segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pare de brigar...

"A mente está sempre em conflito com uma coisa ou outra; ela precisa de conflito para existir. Ela só consegue existir no conflito e através do conflito. Ela é uma guerra constante, ela é violência. Ou ela briga com os outros ou começa a brigar consigo mesma, mas uma coisa é certa, ela não consegue existir sem briga. Isso é a sua própria respiração.

No momento em que você pára de brigar, a mente começa a desaparecer naturalmente, e o desaparecimento da mente é o aparecimento de Deus. O desaparecimento da mente é o desaparecimento de você enquanto entidade separada do todo. Então o todo toma posse de você, você fica inundado pelo todo.

E essa experiência de estar inundado pelo todo é a busca. Chame isso de satori, samadhi, iluminação, realização, libertação, salvação – estas são somente palavras, elas apenas descrevem aspectos da experiência. Na verdade, nenhuma palavra consegue descrever a experiência, ela está além das palavras!"
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(Osho)

sábado, 29 de agosto de 2009

Paradoxos...



"Por vezes,
adie o prazer. Ou abstenha-se. Por vezes.- No mundo há os que seguem as regras e os que as criam, que são os mesmos que as quebram no momento necessário.- O tempo é a principal variável. E vamos indo, de um fragmento a outro.- Para ter espaço, ocupe espaço.- Não viva para se arrepender, Para confiar, comece tornando-se confiável.- O importante é saber ser feliz sozinho.- Se é inevitável, relaxa e deixa acontecer. mas para fazer valer.-Bom ou ruim, ao menos é.- Se você tem a prática de omitir, se mente, se não é verdadeiro, não tem valores e coragem o bastante para ser transparente, por favor: mantenha distância.- Eu não tenho missão. Tenho uma vida.- Se eu fosse apenas o que pareço ser, não doiria tanto em mim ser.- O que sinto, por quem quer que seja, não é pra ninguém nem por ninguém. É meu, pra mim e por mim. Eu quem sinto, então relaxe.- Não quero salvar o mundo. A não ser esse aqui que eu vivo dia-a-dia.- "Temos todos duas vidas: uma a que sonhamos, outra a que vivemos."- Abdique da coerência e se permita sentir o peso de mudar.- Quando você souber alguma coisa sobre quem você é, aproveite para distanciar-se das pessoas que não combinam com você. Te fará um bem enorme.- faça mais coisas inéditas.- Os discursos são difíceis de serem vividos. Então, perca menos tempo com eles. E contenha-os, se não pode vivê-los.- Cada um tem,Tome mais banho de mar, saia mais pra ver a Lua, minuto a minuto, a opção de como quer levar a vida.-Vamos viver mais nossas vidas e falar menos das dos outros.- Que não seja apenas através da morte que lembremos da vida.- Busque a felicidade, mas viva a felicidade também.- Adie julgamentos.- Preserve a leveza, mesmo sabendo que é insustentável.- O tempo só passa depois de você vivê-lo. - Nada nunca será o que poderia ter sido.- Pense primeiro em você e está nos fazendo um grande bem.- Seja protagonista da sua vida. Entenda que os seus problemas são seus, de mais ninguém. Só cabe a você resolvê-los. (parafraseando o filósofo João Rufino - "O seu problema é problema seu!")- Ninguém será por você. Então seja você.- Quero mesmo é ser incoerente. Não espere coerência de mim, por favor.- A superficialidade rege o mundo, mas não rege você. Então, exercite a subjetividade. Busque a complexidade.- Se está doendo é porque estou crescendo.- "Lei da Impenetrabilidade: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo."- "Terceira Lei de Newton: A toda ação há sempre oposta uma reação igual".- Pré-conceitos existem. Mas que saco ter que tolerá-los!- Maniqueísmo tá ultrapassado. Existe muita coisa além do bem e do mal.- Só existe um problema quando realmente existe um problema. E problema é também oportunidade de solução. Ah, cuidado! As possibilidades ainda não são.- Liberte-se das palavras.- Vale mais a energia em viver que em esquecer.- Fique calmo: não há nada previamente certo nem errado. Haverá sempre um discurso pra te confortar.- “Sempre”, “tudo”, “nunca”, “nada”, “sim” e “não” são apenas advérbios.- Não sei se é a parte que é pelo todo ou se o todo é pela parte. Não sei se é o agora ou o depois. Não sei se é o que penso ou o que sinto. E vamos indo, mediando os paradoxos."
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daqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A pedra...

"Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!
Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!
E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!..."
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(Florbela Espanca)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Crise...

