quarta-feira, 29 de abril de 2009

Questionando a busca...

Um discípulo perguntou a Firoz:
"A simples presença de um mestre faz com que todo tipo de curioso se aproxime, até para descobrir algo do que se beneficiar. Isto não pode ser prejudicial e negativo? Isto não pode desviar o mestre do caminho, ou fazer com que sofra, pois não conseguiu ensinar o que queria?
Firoz, o mestre sufi, respondeu:
"A visão de um abacateiro carregado de frutas desperta o apetite de todos os que passam por perto. Se alguém deseja saciar sua fome além da sua capacidade, termina comendo mais abacates do que o necessário e passa mal.
Entretanto, isto não causa nenhum tipo de indigestão ao dono do abacateiro."
"O mesmo se passa com a busca. O caminho precisa estar aberto para todos, mas Deus se encarrega de colocar os limites de cada um."

terça-feira, 28 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Ilha de um homem só.

Que meu momento presente seja a confirmação de todas as escolhas feitas e desfeitas de outrora. Inclusive as que escolhi não fazer...
Uma ilha reflete a ilusão por estar só na superfície. Ao mergulhar, percebe-se que ela é una com toda a terra.
O homem só, anda acompanhado...
O homem só, é na verdade, muitos...
Como pode se reconhecer, sozinho, quando apenas com o outro ele se expressa?
Quando sozinho, não há medida e não há além?
A semente em si, não cresce só.
Pois.. Gratidão é tema de dois; partilha também.
Comunhão é tema de Um. Amor também. O dois que se torna Um.
Que o ciclo que se recicla, seja mais seu..
Que o nosso caminho, seja de encontros e reencontros, cobertos pelas bençãos por nós merecidas!
Que o novo nos brinde com harmonia, consciência e inevitável crescimento...
O que desejo a mim, desejo a você..
E aquilo a mim desejado, multiplicado seja, colorindo nosso arredor.
.. pois sem a prosperidade e a felicidade do outro, como posso eu ser feliz também?
Por isso quero o mais belo, o mais sonoro, o mais carinhoso e intenso.. em tua vida!
A minha será apenas consequência! E saiba que a Ilha, é continente!


“Toda humanidade é um só volume.
Quando alguém morre, seu capítulo não é rasgado, mas traduzido para uma linguagem melhor… nenhum homem é uma ilha, inteiro em si“ (John Donne)

sábado, 25 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Livro do autoconhecimento humano...

"sofremos até a página sete
amamos o próximo até a página três
temos certeza absoluta até a página dois
gostamos de peixe cru até a página nove
achamos a Julia Roberts bonita até a página cinco
conversamos como adultos até a página seis
pensamos na camada de ozônio até a página oito
acreditamos no ser humano até a página um
aceitamos o mundo como ele é até a página quatro
mas julgamos
julgamos sempre
pela capa."
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(Marcelo Ferrari)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Namoro...

O melhor do namoro, claro, é o ridículo. Vocês dois no telefone:
- Desliga você.
- Não, desliga você.
- Você.
- Você.
- Então vamos desligar juntos.
- Tá. Conta até três.
- Um... Dois... Dois e meio...
Ridículo agora, porque na hora não era não. Na hora nem os apelidos secretos que vocês tinham um para o outro, lembra? Eram ridículos. Ronron, Suzuca, Alcizanzão, Surusuzuca, Gongonha (Gongonha!), Mamosa, Purupupuca...
Não havia coisa melhor do que passar tardes inteiras num sofá, olho no olho, dizendo:
- As dondonzeira ama os dondonzeiro?
- Ama.
- Mas os dondonzeiro ama as dondonzeira mais do que as dondonzeira ama os dondonzeiro.
- Na-na-não. As dondonzeira ama os dondonzeiro mais do que, etc.
E, entremeando o diálogo, longos beijos, profundos beijos, beijos mais do que de línguas, beijos de amídalas, beijos catetéricos. Tardes inteiras. Confesse: ridículo só porque nunca mais.
Depois do ridículo, o melhor do namoro são as brigas. Quem diz que nunca, como quem não quer nada, arquitetou um encontro casual com a ex ou o ex só para ver se ela ou ele está com alguém, ou para fingir que não vê, ou para ver e ignorar, ou para dar um abano amistoso querendo dizer que ela ou ele agora significa tão pouco que podem até ser amigos, está mentindo. Ah, está mentindo.
E melhor do que as brigas são as reconciliações. Beijos ainda mais profundos, apelidos ainda mais lamentáveis, vistos de longe. A gente brigava mesmo era para se reconciliar depois, lembra? Oito entre dez namorados transam pela primeira vez fazendo as pazes. Não estou inventando. O IBGE tem as estatísticas.
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(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Correio Braziliense.)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Faculdade...

