quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Sem nada...

"Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar."

(Tati Bernardi)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

não ser eu...

"Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo no mundo que eu não inveje só por não ser eu."

(Fernando Pessoa)

Simultaneidade...

"- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta."

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo (Poesia Completa, p. 535)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Amor-perdão...

Quando vige o amor nos sentimentos, não há lugar para o ressentimento. Não obstante, face à estrutura psicológica do ser humano, a afetividade espontânea sempre irrompe intentando crescimento, de modo a administrar as paisagens que constituem os objetivos existenciais. Não conseguindo atingir as metas, porque se depara com a agressividade inerente ao processo de desenvolvimento intelectomoral que ainda não se pôde instalar, sente-se combatida e impelida ao recuo. Tal ocorrência, nos indivíduos menos equipados de valores éticos, gera mal-estar e choques comportamentais que se podem transformar em transtornos aflitivos.
Quando isso sucede, o ser maltratado refugia-se na mágoa, ancorando-se no desejo de desforço ou de vingança.

A injustiça de qualquer natureza é sempre uma agressão à ordem natural que deve viger em toda a parte, especialmente no homem que, por instinto, defende-se antes de ser agredido, arma-se temendo ser assaltado, fica à espreita em atitude defensiva...
Tudo quanto lhe constitui ameaça real ou imaginária torna-se-lhe temerário e, por mecanismo de defesa, experimenta as reações fisiológicas específicas que decorrem das expectativas psicológicas.

A raiva, sob esse aspecto, é uma reação que resulta da descarga de adrenalina na corrente sangüínea, quando se está sob tensão, medo, ansiedade ou conflito defensivo.
O medo que, às vezes, a inspira, impulsiona à agressão, em cujo momento assume o comando das atitudes, assenhoreando-se da mente e da emoção.

A criatura humana, portanto, convive com esses estados emocionais que se alternam de acordo com as ocorrências, e que se podem transformar em transtornos desesperadores tais o ódio, o pânico, a mágoa enfermiça.

A mágoa ou ressentimento, segundo os estudos da Dra. Robin Kasarjian, instala-se nos sentimentos em razão do Self encontrar-se envolto por sub-personalidades, que são as qualidades morais inferiores, aquelas herdadas das experiências primárias do processo evolutivo, tais a inveja, o ciúme, a malquerença, a perversidade, a insatisfação, o medo, a raiva, a ira, o ódio, etc.

Quando alguém emite uma onda inferior - sub-personalidade - a mesma sincroniza com uma faixa equivalente que se encontra naquele contra quem é direcionada a vibração, estabelecendo-se um contato infeliz, que provoca idêntica reação.

A partir daí estabelece-se a luta com enfrentamentos contínuos, que resultam em danos para ambos os litigantes, que passam a experimentar debilidade nas suas resistências da saúde física, emocional, psíquica, econômica, social... Naturalmente, porque a alteração do comportamento se reflete na sua existência humana.

Sentindo-se vilipendiado, ofendido, injustiçado, o outro, que se supõe vítima, acumula o morbo do ressentimento e cultiva-o, como recurso justo para descarregar o sofrimento que lhe está sendo imposto.

Essa atitude pode ser comparada à condução de "uma brasa para ser atirada no adversário que, apesar disso, enquanto não é lançada queima a mão daquele que a carrega".
O ressentimento, por isso mesmo, é desequilíbrio da emoção, que passa a atitude infeliz, profundamente infantil, qual a de querer vingar-se, embora sofrendo os danos demorados que mantém esse estado até quando surja a oportunidade.

O amor, porém, proporciona a transformação das sub-personalidades em super-personalidades, o que impede a sintonia com os petardos inferiores que lhes sejam disparados.

Em nossa forma de examinar a questão do ressentimento e da estrutura psicológica em torno do Self, acreditamos que, em se traçando uma horizontal, e partindo-se do fulcro em torno de um semicírculo para baixo, teríamos as sub-personalidades, e, naquele que está acima da linha reta, defrontamos as super-personalidades, mesmo que, nas pessoas violentas e mais instintivas, em forma embrionária.

Toda vez que é gerada uma situação de antagonismo entre os indivíduos, as sub-personalidades se enfrentam, distendendo ondas de violência que encontram guarida no campo equivalente da pessoa objetivada.

Não houvesse esse registro negativo e a agressão se perderia, por faltar sintonia vibratória que facultasse a captação psíquica.

O ressentimento, portanto, é efeito também da onda perturbadora que se fixa nos painéis da emotividade, ampliando o campo da sub-personalidade semelhante que se transforma em gerador de toxinas que terminam por perturbar e enfermar quem o acolhe.

Sob o direcionamento do amor, a sub-personalidade tende a adquirir valores que a irão transformar em sentimentos elevados - super-personalidades - anulando, lentamente, a sombra, o lado mau do indivíduo, criando campo para o perdão.

É provável que, na primeira fase, o perdão não seja exatamente o olvidar da ofensa, apagando da memória a ocorrência desagradável e malfazeja. Isso virá com o tempo, na medida que novas conquistas éticas forem sendo armazenadas no inconsciente, sobrepondo-se às mazelas dominantes, por fim, anulando-lhes as vibrações deletérias que são disparadas contra o adversário, ao tempo em que desintegram as resistências daquele que as emite.