A palavra "crise" em chinês é formado por 2 ideogramas... Um quer dizer "desastre" e o outro "oportunidade". Ainda que nossa língua seja vasta, complexa e cheia de beleza, há outras como o hebraico, o próprio chinês, o sânscrito e o pali, que ocultam segredos em suas entrelinhas que não percebemos.

A vida é riquíssima e cheia de significados, de simbolismos que são apenas extensões de nós mesmos. Cada pessoa ou situação se revestem de significados particulares que nos enlaçam pelo seu peso e conteúdo emocional, espiritual, inconsciente!
O post veio a calhar porque alcança tanta coisa e tanta gente...
... existem tantas possibilidades ao nosso redor que me assombram! E elas, por pequeninas que sejam, tem um propósito muito maior: Que é o de nos tornar conscientes para Aquilo que É!
A dor, a perda, o Amor que nos visitam são linguagens da alma, e tal como Nietzsche, acredito que o Amor é o estado no qual os homens tem mais probabilidades de ver as coisas tal como elas são! .. diante do Agora, tanta dor vinda do passado e tanta ansiedade pela nossa constante projeção do futuro, dissolvem-se!

E eu quero ver! E eu vejo! .. talvez da minha altura eu não vá muito distante! .. mas pra cada um de nós, é suficiente!

Tudo que existe, existe talvez porque outra coisa esteja lá, aqui, existindo também. Nada é, tudo coexiste e, talvez, assim seja certo...

A teia de luz que nos envolvemos ao vir nesta encadernação tende a se tornar mais forte e brilhante! Quanto mais luz em nós, mais iluminamos o caminho do próximo. Por isso tantos mestres e tantos homens e mulheres ao longo da história que compartilharam Amor...

Amor me parece ser o único caminho, mas que se divide em ramos, trechos, dimensões...

O Amor é a chave para o Agora! .. para Aquilo Que É!

Por isso a compreensão é questão do Ser, do coração. E não da cabeça. Se assim não fosse, eu já teria me iluminado por tanta coisa que li, além de, ter me formado em farmácia depois de tantas bulas de remédio que avistei!

E quando a compreensão vem, o problema deixa de ser problema, e é resolvido pela própria compreensão...
A leveza bate a tua porta, a serenidade permanece, mesmo diante da inevitável constância inconstante da Vida.

Compreensão que se torna aguçada por estes mesmos problemas, por recomeços, por trabalhos que vão e vem, por frustrações, por amizade, carinho compartilhado e tantas coisas que encontramos em bons livros, poesias, e na experiência!

Experiência! Experimente uma perspectiva nova. E se abra ao Amor. Sei que parece difícil, e talvez seja por nos fecharmos tanto em nossa carapaça de medo ao querermos nos proteger.

Viver é um ato de semear, Amor é sinônimo. Ao se entregar, ama-se. E vive-se!

Bem vindos ao caminho que sempre foi, mas que novo é, sempre, pra todos nós!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O tempo certo...

De uma coisa podemos ter certeza:
de nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo e aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: Qual é esse tempo certo?

Bom, basta observar os sinais.
Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo.
Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer.
Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa.

Basta você acreditar que nada acontece por acaso. Talvez seja por isso que você esteja
agora lendo estas linhas.
Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais já estão por perto e você nem os notou ainda.
Lembre-se, que o universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.
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(Paulo Coelho)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Perdão...


O que é mais importante: Perdoar ou pedir perdão?
Quem pede perdão mostra que ainda crê no amor... Quem perdoa mostra que ainda existe amor para quem crê...
Mas não importa saber qual das duas coisas é mais importante... É sempre importante saber que: perdoar é o modo mais sublime de crescer, e pedir perdão é o modo mais sublime de se levantar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amor tecer...

"Eu entendi, eu me entendi. Realmente não posso fazer com que me olhem com meus olhos, que me ouçam com meus ouvidos e que me falem com meus desejos, pensamentos.Eu sempre soube que é difícil se colocarem no meu lugar, porque eu já estou nele e não cabe outro, a não ser como generosidade e não como razão. No meu lugar não cabe mais matéria, mais julgamento, só cabe sentimentos que não tenham peso.Tenho que me esforçar pra carregar o que já cansa o que já incomoda. Talvez por isso não consiga aliviar o outro um pouco, ajudar com sua carga. Eu não me orgulho desse egoísmo, ao contrário. Também queria ser para alguém uma delicadeza, um alívio, um agrado, poesia.E é por isso que passo em instantes, do sentimento de despeito à compreensão e percebo que o outro sou eu e vice-versa. Me comovo ao perceber minhas fraquezas e defeitos em alguém que não sou eu. E sei que ninguém vai amar meu desamor, embora eu espere.Mas perceber tudo isso não traz o que ainda falta; só me responsabiliza, transformar a estima por mim mesma em amor para alguém que "não eu".
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(Ana Kátia)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Você trabalha demais...