1 - Não importa o quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela.

2 - Você vai mudar completamente e nem vai notar.

3 - Você pode amar várias pessoas de maneiras diferentes.

4 - Alunos de faculdade também jogam aviões de papel durante as aulas.

5 - Se você assistir às aulas calçado, todo mundo vai perguntar por que você foi tão chique para a faculdade.

6 - Cada relógio no prédio mostra um horário diferente.

7 - Se você era inteligente no colegial… azar o seu!

8 - Não importa tudo o que você prometeu quando passou no vestibular, você vai às festas da faculdade, mesmo que sejam na noite anterior à prova final.

9 - Você pode saber toda a matéria e ir mal na prova.

10 - Você pode saber nada da matéria e tirar dez na prova.

11 - A sua casa é um ótimo lugar para se visitar.

12 - A maior parte da educação é adquirida fora das aulas.

13 - Se você nunca bebeu, vai beber.

14 - Se você nunca fumou, vai fumar.

15 - Se você nunca transou, vai transar.

16 - Se você não fizer nada disto durante a faculdade, não fará nunca mais na vida, a não ser que você faça uma nova faculdade.

17 - Você vai se tornar uma daquelas pessoas que seus pais falaram para você não se meter com elas.

18 - Psicologia é, na verdade, biologia.

19 - Biologia é, na verdade química.

20 - Química é, na verdade física.

21 - Física é na verdade matemática.

22 - Ou seja, que mesmo depois de estudar anos, você não vai saber nada.

23 - Que sentir depressão, solidão e tristeza, não são frescuras de quem não tem o que fazer.

24 - Que você sempre vai prometer que no próximo bimestre você vai estudar mais, festejar menos, mas sempre acontecerá o contrário.

25 - As únicas coisas que compensam na faculdade são os amigos que você fará lá.

26 - Não verá a hora de terminar a faculdade.

27 - E quando terminar, perceberá que foi a melhor época de toda a sua vida.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Leite derramado...

— O que aquele terráqueo está fazendo?
— Ele está sofrendo?
— Por que?
— Porque não aceita o que a vida faz.
— E o que a vida faz?
— A vida derruba o copo de leite no chão.
— E adianta chorar o leite derramado?
— Não, não adianta!
— Então, por que continua sofrendo?
— Porque se aceita, a vida ganha.
— Sim, e dai ele vive em paz com a vida!
— Mas os terráqueos não querem viver em paz com a vida.
— Nãããão! O que eles querem, então?
— Querem que a vida viva em paz com eles.
— Impossível! A vida não está sob o controle deles!
— Eu sei! Você sabe! Mas os terráqueos...
— Alguém precisa avisá-los!!!
— É justamente isto que o sofrimento está fazendo.
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(Marcelo Ferrari)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Horóscopo pra mina..

