quinta-feira, 2 de julho de 2009

Onde está nossa essência?

.....Buscamos significados mais profundos, porque nos sentimos responsáveis: por nós, pelo outro, pelo mundo, pela vida. E pela morte?
Pela morte ás vezes também.Ou, ao menos, pelo que fazemos em relação a ela, ou diante dela.
Onde está a nossa essencia? Onde estaremos nós um dia, um dia que pode ser hoje, amanhã, daqui a um mês?
Por não saber a resposta, nos defendemos no cotidiano, no trabalho, na arte, na filosofia, na bebida, na droga, na frivolidade, na ideologia - não importa. Em tudo o que de legítimo ou ilegítimo fazemos, nos ocultamos.
Porém o olho mágico da que fatalmente virá nos espreita, e dificilmente estaremos preparados. Ninguém nem ao menos sabe nos dizer o que é estar preparado para isso - isso que é a um tempo separação e encontro.
A rainha de nossa perplexidade, que torna o presente tão importante, o amor tão urgente, a bondade tão necessária, a ética tão essencial, a arte tão explicável - ela, a majestade morte, deveria nos tornar muito muito melhores do que somos. Muito mais generosos. Muito mais audaciosos. Muito mais abertos para a vida, a alegria, a claridade, em lugar de tão enredados
em nossas intrigas mesquinhas, nossas reclamações cotidianas, nossas vinganças minúsculas.
Porque só com a vida bem vivida, com decência, coragem e doçura , prepara-se alguém, ainda que sem muita habilidade, para isso que chamamos de morte: que nos espreita na cama, no carro, no avião, na calçada, ou na escola invadida por um terrorista alucinado.
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(Lya Luft)

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