Você trabalha demais. Até aí, nenhuma novidade. Todo mundo trabalha demais hoje em dia. Outra coisa que todo mundo faz é reclamar do trabalho, do chefe, das condições, do excesso de tarefas, da ansiedade… os temas são tão comuns e recorrentes que se fossem banidos da mesa de jantar, muitas refeições aconteceriam em silêncio.

Muitas das reclamações estão cobertas de razão. Cada vez é mais comum ouvir histórias de abusos e excessos provocados por chefes, clientes, colegas ou fornecedores. Comuns também são as narrativas de problemas políticos, incompreensão, estagnação, redundância, desperdício, falta de propósito ou práticas insanas. Todas essas queixas têm fundamento, e não serei eu quem irá questioná-las.

No entanto, o ambiente de trabalho é, na maioria das cidades, o lugar em que você passará a maior parte do seu tempo, conhecerá boa parte da sua rede de relacionamentos e terá que conviver, queira ou não, mais intensamente com essas pessoas do que com as que realmente importam para você. Como diz a sabedoria popular, os indivíduos mais presentes na vida são aqueles que você não teve como escolher: pais, vizinhos e colegas de trabalho.

Por mais que a reclamação faça sentido, o problema é que falar mal do trabalho se tornou tão comum que parece ideologia: não há trabalho decente, chefe bom é chefe morto, aposentadoria implica necessariamente em parar de trabalhar e quem gosta do que faz é doente ou alienado.

O trabalho é uma relação, por isso deve ser encarado como jogo, não como conquista. O indivíduo que chamamos de workaholic na verdade não é viciados em trabalho, mas na estrutura artificial que a empresa proporciona a ele. Na maioria das vezes são pessoas de personalidade fraca, que não teriam como se relacionar com os outros em um ambiente social em que todos são iguais. Por
isso se refugiam nas empresas, que, espertas, lhes dão um cargo pomposo no cartão de visitas, propiciam alguns mimos corporativos e demandam do infeliz atitudes sobre-humanas para que possam sustentar seu vício.

Muito diferente deles são aquelas pessoas normais, que simplesmente deram a sorte de se apaixonar pelo que fazem. Tudo o que esses afortunados precisam é de uma boa estrutura para brincar. Se tiverem um ambiente propício, serão produtivos pouco importa seu cargo. Caso contrário, não há dinheiro que compre sua felicidade.

Unanimidades me assustam. Não por serem burras, como dizia Nelson Rodrigues, mas por serem perigosamente emburrecedoras. A partir do instante que criam verdades absolutas, ninguém mais está autorizado a pensar no assunto. Questionar, argumentar ou se opor é praticamente uma heresia. E, como todo sacrilégio em religião fundamentalista, punido com o exílio.

Por mais que seja o trabalho, odiá-lo integralmente pode ser igualmente ruim. Ou pior. Afinal de contas, quem escolheu sua profissão foi você, por pior que ela seja. É claro que algumas condições e escolhas ajudaram a definir o ponto em que você está hoje, mas um fato é inegável: quando você ainda era adolescente alguma coisa “estalou” na sua cabeça e o levou a escolher medicina, engenharia, direito ou, no nosso caso, design e tecnologia.

Qualquer que seja o nome que os psicólogos dêem para esse “estalo”, a realidade é que ele é muito parecido com a atração que sentimos por outras pessoas. Começa com um interesse vago, avança como uma descoberta até chegar a um verdadeiro fascínio. Cada hora que se passa nessa atividade é um novo desafio, nunca fácil demais nem impossível de se realizar. Com o tempo essa
relação se torna maior e mais forte, até o momento que se chega a um nível tão alto que se é praticamente um mestre.

Os sortudos que chegam a esse estágio têm uma característica comum: a consciência do tamanho da sua ignorância. Mas isso não os incomoda mais. Como os sábios religiosos, filósofos, artistas, jardineiros ou mestres deartes marciais, eles sabem que o caminho para se chegar ao conhecimento é tão ou mais importante que o próprio conhecimento. A partir daí eles não se
preocupam mais em doutrinar, controlar ou dirigir. Eles simplesmente fluem, como um barco em um rio.

Antes que este texto fique filosófico demais, fica aqui a recomendação: tente descobrir o que restou de paixão no seu trabalho diário, aquilo que, há alguns anos, você não imaginaria ser capaz de fazer. Todo mundo tem isso, nem que seja um pouco. Concentre-se no que você gosta e deixe o resto do mundo se resolver (ou se aniquilar). Se não tiver sobrado nada, troque de emprego ou atividade: você, certamente, trabalha demais.
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(Luli Radfahrer)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Impermanência...

O homem maltrapilho se aproximou do portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas o avistou entrando, por isso, passou direto e entrou no palácio.
Lá encontrou o Rei solenemente sentado em seu trono. Era tarde da noite...
- O que desejas? Perguntou o Rei.
- Eu gostaria de um lugar nesta hospedaria. Estou cansado da caminhada longa...
- Mas isto aqui não é uma hospedaria. - disse o Rei se divertindo - Este é o MEU palácio!
- Pergunto então a quem pertenceu este palácio antes de vós
- Meu pai. Ele está morto!
- E a quem pertenceu antes dele?
- A meu avô. - responde intrigado - e ele também está morto!
- Imagino que você também não viverá para sempre! Seus filhos também dirão o mesmo que vós.. então sendo que todos aqueles que aqui passaram, partem, diga-me... tal lugar não é uma hospedaria?

sábado, 15 de agosto de 2009

Provérbio Árabe...

Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.
(Provérbio Árabe)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Leve com você...

Você é responsável...

A mente ordinária sempre lança a responsabilidade em outro alguém. É sempre o outro que está lhe fazendo sofrer. Sua esposa está lhe causando sofrimento, seu marido está lhe fazendo sofrer, seus pais estão lhe fazendo sofrer, seus filhos estão lhe fazendo sofrer, ou o sistema financeiro da sociedade, capitalismo, comunismo, fascismo, a ideologia política prevalente, a estrutura social, ou o destino, carma, Deus... você nomeia!

As pessoas têm milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que voc diz que outra pessoa – X,Y,Z – está lhe causando sofrimento, assim você não pode fazer nada para mudar isso. O que você pode fazer? Quando a sociedade muda e o comunismo chega e há um mundo sem classes, então todos serão felizes. Antes disso, não é possível. Como é que você pode ser feliz numa sociedade pobre? E como você pode ser feliz numa sociedade que é dominada pelos capitalistas? Como você pode ser feliz com uma sociedade que é burocrática? Como você pode ser feliz com uma sociedade que não lhe permite liberdade?

Desculpas e mais desculpas – desculpas apenas evitam um insight que ”Sou responsável por mim mesmo. Ninguém mais é responsável por mim; é absolutamente e totalmente minha responsabilidade. O que quer que eu seja, sou minha própria criação”. Esse é o significado do sutra.

Conduza toda a culpa para um.

E esse um é você.
Uma vez que esse insight se estabelece:

Sou responsável por minha vida – por todo meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e está acontecendo a mim – Eu escolhi esse caminho; essas são as sementes que eu semeei e agora estou colhendo a safra; sou responsável – uma vez que esse insight se torna um entendimento natural em você, então tudo mais é simples. Assim a vida começa a dar uma nova reviravolta. Começa a se mover numa nova dimensão. Essa dimensão é conversão, revolução, mutação – porque uma vez que sei que sou responsável, também sei que posso abandonar isso a qualquer momento que decida fazê-lo. Ninguém pode me impedir de abandonar isso.

Pode alguém lhe impedir abandonar sua miséria, de transformar sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na prisão, acorrentado, preso, ninguém pode prender VOCÊ; sua alma ainda permanece livre. É claro, você fica numa situação muito limitada, mas mesmo nessa situação limitada você pode cantar uma canção. Você pode ou derramar lágrimas de desamparo ou pode cantar uma canção. Mesmo com correntes em seus pés você pode dançar; então até mesmo o som das correntes terá uma melodia nela.

Próximo sutra: Seja grato a todos.

Atisha é realmente muito científico. Primeiro ele diz: Tome toda a responsabilidade sobre si mesmo. Segundamente ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém mais é responsável pela sua miséria exceto você – se a miséria é toda seu próprio fazer, então o que resta?

Seja agradecido com todos.

Porque todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que acham que estão lhe obstruindo, mesmo aqueles que você pensa que são seus inimigos. Seus amigos, seus inimigos, boas e más pessoas, circunstancias favoráveis, circunstancias desfavoráveis – tudo isso junto está criando o contexto no qual você pode ser transformado e tornar-se um Buddha. Seja agradecido a todos – àqueles que lhe ajudaram, àqueles que lhe obstruíram, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, porque todos juntos estão criando o contexto no qual Buddhas nascem, no qual você pode se tornar um Buddha.

(Osho, Extraído de: Book of Wisdom, Chapter 5)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pode Agradecer...


Sufoquei, não deixei você sair sem mim
Vigiei só para garantir,
Infernizei, controlei cada segundo
Liguei só pra verificar

Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
Afastei amigos
Ameacei violência apaguei o seu passado
Odiei não estar lá

Mas amei você...amei você
Mas amei você...yeah, yeah
Mas amei você...amei você
Mas amei você...pode agradecer

Quebrei presentes sabe-se lá de quem
Rasguei fotos sei muito bem de quem
Queimei cartas que não escrevi, não
Não deixei, proibi, não permiti
Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
Evitei que seu brilho ofuscasse o meu

Mas amei você...amei você
Mas amei você...yeah, yeah
Mas amei você...amei você
Mas amei você...pode agradecer

Chantageei e até chorei
Pena e medo sempre boas coleiras
Enrolei, explorei e até chifrei
Pequenas besteiras...

Te marquei feito um gado, fui seu dono
E tranquei, castiguei, vampirizei
Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento

Mas amei você...amei você
Mas amei você...yeah, yeah
Mas amei você...amei você
Mas amei você...pode agradecer

(Jay Vaquer)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Pecado & Unidade...

"Não há pecado em Deus, a não ser que consideremos pecado dar o sol algo de sua luz a uma vela. Nem há pecado no homem, a não ser que consideremos pecado queimar-se uma vela inteiramente no sol e assim juntar-se ao sol. Há, porém, pecado na vela que se recusa a ceder sua luz e, quando se aplica o fósforo a seu pavio, amaldiçoa o fósforo e a mão que o segura. Há pecado na vela que tem vergonha de queimar-se no sol e, por isso, oculta-se do sol.

O homem não pecou por desobedecer à Lei, mas por querer encobrir sua ignorância da Lei. Sim, há pecado no avental de folha de figueira. Não leste a história da queda do homem, tão simples e ingênua nas palavras, porém tão sublime e sutil em seu significado? Não lestes como o homem, recém-nascido - passivo, inerte, não-criador? Isto porque, embora dotado de todos os atributos da divindade, era, como todos os recém-nascidos, incapaz de conhecer e de exercitar suas infinitas capacidades e talentos.

Como uma semente solitária encerrada em belíssimo frasco, achava-se o homem no Jardim do Éden. O homem, porém, não possuía solo algum que lhe fosse análogo onde pudesse plantar-se e brotar. A semente, encerrada em um frasco, permanecerá semente, e jamais as maravilhas que nela se acham encerradas debaixo da casca serão estimuladas para a vida e a luz, a não ser que seja escondida em um solo análogo a sua natureza e que a casca seja rompida. Era
uma face que jamais encontrara outra face na qual pudesse refletir-se. Era um ouvido humano que jamais ouvira oura voz humana. Era uma voz humana que jamais tivera eco em outra voz humana. Era um coração que batia solitário.

Solitário - tão inteiramente solitário - encontrava-se o homem, em meio a um mundo bem aparelhado e lançado a seu destino. Era um estranho para si mesmo; não tinha trabalho a executar nem plano a seguir. O Éden, para ele, era o que é para o recém-nascido um berço confortável - um estado de bem-aventurança passiva; uma incubadeira bem aparelhada. A árvore do conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida estavam, ambas, a seu alcance; ele, porém, não estendia a mão para colher e provar de seus frutos, pois seu paladar, seus pensamentos, seus desejos e até mesmo sua vida estavam todos encerrados nele mesmo, esperando para serem vagarosamente libertados. E ele, por si mesmo, não podia libertá-los. Conseqüentemente, fez-se com que ele produzisse um auxiliar para si - uma mão que o ajudasse a desatar seus muitos envoltórios.

Onde melhor se poderia obter seu auxílio senão em seu próprio ser, tão rico devido a sua alta potência em divindade? Isto é muito significativo. Eva não é novo pó nem novo alento; mas o mesmo pó e o mesmo alento de Adão - ossos de seus ossos e carne de sua carne. Não surge outra criatura em cena; mas o mesmo Adão solitário é duplicado - um Adão masculino e um Adão feminino.

