sábado, 27 de fevereiro de 2010

Algo sobre o perdão...

"É uma das coisas mais fundamentais para entender. As pessoas geralmente pensam que o perdão é para aqueles que são dignos disso, que o merecem. Mas se alguém o merece, é digno de perdão, isso não é muito um perdão. Você não está fazendo nada de sua parte, ele o merece. Você não está sendo amoroso e compassivo. Seu perdão só será autêntico quando até mesmo aqueles que não merecem, o recebem.

Não se trata de se a pessoa merece ou não. A questão é se seu coração está preparado ou não.

Recordo-me de uma mística das mais significantes, Rabiya al-Adabiya, uma mulher Sufi que era conhecida pelo seu comportamento muito excêntrico. Porém, em todo seu comportamento excêntrico havia um grande insight. Uma vez, outro místico Sufi Hasan esteve com Rabiya. Devido a que ele ia ficar com Rabiya, ele não trouxe seu sagrado Corão, que ele costumava ler toda manhã como parte da disciplina dele. Ele pensou que podia emprestar o sagrado Corão de Rabiya, assim ele não havia trazido sua própria cópia com ele.

Pela manhã ele pediu a Rabiya e ela lhe deu a cópia dela. Ele não podia acreditar no que via. Quando ele abriu o Corão ele viu algo que nenhum Maometano podia acreditar: em muitas partes Rabiya o tinha corrigido. Isso é o maior pecado para os Maometanos, o Corão é a palavra de Deus segundo eles. Como você pode alterá-lo?Como é que você pode até mesmo pensar que pode melhorá-lo? Ela não apenas o mudou, ela simplesmente eliminou algumas palavras, algumas linhas – as removeu.

Hasan disse a ela, “Rabiya, alguém destruiu seu Corão!” Rabiya disse, “Não seja estúpido, ninguém toca em meu Corão. O que você está olhando fui eu que fiz”. Hasan disse, “Mas como é que você pode fazer uma coisa dessas?” Ela disse, “Eu tinha que fazê-lo, não havia outro jeito. Por exemplo, veja aqui: o Corão diz, “Quando você encontrar o diabo, odeie-o”. Desde que me tornei desperta não posso encontrar nenhum ódio dentro de mim. Mesmo se o diabo ficar diante de mim só posso banhá-lo com meu amor, porque não tenho mais nada para dar. Não importa se é Deus ou o diabo que está diante de mim; ambos irão receber o mesmo amor. Tudo que tenho é amor; ódio desapareceu. No momento em que o ódio desapareceu de mim eu tinha que efetuar mudanças no meu livro do sagrado Corão. Se você não o mudou isso simplesmente significa que você ainda não chegou no espaço onde só o amor permanece.

Eu vou lhe dizer, as pessoas que não merecem, as pessoas que não são dignas, não faz nenhuma diferença para o homem que chegou no espaço do perdão. Ele irá perdoar, sem considerar quem o merece. Ele não pode ser tão mesquinho que só os dignos devem recebê-lo. E onde ele irá encontrar a implacabilidade? Essa é uma perspectiva totalmente diferente. Não está relacionado com o outro. Quem é você para julgar se o outro é digno ou indigno? O próprio julgamento é feio e medíocre.

Sei que Rudolph Hess certamente é um dos maiores criminosos. E o crime dele se torna um milhão de vezes maior, porque no julgamento de Nuremburg com os outros companheiros de Adolf Hitler – que matou quase oito milhões de pessoas na segunda guerra mundial – ele disse diante da corte, “Não me arrependo de nada!” Não apenas isso, ele também disse, “E se eu pudesse começar do princípio, eu faria o mesmo novamente”. É muito natural achar que esse homem não merece perdão; esse será o entendimento comum. Todos irão concordar com você.

Mas não posso concordar com você. Não importa o que Rudolph Hess tenha feito, o que ele está dizendo. O que importa é que você é capaz de perdoar até mesmo ele. Isso irá elevar sua consciência as alturas. Se você não puder perdoar Rudolph Hess você irá permanecer apenas um ser humano comum, com todo tipo de julgamento de merecimento, de não merecimento. Mas basicamente você não pode perdoá-lo porque seu perdão não é suficientemente grande.

