sexta-feira, 13 de março de 2009

The Giving Tree..

Existiu certa vez uma árvore muito antiga e majestosa, com galhos que se estendiam para o céu. Quando ela florescia, borboletas de todas as formas, cores e tamanhos dançavam à sua volta. Quando ela dava frutos, pássaros vinham de longe para se empoleirar em seus galhos. Eles eram como braços abertos ao vento, à espera dos que procuravam sua sombra.
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Havia um garotinho que costumava brincar todos os dias sob essa árvore e ela passou a cultivar uma grande afeição por ele. O grande, o ancião, pode se afeiçoar ao pequeno e jovem se não tiver consciência de que é grande. A árvore não tinha essa consciência - só os seres humanos têm esse tipo de conhecimento - no entanto, afeiçoou-se ao garoto. O ego sempre tenta amar o que é grande, sempre procura se relacionar com o que é maior que ele. Mas, para o amor, ninguém é grande ou pequeno. Ele abraça qualquer um que esteja por perto.
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Assim, a árvore nutriu um grande amor por esse menino que costumava brincar perto dela. Seus galhos eram altos, mas ela o curvava e os inclinava para baixo, de modo que ele pudesse colher suas flores e comer de seus frutos. Ao contrário do ego, o amor está sempre pronto a se curvar. Se alguém tenta se aproximar do ego, ele procura se elevar ainda mais, esticando-se ao máximo para que não seja possível alcançá-lo. Todo aquele que é acessível, ele considera pequeno. Mas o que não se deixa atingir, o que está no trono do poder, ele considera grandioso.
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O garotinho vinha brincar e a árvore curvava seus galhos. Quando ele colhia suas flores, a árvore ficava radiante, todo o seu ser era preenchido com a alegria do amor. O amor sempre fica feliz quando pode dar alguma coisa; o ego só fica satisfeito quando consegue algo para si.
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O menino cresceu. Às vezes ele dormia sob a árvore, ás vezes comia seus frutos e outras vezes fazia uma coroa com suas flores e fingia que era o rei da selva. Qualquer um de nós vira rei quando está cercado pelas flores do amor, mas tornamo-nos pobres e miseráveis quando os espinhos do ego ferem a nossa pele. Ver o garoto usando a coroa de flores e dançando ao redor dela, enchia a árvore de alegria; ela balançava de amor e cantava ao sabor da brisa. O menino cresceu mais ainda e virou um rapaz. Ele começou a subir na árvore e a se balançar em seus galhos. A árvore sentia imensa alegria quando ele descansava em seus galhos. O amor fica feliz quando dá conforto a alguém; o ego só fica feliz quando tira o conforto de alguém.
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À medida que o tempo passava, o rapaz começou a ter outras tarefas e obrigações. Sua ambição aumentou; ele tinha de passar nas provas, tinha amigos a quem superar e por isso deixou de visitar a árvore com tanta frequência. Mas a árvore continuou esperando por ele ansiosamente. Chamava-o com toda a sua alma: - Venha, venha! Estou esperando você! - O amor sempre espera pela pessoa amada. O amor é uma espera. A árvore ficava triste quando o rapaz não vinha. O amor só tem uma tristeza: quando não pode ser compartilhado; o amor se entristece quando não pode se entregar; mas, quando pode se render totalmente, o amor é extremamente feliz.
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O rapaz ficou mais velho e quase não vinha mais visitar a árvore. Todos os que crescem e se tornam grandes no mundo da ambição têm cada vez menos tempo para o amor. O rapaz era agora ambicioso e só encontrava tempo para assuntos mundanos: "Árvore? Que árvore? Por que eu deveria visitá-la?"
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Um dia, quando ele passava, a árvore o chamou: - Ouça! Estou esperando-o, mas você nunca vem. Espero por você todos os dias!
- Por que você acha que eu tenho de ver você? O que você tem para me dar? - retrucou o rapaz. - Estou atrás de dinheiro. - O ego sempre tem uma motivação. - O que você tem a me oferecer? Só vou vê-la se receber algo em troca. - O ego sempre quer um motivo, um propósito. O amor não precisa de motivos nem propósitos. Poder amar é a sua maior recompensa.
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Chocada, a árvore disse: - Você só virá se eu lhe der algo em troca? Eu só posso dar o que tenho. - Aquele que nega não ama. O ego nega, o amor dá incondicionalmente. - Mas eu não tenho dinheiro. Isso é uma invenção humana. Nós, árvores, não temos essa doença e somos felizes assim. Flores brotam em nós. Frutos pendem de nossos galhos. Oferecemos uma sombra refrescante. Dançamos com a brisa e cantamos canções. Pássaros inocentes empoleiram-se nos nossos galhos e gorjeiam porque não temos dinheiro algum. No dia em que nos preocuparmos com dinheiro, também passaremos a ser fracas e miseráveis como os seres humanos, que frequentam templos e ouvem sermões sobre como conquistar a paz, como encontrar o amor... Não, nós não temos dinheiro nenhum.