Assim o aço, sem faíscas, encontra o sílex que o fará emitir faíscas em abundância. Assim a vela, que não havia sido acesa, é acesa em ambas as pontas. Uma é a vela, um é o pavio, e uma é a luz, embora venha de ambas as pontas. Assim, a semente no frasco encontra o solo onde pode germinar e revelar seus mistérios. Assim, a unidade, inconsciente de si mesma, gerou a dualidade, para que por meio da fricção e da oposição da dualidade, possa compreender sua unidade. Nisto também o homem é a fiel imagem e semelhança de Deus, pois Deus - a Consciência Original - projeta de si a Palavra, e tanto a Palavra como a Consciência são unificadas na Sagrada Compreensão.
Não é um castigo a dualidade, mas um processo inerente à natureza da unidade e necessário para o desenvolvimento de sua divindade. Como é infantil pensar de outro modo! Como é infantil acreditar que um processo tão maravilhoso possa terminar seu curso em três vintenas de anos mais dez, ou mesmo em três vintenas de milhões de anos!

É tão pouco importante assim tornar-se um deus?

Será Deus um amo assim tão cruel e miserável que, tendo toda a eternidade para presentear, não concedesse ao homem mais do que o pequenino espaço de tempo de setenta anos para que este se unificasse e readquirisse o Éden, inteiramente consciente de sua divindade e de sua unidade com Deus? Longo é o curso da dualidade, e tolos são os que o medem com calendários. A eternidade não mede a revolução das estrelas.

Qual foi o primeiro ato de Adão depois de tornar-se dual? Foi comer da árvore do conhecimento do bem e do mal e, desse modo, fazer todo este mundo dual como ele. As coisas deixaram de ser como haviam sido - inocentes e indiferentes. Estas tornaram-se boas ou más, úteis ou prejudiciais, agradáveis ou desagradáveis; tornaram-se dois campos opostos, ao passo que antes era um. E a serpente que enganou Eva, para que provasse o bem e o mal,
não era a profunda voz ativa, embora inexperiente, da dualidade, estimulando-se para a ação e a experiência? De modo algum é de admirar-se que Eva fosse a primeira a ouvir essa voz e a obedecer. Eva era como se fosse a pedra de afiar, o instrumento destinado a tornar manifestos os poderes latentes de seu companheiro. Não estivestes vós, já muitas vezes, a imaginar Eva caminhando furtivamente, por entre as árvores do Éden, com os nervos à flor
da pele, com os olhos a procurar por todos os lados se alguém a estava observando, com água na boca e mão trêmula estendida para a fruta tentadora?
Não tendes desejado, de todo o coração, que Deus paralisasse a audácia louca de Eva, aparecendo-lhe no momento exato em que ela estava para cometer aquela ação estouvada, e não depois, como ele faz na lenda? E tendo ela cometido aquele ato, não tendes desejado que Adão tivesse a sabedoria e a coragem de abster-se de tornar-se seu cúmplice?

No entanto, nem Deus interveio, nem Adão se absteve. Isto porque Deus não queria que sua semelhança se lhe tornasse dessemelhante. Era sua vontade e seu plano que o homem caminhasse o longo caminho da dualidade a fim de desenvolver sua própria vontade, planejar e unificar-se pela Compreensão.
Quanto a Adão, ele não poderia, mesmo que quisesse, rejeitar o fruto que lhe era oferecido por sua esposa. Era-lhe obrigatório comê-lo, simplesmente porque sua esposa havia comido dele, pois ambos eram uma carne, e cada qual era responsável pelos atos do outro. Indignou-se e irou-se Deus porque o homem comeu o fruto do bem e do mal? Deus o proibira. E o fez porque sabia que o homem não podia deixar de comer, e ele queria que o homem comesse; queria também que o homem soubesse antecipadamente as conseqüências de comê-
lo e tivesse coragem de arcar com tais conseqüências. E o homem teve coragem. E o homem comeu. E o homem arcou com a conseqüência.

A conseqüência foi a morte. Ao tornar-se ativamente dual pela vontade de Deus, morreu daí em diante para a unidade passiva. Logo, a morte não é um castigo, mas uma fase na vida inerente à dualidade. A natureza da dualidade é tornar todas as coisas duais e dar a tudo uma sombra. Assim Adão gerou sua sombra em Eva, e ambos geraram, para sua vida, uma sombra chamada morte; mas Adão e Eva, embora sombreados pela morte, continuam a ter uma vida sem sombras na vida de Deus. A dualidade é uma fricção constante; e a fricção dá a ilusão de duas superfícies que se opõem, inclinadas à autodestruição. Em verdade, os opostos aparentes estão completando-se, preenchendo-se e trabalhando de mãos dadas por um só objetivo - a paz perfeita, a unidade e o equilíbrio da Sagrada Compreensão. A ilusão, porém, está enraizada nos sentidos e persiste enquanto estes persistem.

