quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tédio...

O tédio é uma das coisas mais importantes na vida humana. Somente o homem é capaz de tédio; nenhum outro animal é capaz de ficar entediado. O tédio existe somente quando a mente começa a chegar cada vez mais e mais perto da iluminação. O tédio é simplesmente o pólo oposto da iluminação. Os animais não podem tornar-se iluminados, por isso eles não podem tornar-se entediados tampouco. O tédio simplesmente mostra que você está se tornando ciente da futilidade da vida, da constante roda repetitiva. Você já fez todas aquelas coisas antes – nada acontece. Você esteve dentro de todas aquelas viagens antes – não deu em nada. O tédio é a primeira indicação de que uma grande compreensão está surgindo em você, sobre a futilidade, a insignificância, da vida e de seus caminhos.
Ora, você pode responder ao tédio de duas maneiras. Uma é o que é feito comumente: fugir dele, o evitar, não olhar olho no olho dentro dele, não afrontá-lo. Mantenha-o às suas costas; e fuja; fuja para dentro das coisas que possam ocupá-lo, que podem tornar-se obsessões – que o mantenha tão afastado das realidades da vida, que você jamais vê o tédio surgir novamente. Eis porque as pessoas inventaram o álcool, as drogas. São meios de fugir do tédio. Mas você não pode realmente fugir; você pode somente evitar por um tempo. Nova e novamente, o tédio virá, e nova e novamente ele será cada vez mais e mais ruidoso. Você pode fugir no sexo, comendo muito, na música – em mil um uma espécies de coisas você pode fugir. Mas nova e novamente o tédio surgirá. Ele não é algo que possa ser evitado: ele faz parte do crescimento humano. Tem de ser encarado. A outra resposta é encará-lo, meditar nele, ficar com ele, ser ele. Eis o que Buda estava fazendo debaixo da árvore Bodhi – eis o que todo o povo do Zen esteve fazendo através das eras.
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(Osho)

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