segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Hora do embarque...

Olá Buda! Não tô zen como tu. Mas tô bem. Tô passando pela fase das experiências mundanas. Sabe comé, nem tão esotérica assim. Tem dias que subo ao paraíso e outros pelas paredes. Vim te convidar pra dar um mergulho. Quem sabe a gente volta purificado? É um estalo, um clique ou, se preferir, um cruzado de direta. É isso: um nocaute. Descobri que sou ignorante. Será melhor quando a gente tem certeza da ausência? Sei que a impossibilidade de voltar à cegueira é angustiante, mas também é redentora. Não acha? Não afirmo que sim ou que não. Só pergunto. Me diga: Tu bebe coca-cola aí no nirvana? Foi arrotando que chegou à iluminação? O Big Mac realmente saciou o vazio da vida? Antigamente eu costumava contar o tempo por copas do mundo. Quatro anos parecia uma eternidade. A partir da copa do México, perdi as contas e a paciência. As novelas duram menos. As pilhas duram menos. O espaço. Entre uma aspirina. E outra. Nem se fala. Ouvi dizer que o tempo tá curto porque o planeta tá girando mais rápido. Meu relógio continua fazendo tiquetaque. Se bem que é digital. Mas por falar em tempo, dias, meses, anos, séculos, éons, qual é a diferença? Proporção? Desde que nasci escuto falar em reforma agrária, liberdade, fraternidade. As guerras continuam. Será que nunca iremos sair da tela inicial do videogame? Cheguei à conclusão de que os ponteiros são como repórteres de telejornal: dão informações relativamente corretas e absolutamente falsas. E é por isso que tô te escrevendo hoje. Com essa onda de fim do mundo, gostaria de confirmar a hora do embarque.
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(Marcelo Ferrari)

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