ÁRIES
No momento não pode atender. Favor deixar o recado com o astrólogo mais próximo.
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TOURO
Com esta simpatia, você fortalecerá cada vez mais o relacionamento com um taurino, signo do elemento terra. Numa noite de Lua Cheia, tome banho das 642 ervas orientais previamente preparadas, ouvindo a 3ª faixa do álbum "O ponto G da história" do Wando. Após, faça um desenho expressionista cubista no estilo Juan Pablo Leminski Miró Jr. e mergulhe no mel. É certeiro!
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GÊMEOS
Na novela Duas Caras, Branca diz que Silvia fez tudo de propósito. Ferraço se indigna. Branca diz que Ferraço é o responsável pela filha ter enlouquecido. Diná reencontra Otávio Jordão no meio da rua. Alexandre sai da cadeia. Nazaré joga professora Helena da escada rolante do shopping. Maria Mercedes acusa Jamanta de ter preparado a arapuca. Odete Roitman ressuscita e ameaça Agustinho.
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CÂNCER
A astróloga leva a filha adolescente ao ginecologista. O médico examina a garota.
Astróloga: E aí doutor, é virgem?
Médico: Não, não! É câncer!
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LEÃO
O leão (Panthera leo) é um grande felino, originalmente encontrado na Europa, Ásia e África. Tais felinos possuem coloração variável, entre o amarelo-claro e o marrom-escuro, com as partes inferiores do corpo mais claras, ponta da cauda com um tufo de pelos negros e machos com uma longa juba. Os leões estão muito concentrados atualmente nas savanas reservadas, onde caçam principalmente grandes mamíferos, como antílopes, zebras, búfalos e javalis; entretanto, um grupo pode abater um elefante que esteja só. Também é frequente encontro com hienas, por disputa de território e carcaças.
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VIRGEM
A filha de 10 anos chega em casa e diz a todos:
- Eu não sou virgem. Eu sou uma vaca!
O pai fica nervoso e fala:
- A culpa é da Kátia, sua irmã mais velha, que fica se amassando com seu namorado.
A mãe fala:
- A culpa é do seu pai, que vem aqui e trás suas putas, e ainda se despede na nossa frente! Não somos bobas!
Em meio a discussão, a mãe pergunta a filha:
- Como isso aconteceu?
A garota responde com a voz trêmula:
- A professora me tirou do papel de ser a virgem do presépio e me colocou como a vaquinha.
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LIBRA
Não existe esse lance que o senso comum apregoa: "Influência dos astros" no sentido deles enviarem vibrações para nós. A chave para estas artes está no simbolismo. Os símbolos (numerológicos, astrológicos e tarológicos) nos representam, e não nos influenciam. Eles, por analogia, revelam tendências, facetas, reações, aspirações, oportunidades, desafios e aprendizados. É como um espelho. Lemos no reflexo desses símbolos a nós mesmos e a nosso momento. É como alguém que, entendendo de postura corporal, só de bater o olho em nosso modo de andar, gesticular e se comportar, descrever a nossa personalidade e o nosso momento, de forma limitada.
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ESCORPIÃO
Verdade ou mentira é pergunta no ar
Depois de entrar na mira não há um pra contar
O aviso é fatal, pior que xeque-mate
É o rei do mal, o escorpião escarlate
A noite seu domínio tem o lar no rochedo
Seu paladar sanguíneo até o Diabo tem medo
Só existe um homem pra ruir seu império
Restaurar a ordem e acabar com o mistério..
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SAGITÁRIO
É o nono signo astrológico do zodíaco, situado entre escorpião e capricórnio e associado a constelação de Sagittarius. Seu símbolo é o centauro. Forma com áries e leão a triplicidade dos signos do fogo. Cada elemento é constituido por 3 signos que compõem os 4, totalizando os 12 signos zodiacais. É também um dos 4 signos mutáveis, juntamente com virgem, gêmeos e peixes. Com pequenas variações nas datas dependendo do ano, os sagitarianos são as pessoas nascidas entre 22 de novembro e 21 de dezembro.
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CAPRICÓRNIO
Estamos todos suspensos na cabeça. Este é o nosso único problema. E só há uma solução: descer da cabeça para o coração e todos os problemas desaparecem. Estes são criados pela cabeça. E subitamente tudo fica tão claro e transparente que a pessoa fica surpresa de como ela estava continuamente inventando problemas. Os mistérios permanecem, mas os problemas desaparecem. Mistérios abundam, mas problemas evaporam. E mistérios são lindos. Eles não são para serem solucionados, são para serem vividos.
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AQUÁRIO
Paulo Zulu vai te ligar e dizer que você é a mulher da vida dele e que pode realizar todos os desejos pecaminosos que sempre habitaram seus sonhos mais loucos. Mas você estará no banheiro secando o cabelo e não ouvirá a ligação. Ele nunca mais vai ligar de novo.
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PEIXES
Tempere o peixe com sal, pimenta do reino, limão e reserve; enquanto isso corte a cebola, o tomate, os pimentões em rodelas finas ou grossas e à parte, coloque no copo do liquidificador o molho de tomate, o requeijão de copo e o leite de coco, batendo por mais ou menos 1 minuto. Voilá! Pegue um refratário e disponha primeiro as postas do peixe, coloque por cima as azeitonas, o tomate, a cebola e os pimentões. Por último, cubra com o molho batido no liquidificador. Leve ao forno por aproximadamente 35 min., até o peixe ficar bem macio, a uma temperatura de 220 graus.
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“Minha intenção ao falar sobre astrologia poderia ser mal interpretada. Isso não é como se eu pretendesse falar sobre os mesmos assuntos que são discutidos por um astrólogo comum. Para tal astrólogo você pode pagar uma moeda e ter a sua sorte lida. Talvez você ache que eu vou falar sobre ele ou apoiá-lo.Em nome da astrologia, noventa e nove por cento dos astrólogos somente blefam.Apenas um por cento não irá afirmar dogmaticamente que um evento irá definitivamente acontecer. Eles sabem que astrologia é uma matéria vasta – tão vasta que alguém só pode abordá-la hesitantemente."
Osho, Hidden Mysteries
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Horóscopo pra macho 1, 2 e 3:

