Cansaço e descanso se encontram na mesma paisagem.
Sabedor do que não sabia, sei que o vir-a-ser é exigência.
E diante de tudo que soube, também não me esqueci que, a liberdade está apenas em um movimento. A chave da prisão, sou eu quem carrego."

Nenhum comentário: