segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Qual seria...

"Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?" (Confúcio)

domingo, 29 de novembro de 2009

Ponto de vista...

"Fim de tarde, um ginecologista aguarda sua ultima paciente que não chega.
Depois de 45 minutos, ele supõe que ela não virá e resolve tomar uma gin tónica para relaxar, antes de voltar para casa.
Ele se instala confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha. A tal paciente, que chega toda sem graça e pede mil desculpas pelo atraso.
- Não tem importância, imagine! - responde o médico.
- Olhe, eu estava tomando uma gin Tonica enquanto a esperava. Quer uma também para relaxar?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele lhe serve um copo, senta-se na sua frente e começam a bater papo.
De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório.
O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- Minha mulher!
Rápido, tire a roupa, deite na cama e abra as pernas, senão ela pode pensar bobagem!"

sábado, 28 de novembro de 2009

Vai passar...

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez."
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(Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Seriedade...

"Não saberemos analisar nossa seriedade com rigor, em alguns momentos, a menos que sejamos divertidos o tempo todo."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Impermanência...


Se você sofre, não é porque as coisas são impermanentes. É porque você crê que as coisas são permanentes. Quando uma flor morre, não sofremos muito, porque entendemos que as flores são impermanentes. Mas você não pode aceitar a impermanência de uma pessoa amada, e sofre profundamente quando ela morre. Se você olhar a impermanência em profundidade, fará o melhor que puder para fazer essa pessoa feliz agora. Consciente da impermanência, você se torna positivo, amoroso e sábio. Impermanência é boa notícia. Sem impermanência nada seria possível. Com impermanência toda porta é aberta para a mudança. Em lugar de lastimar, deveríamos dizer: Longa vida para a impermanência. Impermanência é um instrumento para nossa liberação.
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(Thich Nhat Hanh. Cultivando a Mente de Amor")

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Soneto de indiferença...


"Eu fui teu verso, eu fui a tua lira!
Brinquei, no teu olhar, em trajes de ouro
Tornei-me a carapaça de um besouro

Que – por não mais servir – ele retira!

Levaste à boca o pão que eu repartira
Com as mãos que te ofertaram meu tesouro
Meteste, entre os meus dedos, mau agouro

Sou hoje o teu reverso, outra mentira!

Mas posso asseverar que não me importa
Fertilizar a terra pr’outra horta
E ver arrebentarem-lhe as raízes

Eis o que faço e tu jamais o fazes
De minha parte eu fiz, com a vida, as pazes
Enquanto és inimigo, mas não dizes!"
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(Clarrissa Yemisi)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Identidade...

"Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço"

(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Entrega...

"Entenda, a vida tem me embalado de um jeito tão único que só encontrei meus passos com total entrega.
Quando desando, sei bem o que quero... mas não sei se posso.
Não quero licença para ser feliz.
Não mais."
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(Cecília Braga)

domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Palmares...



"A cultura e o folclore são meus
Mas os livros foi você quem escreveu
Quem garante que palmares se entregou
Quem garante que Zumbi você matou
Perseguidos sem direitos nem escolas
Como podiam registrar as suas glórias
Nossa memória foi contada por vocês
E é julgada verdadeira como a própria lei
Por isso temos registrados em toda história
Uma mísera parte de nossas vitórias
É por isso que não temos sopa na colher
E sim anjinhos pra dizer que o lado mal é o candomblé
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A influência dos homens bons deixou a todos ver
Que omissão total ou não
Deixa os seus valores longe de você
Então despreza a flor zulu
Sonha em ser pop na zona sul
Por favor não entenda assim
Procure o seu valor ou será o seu fim
Por isso corre pelo mundo sem jamais se encontrar
Procura as vias do passado no espelho mas não vê
E apesar de ter criado o toque do agogô
Fica de fora dos cordões do carnaval de salvador
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não"
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(Natiruts)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Guia...

"Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me pegou pela mão e me levou. O medo leva-me ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado".
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(Clarice Lispector)
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"Por ter a coragem de trazer a luz da consciência aos lugares dolorosos em sua psique, um milagre acontece. Este ato instiga uma cura, um processo criativo que é bem mais rico do que o que você barganhou. Ela abre as profundidades não nebulosas da aventura interior. Persista com coragem.

A vida mais atenção-consciente... então a felicidade surge, porque na consciência, na luz da consciência, a escuridão do ego desaparece."
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(Osho. The Pathless Path,Vol. 1, Capítulo 1)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desassossego...

“Foi no livro A caverna, de José Saramago, que o personagem Cipriano Algor definiu seu genro Marçal como um homem ´da raça dos desassossegados de nascença´. Logo pensei ao ler, ´eu também sou´, assim como você deve estar pensando, ´me inclua nessa´. À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos. Bem, desde que tenhamos duas características: a inquietação (que nos torna insuportavelmente exigentes conosco) e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, esse adversário implacável.

Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constantemente, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.

Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.

Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.

Desassossegados não podem mais ver o telejornal porque choram, não podem mais sair às ruas porque tremem, não podem mais aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, madrugadas e no silêncio dos bueiros.

Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando sua abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente. Desassossegados tem insônia e são gentis, as verdades imutáveis os incomodam, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com a idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente. Dessa raça, somos todos, eu sou e só sossego quando me aceito."
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(Martha Medeiros)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Máxima 25...

Precisamos tentar chegar ao ponto de ver o que possuímos exatamente com os mesmos olhos com que veríamos tal posse se ela nos fosse arrancada. Quer se trate de uma propriedade, de saúde, de amigos, de amantes, de esposa e de filhos, em geral percebemos seu valor apenas depois da perda. Se chegarmos a isso, em primeiro lugar a posse haverá de nos trazer imediatamente mais felicidade; em segundo lugar, tentaremos de todas as maneiras evitar a perda, não expondo nossa propriedade a nenhum perigo, não irritando os amigos, não pondo à prova a fidelidade das esposas, cuidando da saúde das crianças, etc. Ao olharmos para tudo o que não possuímos, costumamos pensar: "Como seria se fosse meu?", e dessa maneira nos tornamos conscientes da privação. Em vez disso, diante do que possuímos, deveríamos pensar frequentemente: "Como seria se eu o perdesse?"
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(Schopenhauer)

sábado, 14 de novembro de 2009

Outra coisa...

Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.
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(Luis Fernando Veríssimo)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Abismo...

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não se tornar também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."
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(Nietzsche)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Resposta...

Certa vez um homem interrogou o rabino Joshua Bem Karechah:
"Por que Deus escolheu um espinhal para falar com Moisés?"
O rabino respondeu:
"Se ele tivesse escolhido uma oliveira ou uma amoreira, você teria feito a mesma pergunta. Mas não posso deixá-lo sem uma resposta: por isso digo que Deus escolheu um mísero e pequeno espinhal para ensinar que não há nenhum lugar na terra onde Ele não esteja presente."

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Intuição...

Às vezes, só depois de aprender e estudar alguma coisa é que percebemos que tudo aquilo já estava lá conosco, e que era algo simples, que a gente sempre soube.

Logo que crescemos um pouco e começamos a refletir sobre nós mesmos, a gente percebe que o principal centro de nossas atividades mentais é a cabeça, e que o centro de nossas atividades materiais é o sexo. Assim, ninguém precisa ensinar pra gente que nossa mente, mais precisamente aquele lugarzinho no meio da testa, é a sede de nossas atividades intelectuais e que o sexo é o local que rege nossos desejos mais passionais.

Continuando a nos analisar ao longo do tempo, acabamos percebemos que mossas Emoções se manifestam na garganta, nossos Sentimentos se manifestam no coração e que nosso medo e nossa coragem (ou seja, nosso Instinto) parece existir na região do Estômago.

Cabeça = intelecto
Garganta = emoções
Coração = sentimentos
Estômago = instinto
Sexo = paixões materiais.

Bom, nada disso é novidade, mas se colocarmos uma bata em cada um destes centros e lhes dermos um belo nome em sânscrito, vamos ter aí os famosos chakras principais...

Mas nem sempre somos tão sabidos assim... Muitas vezes, por exemplo, usamos o centro errado para ativar um de nossos maiores poderes - a intuição.

'Intuição' é aquela sensação que, mesmo parecendo ir contra as evidências, nos diz que a coisa não é bem o que parece, e que, segundo ela, seria melhor que fizéssemos tal e tal outra coisa. É como uma certeza interna, que dá vontade de seguir.

A intuição é um binomiozinho composto de um pergunta, ou uma dúvida, e a respectiva resposta, que parece vir "lá de dentro" de nós. E sendo assim, precisa ser decodificada em termos racionais que a gente possa entender.

Contudo, será errado levar a intuição à cabeça, para trabalhá-la. Intuição não é algo que deva ser  racionalizado ou intelectualizado.... Ao sexo, então, nem se fala...

Quem se guia apenas pelo sexo com certeza não vai se dar muito bem, na maioria das coisas.

Bom, deixar-se levar pelo coração, neste caso, também não - quando deixamos os sentimentos interferirem, ficamos meio cegos à verdade. E o mesmo para a garganta, ou emoções: a pior reação, num momento de decisão, é lidarmos emocionalmente com ela.

Assim, por eliminação, sobra o estômago...

Poxa, mas logo o estômago, aquele lugarzinho que nem faria falta, se a gente fosse mais evoluído e vivesse só de luz?

