quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Nós"...

Nós fomos a Trancoso no último verão, nós temos um filhinho chamado Rodrigo, nós nos conhecemos pela Internet, nós costumamos dormir tarde, nós nos damos superbem. Nós: que sociedade vitoriosa! Você e mais alguém, uma equipe de dois, uma dupla imbatível, destinada a ser feliz para sempre.

Tudo o que queremos é um dia poder enfrentar o mundo bem acompanhada. Nós: dois em um, somando forças para batalhar pela vida. É uma boa tática, mas o problema geralmente está neste "dois em um", nesta necessidade de fundir-se, de buscar o "nós" antes de tornar-se um "eu".

Todos gostariam de ter a fórmula do amor indestrutível. Não existe amor indestrutível, porém há amores mais sólidos que outros, mais resistentes às adversidades, porque são amores vividos por duas pessoas que armazenam uma boa quantidade de informações sobre si mesmos, pessoas que investigaram a fundo sua coragem e suas fraquezas, pessoas com objetivos, idéias e estilos definidos, pessoas que souberam ser sós antes de irem à luta por um "nós".

Não é fácil tornar-se um "eu". Nascemos numa família que nos repassou seus códigos, depois fizemos amigos que pensavam igualzinho a gente, enfim, não houve muito tempo para interiorizar-se e desenvolver a própria identidade: desde cedo fomos incentivados a escolher uma tribo e se enquadrar.

Intelectual? Aventureiro? Bicho-do-mato? Patricinha? Rebelde? Esquisito? Please, apareça alguém para me ajudar a descobrir quem sou! Aí aparece alguém que gosta muito de você, mesmo lhe conhecendo tão pouco. Mesmo VOCÊ se conhecendo tão pouco! É um convite para interromper as buscas e relaxar:
encontrei o amor, não importa mais quem eu sou. Agora somos dois, somos nós, somos um exército.

Não caia nesta cilada. Casais maduros costumam ser formados por duas pessoas individualizadas, e não por pessoas que se anulam em função da outra. Não interrompa as buscas: continue se investigando, se questionando e evoluindo, mesmo que você tema que suas descobertas o modifiquem e o afastem de quem
você ama. Muito mais desastroso é se afastar de si mesmo.
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(Martha Medeiros)

Um comentário:

Ana Paula disse...

A Martha é o que há!

Abs