quinta-feira, 19 de março de 2009

Ana Jácomo...

Como posso deixar de mencionar, de declarar o Encontro...
Da poetisa que chegou até mim através de seu encanto como reflexo das palavras em texto de data antiga que encontrei;
A poetisa que em seu reflexo, inspirou-me a olhar pra dentro e encontrar vastos campos, coloridos, intensos, perfumados..
Cheiro de flor quando ri! Quando sorrio!
Sintonia é sintoma;
Sintoma de sinfonia dos seres que se reconhecem;
Amor que permeia nosso Ser; Amor como gratidão..
Clara como a Luz; Ana como janela permitindo o reencontro da harmonia inesperada!
Bem-vinda à minha vida, embora por aqui já seja conhecida..
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Encontro
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No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio. Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. Dispensava nomes e entendimentos. Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.
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No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo maravilhoso para ser dado e recebido, daqueles presentes que a vida embrulha com os seus papéis mais bonitos e entrega, toda contente, a duas pessoas. Havia algo para ser trocado, e troca é quando duas vidas se sentem olhadas ao mesmo tempo. Havia algo que fazia um coração falar com o outro, ouvir o que era dito, gostar do que era dito, rir com o que era dito, sentir-se espelhado, sentir-se enternecido, querer brincar, muito além do que qualquer palavra, por qualquer motivo, por qualquer defesa, tentasse, em vão, esclarecer. Uma vontade de parar todos os relógios do mundo para eternizar a dádiva da presença compartilhada, e a impressão de que às vezes até conseguíamos.
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No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que escapava, ileso, dos artifícios todos, todos tolos, que a razão arranjava para não deixar o amor fluir com a beleza dele, o chamado dele, a natureza dele. Amor sempre arruma brecha para escoar entre os dedos temerosos do medo. Pode ser que a gente sinta tanto receio e se proteja tanto, as feridas antigas cicatrizadas coisíssima nenhuma, que nem consiga vivê-lo em sua plenitude. Mas que ele escoa, escoa. Esparrama no sorriso. Escapole no olhar. Canta no silêncio. Diz.
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No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que delatava o desejo, os quarteirões da gente todos iluminados com o fogo feliz da sensualidade, iluminadas as ruas todas que dão acesso ao lugar onde o corpo e a alma costumam se encontrar e dançar numa única canção. Havia algo que não podia ser negado, preterido, amordaçado. Algo que inaugura primavera, tanto faz se é inverno. Algo raro e precioso. Que é perfeito, ao mesmo tempo que consegue incluir todas as imperfeições. Que é lindo, ao mesmo tempo que consegue integrar as esquisitices todas que gente também tem. Havia amor e, de um jeito ou de outro, sabíamos sem nos dizer, havia chegado pra ficar.
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O amor quando é amor é amor.
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(Ana Jácomo)

3 comentários:

Rosinha disse...

lindo

Ana Jácomo disse...

Olha, estou emocionada, o coração todo arrepiado de alegria e ternura. Lindo demais, tudo isso. Linda, a sabedoria da vida, tecelã habilidosa dos encontros tecidos com os fios luminosos do amor.
Obrigada pelo presente, Gui, meu mais novo amigo antigo. :)

Beijos, sorrisos, girassóis.

Dulce disse...

" Tão belo como teu sorriso"