Posso perdoar o mundo inteiro pelo simples motivo de que meu perdão é absoluto; não depende de julgamento. Vou lhe contar uma pequena história Tibetana que irá tornar o ponto absolutamente claro para você.

Um antigo grande mestre, adorado por milhões de pessoas, recusou-se a iniciar qualquer um como discípulo. Toda sua vida, consistentemente, reis lhe pediram, pessoas ricas lhe pediram, grandes ascetas lhe pediram, santos, para serem iniciados como seus discípulos, e ele continuou recusando. Ele sempre dizia, “A menos que encontre um homem que o mereça, a menos que encontre um homem digno disso... Não vou iniciar nenhum Tom, Dick, Harry”.

Ele tinha um jovem que costumava cozinhar para ele, lavar suas roupas, comprar vegetais no mercado. O próprio garoto lentamente envelheceu, e por toda sua vida ele escutou o velho homem, que tinha vivido quase cem anos, e sempre com a negação, sem exceção: ninguém é digno! “Eu vou morrer”, ele disse, “sem iniciar ninguém, mas não irei iniciar ninguém que seja indigno”.

As pessoas ficaram cansadas, frustradas. Elas amavam o homem, ele tinha qualidades imensas, mas não podiam entender sua atitude muito teimosa – sem nenhuma ternura, nenhuma compaixão.

Mas uma manhã, o velho acordou seu companheiro, que já tinha envelhecido, e lhe disse, “Corra imediatamente morro abaixo até o mercado e diga a todos que quem quiser ser iniciado deve vir logo, porque nesse entardecer, quando o sol se pôr eu vou morrer”.



Seu companheiro disse, “Mas e quanto ao merecimento? Não sei quem é digno e quem é indigno. A quem devo trazer?”

O velho homem disse, “Não se preocupe com isso. Era apenas uma tática, porque eu mesmo não era digno de iniciar ninguém, mas era contra minha dignidade dizer isso. Então escolhi outro modo. Estava dizendo, ‘A menos que encontre alguém bastante digno, bastante merecedor, eu não irei iniciar’. A verdade é, eu não era digno de ser um mestre. Agora sou, mas o tempo é muito curto. Somente nessa manhã quando o sol estava surgindo, minha própria consciência também chegou ao pico supremo. Agora estou pronto. Agora não importa quem é digno e quem é indigno. O importante agora é que eu sou digno. Vá e traga qualquer um! Vá e avise a toda a vila que esse é o último dia da minha vida e qualquer um que queira ser iniciado deve vir imediatamente. Traga tantos quanto possível”.

O companheiro do velho homem ficou perplexo, mas não havia tempo para argüir. Ele desceu o morro correndo, chegou ao mercado e gritou por toda a vila, “Qualquer um que queira ser um discípulo, o velho homem agora está pronto!”

As pessoas não podiam acreditar nisso. Mas por curiosidade alguns pensaram, “Não há nenhum problema pelo menos para ver o que está acontecendo”. O homem havia recusado por toda sua vida e no último dia da sua vida, uma mudança tão grande de repente. A esposa de alguém tinha falecido e ele estava se sentindo muito só, então ele pensou, “Isso é bom. Se ele vai iniciar todo mundo, sem nenhuma questão de merecimento...”. Alguém havia sido libertado da prisão na noite anterior; ele pensou, “Ninguém vai me dar emprego; isso é uma boa oportunidade de virar um santo”.

Todo tipo de pessoas estranhas foram para a caverna do velho homem, e seu companheiro ficou tão embaraçado pelo tipo de pessoas que ele tinha trazido: Um é criminoso, a esposa de outro havia falecido, é por isso que ele pensa, “Assim é melhor...agora, fazer o que mais? Alguém tinha ido a falência e estava pensando em cometer suicídio; agora pensa que isso é melhor que o suicídio.



Alguns tinham vindo por curiosidade. Eles não tinham nenhum outro trabalho; eles estavam tocando jazz e pensaram, “Podemos tocar jazz amanhã, mas hoje não há nenhum problema, vamos ver o que é essa iniciação. De qualquer maneira, esse homem vai morrer ao entardecer assim estaremos livres para permanecermos discípulos ou não. Podemos tocar jazz amanhã – não há nenhum problema”.

