segunda-feira, 1 de junho de 2009

Confusão...

Osho,
Eu acho que penso claramente, mas no fundo eu apenas vejo confusão. Às vezes eu penso que sei, mas descubro que nada sei. Eu apenas achava que sabia.
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“Aprenda a viver com a confusão. Não tenha pressa para concluir. A confusão não é necessariamente algo errado. Não a rotule como sendo confusão. Rotular é errado. Algumas vezes um rótulo errado pode criar muitos problemas.
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Isso não é realmente confusão: é um estado de transição, de mudança. Você se desenraizou do velho solo e está procurando pelo novo, e entre os dois, isso acontece. Isso não é confusão, isso é apenas um hesitante estado de crescimento. Isso é crescimento e sempre que existe crescimento costuma-se rotular como confusão. Mas ao rotular como confusão, você está interpretando errado e começará a tentar resolver de algum jeito. Se você chamar isso de crescimento, então não haverá pressa em resolver. Na verdade, você terá que dar suporte a isso, pois é crescimento. Se chamar de confusão, você estará condenando e terá que encontrar uma maneira de sair disso.
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Não há necessidade de sair disso; aprenda a viver com isso. Aprenda a viver com todos os tipos de estados que estarão surgindo. E se algumas vezes for confusão, o que há de errado na confusão? Nos ensinaram erradamente que devemos ser absolutamente claros. Somente os tolos conseguem ser absolutamente claros, somente os tolos estão certos.
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A confusão é natural: ela é o caos criativo dentro de você. É somente a partir desse caos que a criatividade começa. Chame isso de caos criativo, não chame de confusão.
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A vida é um mistério. Como alguém consegue estar certo a respeito dela? Ela é um grande fluxo e tudo está sempre mudando rapidamente. Como você pode estar certo sobre um rio? Como você pode estar certo sobre a forma de uma nuvem? Como você pode estar certo sobre a vida? A forma das nuvens, o fluxo do rio, o vento que passa invisivelmente através dos pinheiros... Você apenas escuta o som, você não consegue pegá-lo, você não consegue agarrá-lo, você não consegue reduzi-lo a uma conclusão. Todas as conclusões são falsas, porque todas as conclusões são a respeito de alguma coisa morta. A vida nunca pode ser enclausurada dentro de uma conclusão, dentro de uma teoria, dentro de uma hipótese.
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Aprenda a viver com todos os tipos de coisas: algumas vezes existe tristeza, outras vezes alegria, algumas vezes, confusão, outras vezes, certeza. Deixe que as coisas aconteçam do jeito que acontecer, e não se apresse em modificá-las. Deixe-as ser como elas são e aceite-as totalmente. Então a confusão desaparece e a certeza nunca surge, e isso é a coisa mais bela que pode acontecer a alguém. Deixe-me repetir: a confusão desaparece; no momento em que você não estiver contra ela, a confusão desaparece. No momento em que você começar a amar e curtir a confusão, ela desaparecerá; ela se tornará um mistério. Você a transformou, foi uma transformação mágica. No momento em que você abandona a sua atitude de julgamento – ‘de que isto está errado e eu tenho que estar certo’ – tudo fica perfeitamente bem. Isto é muito mais bonito do que certezas, porque certeza não é crescimento, enquanto confusão é crescimento; confusão tem um grande valor. E uma vez que você começa a curtir a beleza da incerteza, a amplitude da incerteza, a aventura da incerteza e a excitação do inseguro, uma vez que você começa a curtir isso, onde está a confusão?. Ela se foi. Ela existia apenas na sua interpretação.
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Quando a confusão se vai, eu não estou dizendo que a certeza surge. Não. Se a certeza surgir, você cairá de novo na confusão, porque você se agarrará a essa certeza. E a vida continua mudando; de novo haverá confusão. Nenhuma certeza aparece; a confusão desaparece e não existe certeza alguma.
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Não existe confusão nem certeza também. Este é o estado mais belo em que alguém pode estar. É de onde as portas da mente se abrem para o divino.
Curta isso. Isso lhe será tremendamente benéfico.”

(OSHO – The Sacred Yes – Cap. 4)

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