Clarice..

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." (Clarice Lispector)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Psicologia de um vencido...

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos pra roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

sábado, 11 de abril de 2009

A vida...

"A vida é mais simples do que a gente pensa;
Basta aceitar o impossível,
dispensar o indispensável
e suportar o intolerável." (Kathleen Norris)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A vida é dukkha...

Gostaria de começar falando sobre alguns enganos que temos a respeito do Dharma do Buda, os quais são muito comuns em todo o mundo ocidental, e mesmo no Oriente. A causa desses enganos tem a ver com palavras e com aquilo que elas significam.
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Hoje, no café da manhã, eu comi bolo. E ontem eu aprendi que existe uma expressão em português: Quando você vai se encontrar com uma pessoa e ela não comparece, diz-se que você "ganhou um bolo". Imaginem que daqui a 500 anos, um arqueólogo encontre um diário de anotações de um brasileiro. Lá é dito: "Eu fui encontrar com Paulo e ganhei um bolo". O tradutor diria que eles comeram um bolo juntos! Esta é a armadilha das palavras, as quais têm um significado para uma época e cultura em particular. O mesmo se dá com alguns dos ensinamentos do Buda.
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Consideremos as Quatro Nobres Verdades, as quais estão no centro do ensinamento do Buda. A tradução usual das Quatro Nobres Verdades é: "A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é o Caminho Óctuplo".
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Isto está correto? De modo algum! Isto não é o que o Buda falou. Este é o problema! Vamos começar com a Primeira Nobre Verdade, que é sempre traduzida como "A vida é sofrimento". Mas que coisa horrível! Veja a vida! É uma força excitante e de grande diversidade, de inacreditável deleite. Por que, então, é traduzido como a vida é sofrimento?
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Vamos examinar a língua em que o Buda falava. O Buda disse, de fato, que a vida é dukkha. Esta palavra sempre é traduzida como sofrimento, mas isso não é de modo algum o que significa. A raiz de dukkha é duk, e significa "eixo". Veja a época do Buda: A forma mais complexa de transporte era uma carroça; era uma carroça de madeira, como é na Índia ainda hoje, com um eixo de madeira unindo duas rodas também de madeira, e puxada por búfalos.
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A palavra dukkha significava o eixo que está fora do prumo, que está fora de alinhamento. Imaginem o sofrimento de uma pessoa sentada nessa carroça, a força que os búfalos devem fazer e, ao invés da carroça seguir suavemente, ela está fora do eixo, desalinhada.
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Então, Buda fala sobre a vida - a vida de todos nós - usando o exemplo da carroça que tem seu eixo fora de alinhamento. Ele diz que nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento. Ele nunca disse que a vida é sofrimento. Este é um ponto muito importante. Nossas vidas estão fora de equilíbrio, ou, como os chineses falariam, não está fluindo junto com o Tao. Ambas as expressões significam a mesma coisa. Esta é a Primeira Nobre Verdade.
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A Segunda Nobre Verdade se refere à razão da vida ser assim, e isso é geralmente traduzido como desejo. Mas nós teríamos uma vida muito estranha se não tivéssemos desejos. Não é o que o Buda falou. A palavra que o Buda usou foi trishna e significa "sede". Nas palavras do próprio Buda isso foi descrito: "É como um homem vagando no deserto por muitos dias, sedento por água". Isso também é a sede do "eu quero" e do "eu não quero", e é por isto que todos nós sofremos.
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O que é este "eu quero" e "eu não quero"? O que isso indica? Significa que não estamos satisfeitos com este momento, "agora". Porque se estivéssemos "aqui" (Rodney bate no chão), não haveria "querer" nem "não querer". Simplesmente haveria este momento, agora. O Buda, utilizando-se deste exemplo, estava dizendo: "Esteja com este momento". O momento em que você quer ou não quer é o momento em que você deixa o agora, o momento presente, e aí, então, isso leva ao sofrimento.
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Então, esse desequilíbrio que temos faz com que nunca estejamos no momento e, não estando no momento, isso leva ao sofrimento. É muito simples. Agora você pode examinar a sua própria vida a partir dessas palavras.
