domingo, 10 de maio de 2009

Terapia...

- E então, Alexandra, como foi da última sessão para cá? Quer dizer algo?

- Foi bem curioso.

- Curioso?

- É que nunca tinha me acontecido isso. E acho que você sabe…

- …sabe o quê?

- Que eu não sou uma vaca.

- Hum, hum.

- Quando terminei com o Norberto, falei na última sessão que terminei com o Norberto, não falei?

- Falou.

- É, terminei com ele e, uns dias depois, fui pro Rio.

- Me recordo de você ter tido que ia viajar.

- Fiquei lá quietinha, trabalhando que nem uma maluca na filial carioca. Do escritório pro hotel, do hotel pro escritório. Só que na volta, quando tomei o táxi em Congonhas, já fui pegando o celular e mandando torpedos, torpedos, torpedos. Pra todos os caras que trombei na vida. Uma loucura.

- Por que loucura?

- Rolou uma coisa que eu tinha que dar pra alguém. E tinha que ser meio imediato, entende? Não sei direito o porquê.

- Hum, hum.

- Dar, estou dizendo DAR, Giorgio. Trepar, foder, percebe?

- Sim.

- Não faz essa cara, por favor? Parece que eu digo isso e é como se estivesse falando que vou comprar chicletes na padaria.

- O que pensa disso?

- Não pensei em nada, Giorgio, simplesmente agi. O cara do táxi era um senhor, mas bem cuidado, sem barriga, odeio homem barrigudo. Cruzei as pernas no banco de trás e fiquei mostrando a calcinha pro espelho dele. Se a minha ideia era dar, trepar, foder, por que não fazer isso com aquele ali? Nunca dei pra taxista.

- E aconteceu?

- Esse é o problema. Não aconteceu. O tiozinho me ignorou. Ele dava mais atenção ao GPS no párabrisa daquela merda de Corsa do que nas minhas coxas, na minha calcinha branca da Victoria Secret. Mas você me conhece, não sou de desistir. Fui pra meu apartamento, chorei, chorei, chorei. Depois tomei um banho ainda chorando, uma vodiquinha, me perfumei, botei minissaia e decote pra ir à luta.

- A ideia de fazer sexo imediatamente ainda persistia, Alexandra?

- De fazer sexo não, Giorgio. De dar, de trepar, de foder!

- Sim.

- Bom, liguei pra um restaurante japonês e pedi um sushi. O motoboy do restaurante subiu. Quando entrou na minha sala, me pegou sem a parte de cima da blusa.

- Hum, hum.

- Caprichei na cara de tarada praquele rapazinho espinhento, sujo de graxa, lindo.

- E conseguiu seu intento dessa vez?

- Não.

- Por quê?

- O menino era um cagão, Giorgio. Jogou o sushi de qualquer jeito em cima de uma mesinha de apoio belle-époque que tenho e desceu correndo escada abaixo…

- Entendo.

- Não, você não entende, Giorgio. Uma mulher jovem, bem sucedida, bonita, cheirosa querendo dar pra qualquer um e ninguém quer pegar?

- E depois?

- Bom, chorei, chorei, chorei e fui em frente. Liguei pra um colega meu, diretor de arte da agência de propaganda que apresenta as campanhas pra nossa empresa.

- Sim.

- Putz, foi a melhor imitação da voz da Carla Bruni que fiz, cara. Se o dono de uma empresa de tele-sexo me ouvisse contratava na hora. Marquei com ele à noite num barzinho da Vila Madalena.

- Compreendo.

- É, você compreendeu, mas ele não sacou nada. Nada. Tomamos vinho espanhol, comemos uns tapas e, lá pelas tantas, pedi para irmos embora. Só que ele não dizia nada. Aí tomei a iniciativa. Convidei o bonitão pra ir à minha casa.

- E ele foi?

- Foi e brochou.

- Sim?

- Sim, a brochada mais sensacional do universo.

- Sensacional?

- O sujeito não só brochou como teve uma queda violenta de pressão. Acabei a noite com ele num pronto-socorro cardiológico.

- E o que você tirou disso?

- Tirei que um pronto-socorro é um ótimo lugar pra se encontrar homem interessante. Enquanto o atendiam, fiquei conversando com um motorista de ambulância. Um cara meio índio, caladão, rude, mas intrigante, sabe?

- E então?

- Fui direta com ele, com pessoas menos sofisticadas é possível ser assim, você sabe. Olhei no fundo dos olhos do bad boy e disse: “olha, querido, eu percebi que você estava olhando pra minha bunda - e aí, quer me comer ou não quer?” A princípio, ele desconfiou. Mas, diante da minha certeza, topou ir comigo a um quarto de enfermaria.

- Satisfez, portanto, a sua pulsão, imagino.

- O caralho, Giorgio, o caralho! Bem na hora que a gente se pegou, tocou o Nextel do índio. Tinham atropelado uma velha na Nove de Julho e ele precisava correr pra lá de sirene ligada…

- Compreendo, Alexandra. E o que pensa fazer a partir dessa experiência?

- …

- O que pensa fazer?

- …

- Alexandra, pára de me olhar desse jeito!

.

.

.

(Carlos Castelo)

Um comentário:

Helen Viana disse...

AHIAUHAAIUHAIAUHAIUAHAIU HAIUAHAIUAHAIUHAIAUHAIUAHAIUAHIUAHAUIAHIAUHAIUAHAIU

É CADA COISA.