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- Então por que eu deveria vir aqui? - perguntou o rapaz. - Eu tenho de ir aonde há dinheiro. Eu preciso de dinheiro. - O ego quer dinheiro porque dinheiro é poder. O ego precisa de poder.
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A árvore refletiu profundamente e então teve uma idéia: - Faça o seguinte. Colha os meus frutos e coloque-os à venda. Assim você ganhará dinheiro!
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Os olhos do rapaz brilharam. Ele subiu na árvore e colheu todos os frutos, até mesmo os que estavam verdes. A violência dele fez com que os galhos se quebrassem e folhas fossem arrancadas, mas a árvore ficou feliz e satisfeita. Mesmo a dor traz felicidade ao amor. Mas o ego, mesmo quando ganha algo, não fica feliz.
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O rapaz nem sequer se voltou para agradecer a árvore. Mas ela nem notou. Sentia-se grata só pelo fato de o rapaz aceitar sua oferta de amor: colher e vender seus frutos.
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O rapaz ficou muito tempo sem aparecer. Ele ganhara dinheiro e estava ocupado tentando fazer com que ele se multiplicasse. Esquecera totalmente da árvore. Anos se passaram. A árvore ficou triste. Ela esperava ansiosametne que ele voltasse, como a mãe que procura o filho perdido, com os seios repletos de leite. Todo o seu ser anseia pela criança, busca desesperadamente encontrá-la para que possa sentir algum alívio. Assim era o choro interior da árvore. Todo o seu ser estava em agonia.
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Depois de muitos anos, o rapaz, já adulto, voltou para ver a árvore.
- Aproxime-se, venha me abraçar - pediu a árvore.
- Que bobagem é essa?! - respondeu o homem. - Não sou mais criança. - O ego considera o amor uma bobagem, uma fantasia infantil.
Mas a árvore lhe fez um convite: - Venha, balance nos meus galhos. Venha dançar comigo!
- Pare com essa conversa fiada! - replicou o homem. - Quero construir uma casa. Você pode me dar uma casa?
- Uma casa?! - exclamou a árvore. - Eu não preciso de casa para viver.
Só os seres humanos vivem em casas. Nenhum outro ser deste mundo vive numa casa, a não ser o homem. E veja as condições em que ele está! Em que condição está esse homem que vive confinado entre quatro paredes? Quanto maior a casa, mais insignificante o homem se torna.
- Nós não precisamos de casa para morar - disse a árvore. - Mas você pode cortar meus galhos e construir com eles uma casa.
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Sem perder tempo, o homem foi buscar um machado e cortou todos os galhos da árvore. A árvore se tornou apenas um tronco nu. Mas ela estava feliz assim. O amor fica feliz mesmo quando seus membros são mutilados pelo ser amado. Amor é doação; o amor está sempre pronto para compartilhar.
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O homem não se deu ao trabalho de agradecer à árvore. Construiu sua casa. Os dias se passaram e se transformaram em anos.
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O tronco não se cansou de esperar. Ele queria chamar o homem, mas não tinha nem ganhos nem folhas que lhe dessem uma voz. O vento soprava, mas ele não tinha como chamá-lo. Mas, em sua alma, ainda ressoava um único apelo: - Venha, venha meu bem-amado. Venha!
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Um longo tempo se passou e o homem foi ficando velho. Certa vez, ele estava passando pela árvore e resolveu parar.
- O que mais posso fazer por você? - perguntou a árvore. - Faz tanto tempo que você não vem!
- O que pode fazer por mim? - perguntou o velho. - Meu desejo é viajar por terras distantes e ganhar mais dinheiro. Mas para isso preciso de um barco.
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Alegremente, a árvore disse: - Corte meu tronco e faça com ele um barco. Ficarei muito feliz em ser um barco e em ajudá-lo a ganhar mais dinheiro em terras distantes. Só não deixe de tomar cuidado e de voltar logo. Estarei esperando a sua volta.
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O homem trouxe uma serra, cortou o tronco, fez um barco e se pôs a navegar.
Agora a árvore era apenas um toco. Ela esperava pela volta do seu amado. Nunca se cansava de esperar. No entanto, já não tinha nada a oferecer. Talvez o homem nunca voltasse; o ego só vai aonde possa ter alguma vantagem. Ele nunca vai aonde não há nada a ganhar.
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Uma noite, eu estava descansando perto do toco da árvore. - Aquele amigo meu não voltou ainda - ela sussurrou para mim. - Estou muito preocupada, pois ele pode ter se afogado ou se perdido. Pode estar perdido num daqueles países distantes. Pode ser que nem esteja vivo. Como eu gostaria de ter notícias dele. Assim eu poderia morrer feliz. Mas ele não viria mesmo que eu pudesse chamá-lo. Não tenho mais nada para lhe dar e ele só entende a linguagem do pegar e tomar..."
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(Resumo do livro "The Giving Tree" (A árvore generosa) de Shel Silverstein.)

Um comentário:

Ana Aitak disse...

Realmente eu gostei, me emocionei. Faz a gente parar pra pensar. Lindo. Kiss