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Mas o Buda não parou por aí. Ele nos deu uma cura para este "não estar no momento", este sofrimento. Esta cura é a Terceira Nobre Verdade, que é a verdade mais mal entendida de todas.
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Ele fala do Nirvana ou Nibbana, que é uma palavra que é usada em todas as línguas nos dias de hoje, mas ninguém sabe o que significa. A palavra é muito simples. Significa expirar, apagar - como apagar uma vela. Muito simples! O Buda apenas usava palavras simples, mas mesmo assim elas foram totalmente mal compreendidas, porque geralmente ela é traduzida como extinção do desejo. Correto? Não significa de modo algum isto.
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No tempo do Buda, a palavra nirvana, apagar, significava simplesmente isto: apagar. Mas havia uma grande diferença. De acordo com a ciência e a filosofia do Vedanta, quando você apaga uma chama, como em uma vela ou em uma lâmpada de óleo, você diz que a chama ficou livre. Quando você acende uma vela, você captura a chama, como se a colocasse numa gaiola. Então, em "nossa" idéia de apagar uma vela nós dizemos "extinguir" ou "matar"; mas, na época do Buda, apagar uma chama significava libertá-la. Da mesma forma como seu "bolo"; coisas completamente diferentes!
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Então, o Buda nunca disse algo como matar os seus desejos; ele falava da libertação ou liberdade deste apego ao "eu quero" ou "eu não quero". Quando você abandona isso, então a sua vida entra num equilíbrio. Aí, então, você está completamente livre. Este é um ensinamento maravilhoso, porque ele é prático e você pode vê-lo em sua própria vida.
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Se você sempre está no momento, você não pode sofrer, você está livre para ir para o próximo momento, livre para seguir para o próximo momento, sempre totalmente livre, sem estar preso no "eu quero" ou "eu não quero". E é isso que o Buda ensinava. Ele, então, nos deu o Caminho Óctuplo como uma forma de alcançar isso. Da mesma forma como as pessoas dizem hoje: "Como eu posso levar esta prática para a minha vida?", o Buda nos deu a resposta. É o Caminho Óctuplo: A Compreensão Correta, o Pensamento Correto, a Linguagem Correta, a Ação Correta, os Meios de Vida Correto, o Esforço Correto, a Vigilância Correta, a Concentração Correta. Mas cuidado com a palavra "correto", porque "correto" implica que há um "errado", e o Buda não usava a palavra desta forma; o Buda não falava desde um ponto de vista dualista.
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Uma palavra melhor do que "correto" é "apropriado". Linguagem Apropriada, Pensamento Apropriado, Compreensão Apropriada, etc. Vamos, então, apenas examinar um desses fatores, utilizando a palavra "apropriada" ao invés de "correta". Linguagem Apropriada significa não falar mal de uma outra pessoa, não utilizar palavras para se mostrar, não utilizar palavras para sugerir algo que não é correto. Há muitos exemplos em suas vidas. Simplesmente falar demais é uma linguagem inapropriada. Podemos falar que ler demais também é uma linguagem inapropriada, ou ver televisão demais também seria linguagem inapropriada.
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O que o Buda quis fazer ao ensinar sobre essas várias ações não apropriadas foi nos dar um instrumento para examinarmos as nossas próprias vidas. O que significa "apropriado" em termos de nossa vida? Significa Linguagem, Ação e Pensamento que nos ajudam a nos livrarmos de nosso desequilíbrio, de nosso dukkha.
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O Caminho Óctuplo usado apropriadamente irá nos ajudar a colocar a nossa vida em equilíbrio. Isso não é algum ensinamento esotérico, nem aquilo que freqüentemente acontece no ensinamento mal compreendido sobre o que o Buda ensinou.
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As Quatro Nobres Verdades são muito práticas, baseadas na vida real. É um ensinamento sobre como viver a sua vida. E posso assegurar a vocês, que se lerem qualquer ensinamento do Buda que parecer muito distante de sua vida agora, isso é uma tradução ruim. Porque o Buda era um homem prático e inteligente, que olhava profundamente para o que fazemos conosco. A partir daí, ele nos ofereceu um modo de sair disso. Espero que isso que falei sobre as Quatro Nobres Verdades tenha lançado um pouco de luz. Muito obrigado!"