O companheiro do velho homem estava se sentindo muito embaraçado, “Como irei apresentar essa gente estranha quando esse velho homem recusou reis, santos, sábios, que tinham vindo com profunda seriedade para ser iniciados? E agora ele vai iniciar esse bando!” Ele estava até mesmo envergonhado, mas ele entrou e perguntou, “Devo chamar as pessoas? –onze deles estão aí”.

O velho homem disse, “Chame-os rápido, porque já entardeceu. Você demorou muito tempo e só pode trazer onze pessoas?”



Seu companheiro disse, “O que posso fazer? É um dia de trabalho; não é um feriado. Só consegui esses. Todos são absolutamente inúteis; mesmo eu não poderia iniciá-los. Não apenas que eles não sejam dignos – eles são absolutamente indignos. Porém você insistiu em trazer alguém; ninguém mais estava disponível”.

O velho homem disse, “Não há nenhum problema. Traga-os para dentro”. E ele os iniciou a todos. Mesmo eles estavam chocados. E disseram para o velho homem, “Esse é um comportamento estranho. Toda sua vida você insistiu que a gente precisa merecer ser um discípulo. O que aconteceu com o seu principio?”



O velho homem sorriu. Ele disse, “Isso não era um principio, era apenas para esconder minha própria indignidade. Eu ainda não estava preparado para ser um mestre. E não posso trapacear ninguém, não posso enganar ninguém; daí eu ter me ocultado atrás de uma atitude julgadora, que a menos que vocês mereçam, não conseguirão a iniciação”.

Obviamente ninguém é digno.

Todo mundo tem seus próprios defeitos, fraquezas; todos fizeram coisas que nunca quiseram fazer. Todo mundo se desviou. Ninguém pode dizer que é absolutamente puro; todos estão poluídos. Assim quando o velho homem insistiu, “A menos que você seja digno não volte para mim”, ninguém discutiu com ele; ele estava certo. Primeiro eles tinham que ser merecedores!

No último dia, ele disse para aqueles onze discípulos, “Eu os abençoou e inicio vocês. Não importa se vocês são merecedores ou não, mas pela primeira vez sou digno. E se sou realmente digno, basta minha presença para purificar vocês. Meu mérito de ser um mestre irá tornar vocês discípulos dignos. Agora não preciso depender do merecimento de vocês. Meu mérito é suficiente.

“Sou como uma nuvem carregada de chuva; irei banhar todo o lugar – sobre as montanhas, nas ruas, nas casas, nas fazendas, nos jardins. Irei banhar todo lugar, porque estou sobrecarregado demais com minha água de chuva. Não importa se o jardim merece... Não faço qualquer distinção entre o jardim e as pedras. Irei simplesmente chover a partir da minha abundância”.

Se sua Meditação lhe traz para um estado de nuvem de chuva, você irá perdoar sem nenhum julgamento a partir da sua abundância, do seu amor, da sua compaixão.

De fato, gostaria de declarar que o homem que é indigno merece mais do que aquele que é digno. O homem que não merece, merece mais, porque ele é tão pobre; não seja duro com ele. A vida tem sido difícil para com ele. Ele se perdeu; ele tem sofrido por causa de seus atos errados. Agora não seja duro com ele. Ele precisa de mais amor do que aqueles que são merecedores; ele precisa de mais perdão do que aqueles que são dignos. Essa deve ser a única abordagem de um coração religioso.

Essa questão foi trazida perante Gautama Buda, porque ele ia iniciar um assassino no sannyas – e o assassino não era um assassino comum. Rudolph Hess não é nada comparado a ele. Seu nome era Angulimal. Angulimal significa um homem que usa um colar de dedos humanos.

Ele fez a promessa de que mataria mil pessoas; de cada pessoa ele retiraria um dedo para que ele pudesse lembrar quantos ele havia matado e ele fará um colar de todos esses dedos. No seu colar de dedos ele já tinha novecentos e noventa e nove dedos – só um estava faltando. E esse um estava faltando devido a que sua estrada estava fechada; ninguém passava por esse caminho. Gautama Buda, porém, entrou naquela estrada fechada. O rei tinha colocado guardas na estrada para impedir as pessoas, particularmente estrangeiros que não sabiam que um homem perigoso vivia por trás dos montes. Os guardas contaram a Gautama Buda, “Essa não é uma estrada para ser usada. Você terá que tomar um caminho mais longo, mas é melhor ir um pouco mais longe do que penetrar na boca da própria morte. Esse é o lugar onde Angulimal vive. Até mesmo o rei não tinha coragem de andar por essa estrada. Esse homem é simplesmente louco.