Eis por que Adão respondeu a Deus, quando Deus o chamou, depois de seus olhos terem sido abertos: "Eu ouvi tua voz soar no jardim, e eu temi, porque eu estava nu, e eu escondi-me". Como também: "A mulher que me deste por companheira, ela deu-me do fruto da árvore, e eu comi". Eva não era mais do que carne e ossos de Adão. Pensai, porém, neste novo eu de Adão, o qual, depois de seus olhos terem sido abertos, principiou a ver-se como algo diferente, separado e independente de Eva, de Deus e de toda a criação de Deus.

Este eu era uma ilusão. Uma ilusão dos olhos recém-abertos era esta personalidade desligada de Deus. Não tinha substância nem realidade. Havia sido criada para que, após sua morte, o homem pudesse conhecer seu ser real, que é o ser de Deus. Este eu falso desaparecerá quando os olhos externos apagarem-se e o olho interno for iluminado. Embora isto deixasse Adão
confuso, servia para estimular-lhe a mente e espicaçar-lhe a imaginação. Ter um eu que se possa considerar inteiramente pessoal - isso é verdadeiramente muito lisonjeiro e tentador para o homem que não é consciente de nenhum eu.
E Adão foi tentado e lisonjeado por seu eu ilusório. Embora estivesse envergonhado dele, por ser muito irreal, ou muito nu, dele não queria separar-se; ao contrário, agarrava-se a ele de todo o coração e com toda a sua engenhosidade recém-nascida. Por isso costurou folhas de figueira e fez para si um avental, com que escondesse a nudez de sua personalidade, tentando conservar-se oculto da vista onipotente de Deus.

(...)

Que são as artes e a instrução do homem, senão folhas de figueira? Seus impérios, nações, segregações raciais e religiões, não são cultos de adoração à folha de figueira? Seus códigos de certo e errado, de honra e desonra, de justiça e injustiça; seu avaliar o inavaliável, e medir o imensurável, e padronizar o que está além do padronizável - não é tudo isso remendar a já ultra-remendada tanga? Sua avidez pelos prazeres que estão pejados de sofrimento; sua ambição pelas riquezas que empobrecem; sua sede pela maestria que subjuga; sua cobiça pela grandeza que achincalha - não são todas essas coisas aventais de folhas de
figueira?

Nesta corrida patética para cobrir sua nudez, o homem vestiu um grande número de aventais que, no correr dos anos, agarraram-se-lhe fortemente à pele que ele já não distingue os aventais da pele. E o homem sente-se sufocado, e clama por quem o liberte de tantas peles. No entanto, em seu delírio, o homem tudo faz para ser libertado de sua carga, menos a única
coisa que em verdade pode aliviá-lo de sua carga, que seria atirar fora essa carga. Ele quer libertar-se de sua carga e agarra-se a ela com todas as suas forças. Deseja estar nu e, no entanto, mantém-se completamente vestido.

"Eis-nos aqui, Deus - nossa alma, nosso ser, nosso único eu. Envergonhados, medrosos e sofrendo dores, caminhamos pela áspera e tortuosa vereda do bem e do mal, que tu nos apontastes na aurora do tempo. A grande nostalgia apressou nossos passos, e a fé sustentou nosso coração, e agora a Compreensão libertou-nos de nossas cargas, curou nossas feridas e trouxe-nos de volta a tua santa presença, nus do bem e do mal, da vida e da morte; nus de todas as ilusões da dualidade, nus exceto do manto de vosso ser, que tudo envolve. Sem folhas de figueira para esconder nossa nudez, aqui estamos diante de ti, livres da vergonha, iluminados e sem temor. Vede, estamos unificados. Vede, nós vencemos".

E Deus vos abraçará, com infinito amor, e vos levará diretamente a sua árvore da vida.

Assim ensinei eu a Noé.

Assim agora eu vos ensino".

(O livro de Mirdad)
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"De Tao veio o Um.
Do Um veio o Dois.
Do Dois veio o Três.
E o Três gerou os Muitos.
Toda a vida surgiu da Treva
E demanda a Luz.
A essência da vida engendra
A harmonia das duas forças.
Nenhum homem quer ser solitário
Abandonado e insignificante.
Reis e príncipes se dizem ser assim
Porque sabem do mistério:
Que o inconspícuo será exaltado
E o importante decairá.
Por isto, ensino também eu
O que outros ensinavam:
Quem age egoicamente
Está morto
Antes de morrer.
É este o ponto de partida da minha filosofia."
(Tao Te Ching)

Versos Áureos...

“Verás que a Natureza — o Céu há de mostrar-te —
É em tudo semelhante e a mesma em toda a parte.
Conhecendo-te a ti, senhor do teu direito,
Vibrarás sem paixão teu coração no peito.