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Por Rodney Downey (Budismo Zen coreano)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Eu sei...

Não vou mais tentar me convencer do que os outros querem que eu me convença ou do que os outros julgam que seja o melhor, o mais adequado, o recomendável. Eu não me convenço de nada; eu sei e sinto. E mudo de idéia quando me der na telha, a propósito.
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Tem coisas que eu quero muito e não sei bem como elas se materializariam se acontecessem. Não consigo nem de longe prever a logística. Também tô pouco me importando. Se é algo que eu quero muito, se acontecer, eu dou um jeito (nem que seja reorganizando todo o resto). O nome disso é estar vivo e manter a capacidade de viver, com todas as suas melhores e mais drásticas conseqüências.
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É bem verdade que tentar é arriscar a dar tudo errado. Em compensação, tentar também é arriscar a dar tudo muito mais certo do que já deu até aqui. Entre a tentativa e a resignação, há o que se construiu de si mesmo e a confiança que se tem de que se pode fazer ainda melhor (e que se merece mais). É precisamente o caso.
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Não vou desistir. Nem hoje, nem amanhã, nem depois de depois de amanhã. Porque eu sei. Dentro da cabeça, em cada neuroninho, em cada célula, em cada terminação nervosa. Eu sei até o osso. Eu soube desde o instante zero e por mais que eu tenha pensado e repensado e meditado e sopesado, eu nunca tive dúvida. Eu sei que é isso. E que isso é o começo do que eu posso fazer. Não vou desistir.
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(Patricia Antoniete)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O segredo...

"O segredo do céu é que cada vida afeta a outra, e a outra afeta a seguinte, e que o mundo está cheio de histórias, mas todas as histórias são na verdade, uma só."

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A fada e o palhaço...

"Gostaria muito que ela estivesse aqui

Aqui, bem aqui do meu lado

Bem do lado, um anjo em verso

Resquicios de sentimentos dispersos

Inquietos, não saudáveis…

Enfim, um sentimento ao avesso

Laços que são complicados de se compreender

Assim, um tanto dispersa, as vezes desaparece…

Seja o que for, seja como for

Já te falei por diversas vezes

O tempo vai fazer a diferença

Mas não há como negar que voce me traz calma

E essa historia está sendo escrita, dia-a-dia

Nesse grande circo chamado sentimentos

O palhaço é aquele que esta do lado de cá

Tentando colocar sorriso no rosto da menina-fada

Que só de vez em quando abre aquele sorriso tao iluminado

Sei que fada precisa de tempo

Tempo para se metamorfozear

E se transformar denovo na grande fada que é

Olhares perdidos no preterito-imperfeito

Fadamava, Palhaçava, Entristecia…

E a chuva é testemunha de tudo, assim como o tempo

Que perfeito ou não, sempre será o tempo

Pregando peças, shows, sorrisos e choros

Certo ou errado, estamos aqui, ali e lá

Fazendo e refazendo

Inventando, construindo a nossa parte

Antes do homem o medo, o amor, a duvida

O que diabos prevalece no palhaço ? E na fada ?

