quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Soneto de indiferença...


"Eu fui teu verso, eu fui a tua lira!
Brinquei, no teu olhar, em trajes de ouro
Tornei-me a carapaça de um besouro

Que – por não mais servir – ele retira!

Levaste à boca o pão que eu repartira
Com as mãos que te ofertaram meu tesouro
Meteste, entre os meus dedos, mau agouro

Sou hoje o teu reverso, outra mentira!

Mas posso asseverar que não me importa
Fertilizar a terra pr’outra horta
E ver arrebentarem-lhe as raízes

Eis o que faço e tu jamais o fazes
De minha parte eu fiz, com a vida, as pazes
Enquanto és inimigo, mas não dizes!"
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(Clarrissa Yemisi)

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