terça-feira, 26 de maio de 2009

Para os que virão...

"Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro
Sabendo que não vou ver
o homem que eu quero ser.

Já sofri suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.

Não, não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente,
de ser para transformar-se,
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade de nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando."
.
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(Thiago de Mello)

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