“A mãe dele costumava chegar até ele. Ela era a única pessoa que podia ir, de vez em quando, vê-lo, mas até mesmo ela deixou de ir. A última vez que ela foi lá ele disse a ela, ‘Agora só está faltando um dedo e apenas porque você é minha mãe... quero lhe avisar que se você vier outra vez você não voltará mais. Preciso desesperadamente de um dedo. Até agora não lhe matei porque outras pessoas estavam disponíveis, mas agora ninguém mais passa por essa estrada exceto você. Então quero que você saiba que da próxima vez, se você vir, será sua responsabilidade, não minha’. Desde àquela hora a mãe dele não veio mais”.

Os guardas disseram a Buda, “Não corra desnecessariamente o risco”. E vocês sabem o que Buda disse a eles? “Se eu não for então quem irá? Só duas coisas são possíveis: Ou eu conseguirei mudá-lo, e não posso perder esse desafio; ou irei provê-lo com mais um dedo para que o desejo dele seja realizado. De qualquer maneira irei morrer algum dia. Dar minha cabeça para Angulimal será pelo menos de alguma utilidade; do contrário um dia irei morrer e vocês me colocarão na pira funerária. Acho que assim é melhor para realizar o desejo de alguém e lhe dar paz mental. Ou ele irá me matar ou irei matá-lo, mas esse encontro irá acontecer; vocês apenas mostrem o caminho”.

As pessoas que seguiam Gautama Buda, seus companheiros íntimos que estavam sempre competindo para estar mais próximo dele, começaram a se afastar. Logo havia milhas de distância entre Gautama Buda e seus discípulos. Todos eles queriam ver o que acontecia, mas não queriam estar muito perto.

Angulimal estava sentado sobre sua rocha observando. Ele não podia acreditar em seus olhos. Um homem muito bonito de um carisma tão imenso estava vindo em sua direção. Quem seria este homem? Ele nunca tinha ouvido falar de Gautama Buda, Mas mesmo esse coração duro de Angulimal começou a sentir uma certa ternura para com esse homem. Ele parecia tão belo, vindo na direção dele. Era manhã cedo... Uma brisa fresca, e o sol estava surgindo... E os pássaros estavam cantando e as flores se abriam; e Buda estava chegando cada vez mais perto.

Finalmente Angulimal, com sua espada desembainhada em suas mãos, gritou, “Pare!” Gautama Buda estava a alguns metros de distância, e Angulimal disse, “Não dê outro passo porque então a responsabilidade não será minha. Talvez você não saiba quem sou!”.

Buda disse, “Você sabe quem você é?”.

Angulimal disse, “Isso não tem importância. Esse não é o lugar nem a hora para discutir tais coisas. Sua vida está em perigo!”.

Buda disse, “Penso de outra maneira – sua vida é que está em perigo”.

Esse homem disse, “Eu costumava pensar que era louco – você é simplesmente louco. E você continua chegando mais perto. Assim não diga que matei um homem inocente. Você parece tão inocente e tão bonito que quero que você volte. Encontrarei outra pessoa. Posso esperar; não há nenhuma pressa. Se já consegui novecentos e noventa e nove... é somente mais um, mas não me force a matá-lo”.

Buda disse, “Você está absolutamente cego. Você não pode ver uma simples coisa: Eu não estou me movendo na sua direção, você está se movendo na minha direção”.

Angulimal disse, “Isso é pura maluquice! Qualquer um pode ver que você está vindo e eu estou parado sobre minha rocha. Não me movi nem uma polegada”.

Buda disse, “Bobagem! A verdade é, desde o dia que me tornei iluminado não me movi mais nem uma simples polegada. Estou centrado, totalmente centrado, nenhum movimento. E sua mente está continuamente se movendo em círculos... e você tem a coragem de me mandar parar. Pare você! Eu já parei muito tempo atrás”.