Homem, verás que são frutos próprios do homem,
A mágoa que atormenta e os males que o consomem;
Porque a origem do prazer, a fonte da ventura
Que em si mesmo possui, além de si procura.

Bem poucos sabem ser felizes;
Compelidos pelos desejos maus, joguetes dos sentidos,
Como baixel em mar sem fim, por entre pegos,
Assim os homens vão desnorteados e cegos.

Deuses! Quisésseis Vós valer-lhes de onde estais!
Mas, não: Homem, teu ser provém dos Imortais.”

(Versos Áureos de Pitágoras)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pessoa...

“Se pensarmos pequeno...
coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor
o melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo
e não do tamanho da minha altura.”

(Fernando Pessoa)

domingo, 9 de agosto de 2009

Qualquer coisa...

"Qualquer coisa que você sinta bem é boa, qualquer coisa que você sinta que é bonita é bonita, e qualquer coisa que o faça alegre, deliciando-se, é verdade. Deixe que este seja seu único critério. Não se importe com as opiniões alheias."
(Osho)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

2 ou 3 minutos...

"Quanto mais vou sabendo de ti, mais gostaria que ainda estivesses viva. Só dois ou três minutos: o suficiente para te matar".

(Miguel E. Cardoso)

Amor de pessoa...

"Não minta para mim, eu descubro
Não tente me enganar, porque eu percebo
Não apronte, porque eu me vingo
Fora isto, sou um amor de pessoa!!!"

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Elogio ao Amor...

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banancides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.

A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.

Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

(Miguel Esteves Cardoso)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Paraiso...

"Cada homem leva consigo na claridade de seu rosto o contorno de seu próprio paraíso"
(Rabi Nachman de Bratzlav)

sábado, 1 de agosto de 2009

Inocência...

"O encontro estava marcado para as 15 horas, horário do recreio.
Ela de fitinha rosa nas madeixas loiras, camisa branca de botão e saia azul do uniforme escolar, lancheira do New Kids On The Block e Melissinha.
Ele com seu cabelo ruivo escorrido e penteado para o lado, óculos de aro redondo, uniforme limpinho, sardas e uma sacolinha na mão.
Quando o viu se aproximando, ficou ansiosa. Ele, por sua vez, tinha as pernas trêmulas.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto da garota, enquanto ele mal a olhava nos olhos.
Aproximou-se, cumprimentando-a timidamente com uma das mãos levantadas.
Ela estava linda. Uma bonequinha, um verdadeiro sonho com aquelas bochechas rosadas e um sorriso encantador.
- Achei que você não ia vir.
- Por quê? Que bobo...
- Ah, sei lá.
Ela ficou tímida e ele mais ainda.
- Trouxe isso pra você – ele falou, tirando de dentro da sacolinha um lanche Mirabel.
- É de chocolate? – seus olhos brilharam.
- Não... – ele titubeou – é de morango... tem problema?
Ela pensou um pouco.
- Claro que não, eu gosto de chocolate e também gosto de morango.
Ele sentiu-se aliviado e parecia caminhar nas nuvens quando a viu pegando o pacote de biscoito para guardar na lancheira.
- Obrigada.
- Se você quiser, posso te trazer um Mirabel de chocolate amanhã...
- Jura?
- Sim, juro.
- Eu quero!
- Tá bom, eu trago.
Silêncio. Constrangimento no ar pela falta de assunto.
Ele pensou, pensou e, então, encheu-se de coragem.
- Posso te dar um beijo?
Ela corou. Ficou em silêncio. Então sorriu de leve, charmosinha.
- Por que você quer me beijar?
Ele não sabia o que dizer. Não sabia como falar que aquele beijo era um gesto de carinho, que a achava uma menina muito legal, doce, meiga... Simplesmente não sabia como dizer isso. E não disse.
- O Alexandre falou que beijou seu rosto na semana passada, então eu também queria um beijo seu...
O semblante dela se transformou. De anjinha a diaba em segundos. Com o olhar, fuzilou o garoto, que não sabia o que fazer pra reparar a bobagem.
Ainda tentou falar algo, mas as palavras não lhe vieram.
O que veio foi um tapa. No rosto. Fraco, mas forte o suficiente para disparar seu coração de garoto inocente.
Ele a viu sair em passos largos e furiosos.
Lá se foi sua menina, seu beijo e seu Mirabel.
Ao ajeitar seus óculos, começou a descobrir o quanto as mulheres são misteriosas e absurdamente tentadoras.
E tinha certeza, sabe-se lá como, mas tinha, que amanhã ela estaria ali, novamente, esperando pelo Mirabel de chocolate."
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(Nelson Botter Jr.)