Pois é, mas é exatamente no estômago - a sede do medo e da coragem, a sede dos instintos - é que podemos e devemos trabalhar as intuições.

Experimente só: da próxima vez que tiver uma sensação vaga sobre alguém ou sobre alguma coisa, 'leve' essa sensação conscientemente ao estômago, e trabalhe-a lá... "Apague" os outros centros e tire a resposta do estômago.

E o mesmo serve para o processo da saída do corpo, numa projeção.

Qualquer bruxo de botequim sabe que este é o centro dos 'poderes' paranormais, o motorzinho que gera as energias para ativar as atividades que serão atuadas pelos outros centros... Assim, para gerar um EV, para impor sua vontade de se projetar, sobrepujando o medo, ou mesmo para aliviar a tensão mental e emocional ou a excitação espiritual ou física daquele momento, procure redirecionar as energias para essa região.

Claro que o processo todo começa a nível intelectual (inclusive pela decisão de tentar se projetar), passa pelo emocional, é influenciado pelos sentimentos e é em parte motivado pela excitação. Tudo isso é necessário para estabelecer o processo e para dar-lhe a força e os motivos necessários, em termos de intento, de vontade e de sentido.

Mas no momento em que o processo estiver estabelecido e a coisa for ficando automática, transfira o centro de suas ações para o estômago. Como no caso da intuição, 'apague' os outros centros... e deixe o processo por conta do estômago.

Você vai ver como fica mais fácil.

(Bene)

sábado, 7 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tédio...

O tédio é uma das coisas mais importantes na vida humana. Somente o homem é capaz de tédio; nenhum outro animal é capaz de ficar entediado. O tédio existe somente quando a mente começa a chegar cada vez mais e mais perto da iluminação. O tédio é simplesmente o pólo oposto da iluminação. Os animais não podem tornar-se iluminados, por isso eles não podem tornar-se entediados tampouco. O tédio simplesmente mostra que você está se tornando ciente da futilidade da vida, da constante roda repetitiva. Você já fez todas aquelas coisas antes – nada acontece. Você esteve dentro de todas aquelas viagens antes – não deu em nada. O tédio é a primeira indicação de que uma grande compreensão está surgindo em você, sobre a futilidade, a insignificância, da vida e de seus caminhos.
Ora, você pode responder ao tédio de duas maneiras. Uma é o que é feito comumente: fugir dele, o evitar, não olhar olho no olho dentro dele, não afrontá-lo. Mantenha-o às suas costas; e fuja; fuja para dentro das coisas que possam ocupá-lo, que podem tornar-se obsessões – que o mantenha tão afastado das realidades da vida, que você jamais vê o tédio surgir novamente. Eis porque as pessoas inventaram o álcool, as drogas. São meios de fugir do tédio. Mas você não pode realmente fugir; você pode somente evitar por um tempo. Nova e novamente, o tédio virá, e nova e novamente ele será cada vez mais e mais ruidoso. Você pode fugir no sexo, comendo muito, na música – em mil um uma espécies de coisas você pode fugir. Mas nova e novamente o tédio surgirá. Ele não é algo que possa ser evitado: ele faz parte do crescimento humano. Tem de ser encarado. A outra resposta é encará-lo, meditar nele, ficar com ele, ser ele. Eis o que Buda estava fazendo debaixo da árvore Bodhi – eis o que todo o povo do Zen esteve fazendo através das eras.
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(Osho)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mais ou menos...

A gente pode
morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos,
e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode
Dormir numa cama mais ou menos,
Comer um feijão mais ou menos,
Ter um transporte mais ou menos,
E até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode
Olhar em volta e sentir que está
Tudo mais ou menos.
Tudo bem!

O que a gente não pode
Mesmo, nunca, de jeito nenhum,
É amar mais ou menos,
É sonhar mais ou menos,
É ser amigo mais ou menos,
É namorar mais ou menos,
É ter fé mais ou menos,
É acreditar mais ou menos.

Senão, a gente corre o risco de se tornar
Uma pessoa mais ou menos.

(Chico Xavier)

Segredos...

O mágico nunca conta os seus segredos. O poeta nunca explica uma entrelinha.
(Rita Apoena)

domingo, 1 de novembro de 2009

Poema estrangeiro...

Em terras distantes ou quintais familiares
sempre estrangeiros.
Não nos é dado conhecer profundamente
nem o mais íntimo
que se guarda em nossas sombras.
Tenho dor de estômago
sem motivo algum
e nem sempre tenho apetite
para os sabores apreciáveis,
mas o amargo,
o ardido,
o que queima as entranhas,
é o que pede o corpo
quando não está para doçuras.

(Neuzi Barbarini)