Angulimal disse, “Parece que você é impossível, você é incurável. Você está fadado a ser morto. Irei sentir muito, mas que posso fazer? Nunca tinha visto um homem tão doido”.

Buda chegou muito perto, e as mãos de Angulimal estavam tremendo. O homem era tão belo, tão inocente, tão infantil. Ele já estava apaixonado. Ele matou tanta gente... Ele nunca tinha sentido essa fraqueza; ele nunca tinha conhecido o que é amor. Pela primeira vez ele estava cheio de amor. Assim havia uma contradição: a mão estava segurando uma espada para matar a pessoa, e seu coração estava dizendo, “Ponha a espada de volta na bainha”.

Buda disse, “Estou pronto, mas porque suas mãos estão tremendo? – você é um grande guerreiro, até mesmo os reis temem você, e sou apenas um pobre mendigo. Exceto a tigela de esmolas, não tenho mais nada. Você pode me matar, e me sentirei imensamente satisfeito de que pelo menos minha morte realiza o desejo de alguém; minha vida tem sido útil, minha morte também tem sido útil. Mas antes que você corte minha cabeça tenho um pequeno desejo, e acho que você me concederá um pequeno desejo antes de me matar”.

Diante da morte até mesmo o maior inimigo tem boa vontade de realizar qualquer desejo.

Angulimal disse, “O que você deseja?”

Buda disse, “Quero que você apenas corte da árvore um galho que esteja cheio de flores. Nunca mais verei essas flores novamente; quero ver essas flores bem de perto, sentir a fragrância delas e sua beleza nessa manhã ensolarada, a glória delas”.

Então Angulimal cortou com sua espada todo um galho cheio de flores. E antes que ele pudesse dá-lo a Buda, Buda disse, “Isso era somente metade do desejo; a outra metade é, por favor, ponha o galho de volta na árvore”.

Angulimal disse, “Eu achava desde o começo que você era maluco. Agora este é o desejo mais louco. Como é que posso colocar esse galho de volta?”

Buda disse, “Se você não pode criar, você não tem o direito de destruir. Se você não pode dar vida você não tem o direito de dar morte para nenhuma coisa viva”.

Um momento de silêncio e um momento de transformação... A espada caiu de suas mãos. Angulimal jogou-se aos pés de Gautama Buda e disse, “Não sei quem você é, mas quem quer que seja, leve-me para o mesmo espaço onde você se encontra, me inicie”.

Nesse momento os seguidores de Gautama Buda chegaram cada vez mais perto. Vendo que agora Buda estava de pé na frente de Angulimal, não havia nenhum problema, nenhum receio, embora ele precisasse só de um dedo. Eles ficaram ao redor e quando ele caiu aos pés de Buda eles imediatamente se aproximaram. Alguém levantou a questão, “Não inicie esse homem, ele é um assassino. E ele não é um assassino qualquer; ele assassinou novecentos e noventa e nove pessoas, todos inocentes, todos estrangeiros. Eles não fizeram nada de errado a ele. Ele nunca os tinha visto antes!”

Buda disse novamente, “Se eu não iniciá-lo, quem irá fazê-lo? E amo esse homem, amo sua coragem. E posso ver tremendas possibilidades nele: um simples homem lutando contra o mundo inteiro. Quero esse tipo de pessoa, que pode enfrentar o mundo inteiro com uma espada; agora ele irá enfrentar o mundo com uma consciência que é muito mais afiada do que qualquer espada. Eu lhes disse que um assassinato estava para acontecer, mas não tinha certeza de quem iria ser assassinado – Ou eu iria ser assassinado, ou Angulimal. Agora vocês podem ver que Angulimal foi morto. E quem sou eu para julgar?”

Ele iniciou Angulimal.

A questão não é se alguém merece ou não. A questão é se você possui a consciência, a abundância de amor – assim o perdão irá surgir dele espontaneamente. Isso não é um cálculo, isso não é aritmética.

Vida é amor, e viver uma vida de amor é a única vida religiosa, a única vida de oração, paz, a única vida de gratidão, grandeza, esplendor."
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(Osho. The Great Pilgrimage: From Here to Here, chapter 24 )

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