E no fim… enfim… em fim… recomeço."

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Você é uma farsa...

Eu também. No fundo todos somos. Não há nada de errado nisso.
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A sensação provavelmente não lhe é estranha: por mais que você faça bem o seu trabalho e seja reconhecido pelo talento que tem, não é incomum a insegurança bater à porta. Ela costuma ser tão freqüente que você chega a estranhar se não vier. Nessa hora você inveja aqueles caras focados, firmes, que sempre sabem o que querem…peraí. Será? Ou será que esses caras são praticamente os mesmos que você despreza por serem recheados de clichês, chavões, frases feitas e soluções prontas?
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Uma característica do processo criativo que você dificilmente ouvirá da boca de “profissionais de sucesso” é que a insegurança é parte do processo. Uma das mais importantes, aliás. O motivo para isso é de uma lógica cristalina: se você está inseguro é porque não tem certezas. Se não tem certezas é porque o caminho proposto não foi trilhado por muita gente. Se não o foi é porque é novo. Simples assim. Em outras palavras, é impossível ter certeza que uma idéia criativa faça sucesso. Muitas vezes, aliás, elas nos surpreendem.
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Uma das características mais difíceis de se lidar em profissões ligadas ao hemisfério direito do cérebro é que elas são baseadas em padrões e conexões, não em regras. Não existe, nem creio que algum dia existirá, a fotografia ou ilustração que sejam absolutamente “certas”. Elas podem ter a técnica correta, mas qualquer peça de comunicação ou arte demanda mais do que isso. A própria idéia que possa existir o absolutamente certo para formas de expressão soa bastante ridícula – além de ser uma baita coisa de Nerd.
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Quando se trata de comunicação e expressão, a técnica não costuma ser difícil. Muito pelo contrário, é comum ela ser o primeiro passo em busca de algo maior. A gramática é fundamental para a compreensão da estrutura de uma língua, mas seu conhecimento não é o suficiente para transformar professores de Português em poetas. Da mesma forma, os aplicativos de design são bastante importantes, mas não fundamentais. A técnica e a criação são processos completamente diferentes. A primeira garante certezas, a segunda é responsável pelas variações.
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Um bom exemplo das diferenças entre esses tipos de processos está nas relações humanas. Quantas vezes você não viu casais “perfeitos” se desfazerem ou pessoas que tiveram a educação “correta” desandarem? Só quem acredita na eficácia de livros de cantadas que pode duvidar disso. E esses são os mais ridículos.
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Em outras palavras, a incerteza é parte fundamental do raciocínio criativo. É ela que promove o desequilíbrio e o questionamento fundamentais para que se fazer coisas novas. Por mais que nossa civilização ocidental tenha uma quedinha por absolutos sólidos, vale lembrar que o desequilíbrio é muito mais natural. Graças à relação dinâmica entre estados estáveis e instáveis que é possível andar, dançar, patinar ou esquiar. São as diferenças de contraste visual que tornam os objetos visíveis, diferenças de tom que fazem a música e transmitem emoção em cada discurso. Quem não é capaz de notar essas nuances costuma ter um problema sério (e bastante incômodo) de percepção.
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Da mesma forma, o excesso de opções, sem regras, não é sinal de liberdade, mas de descontrole. Todas as atividades humanas – ou pelo menos todas as que podemos considerar criativas ou artísticas – dependem de uma boa negociação entre regra e exceção. Grandes artistas costumam conhecer muito bem a técnica antes de pensar como (ou se) vão quebrar regras, e o que pretendem com isso.
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Um bom designer deve, portanto, conhecer a fundo as ferramentas que usa. Mas também deve, antes mesmo de chegar perto delas, pensar bastante no que pretende conseguir com elas. Sem uma boa pergunta, a maioria das respostas tende a ser fraca. Nesse processo, saber dosar a insegurança é fundamental.
Sem ela, não se evolui. Se ela for excessiva, também não.
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(Luli Radfahrer)