Não revidar o mal pelo mal é forma de amar, concedendo o direito de ser enfermo àquele que se transforma em agressor, que se compraz em afligir e perturbar.
Nessa condição - estágio primário do processo de desenvolvimento do pensamento e da emoção - é natural que o outro pense e aja de maneira equivocada.

O amor-perdão é um ato de gentileza que a pessoa se dispensa, não se permitindo entorpecer pelos vapores angustiantes do desequilíbrio ou desarticular-se emocionalmente sob a ação dos tóxicos do ódio ressentido.

O homem maduro psicologicamente é saudável, por isso, ama-se e perdoa-se quando se surpreende em erro, pois que percebe não ser especial ou alguém irretorquível.

Compreendendo que o trabalho de elevação se dá mediante as experiências de erros e de acertos, proporciona-se tolerância, nunca porém sendo complacente com esses equívocos, a ponto de os não querer corrigir.

É atitude de sabedoria perdoar-se e perdoar, porquanto a conquista dos valores éticos é conseqüência natural do equilíbrio emocional, patamar de segurança para a aquisição da plenitude.

O amor é força irradiante que vence as distonias da violência vigente no primarismo humano, gerador das sub-personalidades.

Surge como expressão de simpatia que toma corpo na emoção, distendendo ondas de felicidade que envolvem o ser psicológico e se torna força dominadora a conduzir os objetivos essenciais à vida digna.

Fonte proporcionadora do perdão, confunde-se com esse, porque as fronteiras aparentes não existem em realidade, desde que um somente tem vigência quando o outro se pode expressar.

Amor é saúde que se expande, tornando-se vitalidade que sustenta os ideais, fomenta o progresso e desenvolve os valores elevados que devem caracterizar a criatura humana.
Ínsito em todos os seres, é a luz da alma, momentaneamente em sombra, aguardando oportunidade de esplender e expandir-se.

O amor completa o ser, auxiliando-o na auto-superação de problemas que perdem o significado ante a sua grandeza.

Enquanto viger nos sentimentos, não haverá lugar para os resíduos enfermiços das sub-personalidades, que se transformarão em claridade psicológica, avançando para os níveis superiores do sentimento, quando a auto-realização conseguirá perdoar a tudo e a todos, forma única de viver em plenitude.
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(Joanna de Ângelis. Livro: Amor, Imbatível Amor. Médium: Divaldo P. Franco)

sábado, 26 de dezembro de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eis o Amor...


"A redução do universo a uma única criatura, a dilatação de um único ser até Deus,
eis o Amor."
(Victor Hugo. Les Miserables.)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O verdadeiro Jesus...

O Verdadeiro Jesus (Yeshua Ben Yossef)

O Papa diz que Jesus era um pobrezinho, nascido de um carpinteiro e de uma virgem, no meio de uma manjedoura (cocheira), no dia 25 de dezembro do ano um e, neste mesmo dia, três reis magos estavam perambulando pelo deserto quando avistaram uma estrela de Belém, que os guiou até o estábulo. Chegando lá, entregaram a ele incenso, ouro e mirra. Em seguida, por causa da perseguição do rei Herodes, José, Maria e Jesus fogem para o Egito. A vida de Jesus a partir de então até seus trinta anos desapareceu, sem nenhuma explicação plausível…

A imagem do Jesus Cristo que a Igreja católica e evangélicas vendem para seus fiéis nada mais é do que uma colcha de retalhos de mitos solares, deuses antigos e religião pagani ("pagani" que dizer "das pessoas que vivem no campo", da onde vem o termo "pagão"), costurados pelo Imperador Constantino I e seus asseclas no século IV para manterem-se no poder (visto que os cristãos estavam se tornando muito numerosos e iriam, com o tempo, sobrepujar os adoradores dos deuses romanos).
Mas, se existiam "cristãos", certamente existiu também uma pessoa histórica denominada "o Cristo", no qual baseavam-se seus ensinamentos. Afinal de contas, que foi o verdadeiro Jesus histórico?

Cristo, ou Christos (em grego), significa "messias" e que foi usado para traduzir a palavra Mashiash, que por sua vez significa "o ungido" ou "o ungido por Jeová". No antigo testamento, a palavra Ungido é usada exclusivamente para designar os Reis Judeus (e isto é extremamente importante para se entender o Cristo histórico). Além disso, a palavra Christos havia sido utilizada nas Escolas de Mistérios para designar Avatares anteriores a Jesus.

Yeshua Ben Yossef

Yeshua Ben Yosef nasceu no dia 6 de janeiro de 7 AC, essênio, filho de um dos Mestres mais importantes de sua comunidade e de uma das mais sagradas sacerdotisas das Religiões Antigas. Nasceu em uma caverna em Quram, considerada o Templo mais sagrado dos Essênios. Através da Astrologia, os Grão-Mestres (Reis e Magos) das Escolas de Mistério mais importantes do Antigo Oriente sabiam ONDE e QUANDO o Avatar iria nascer. Eles trouxeram presentes ritualísticos e celebraram o Ritual do Nascimento da Criança da Luz. Em seguida, Yeshua foi enviado para o Egito para estudar junto dos melhores professores das Antigas Tradições e fazer todas as iniciações nas Pirâmides até estar preparado para sua missão: ser o legítimo Rei dos Judeus, que estavam sob o domínio dos Romanos.

Jesus era rico ou pobre?

Usando a própria Bíblia como referência, de acordo com [mateus 1:1-16], temos:

Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão (1:1). A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó nasceram Judá e seus irmãos;(1:2), a Judá nasceram, de Tamar, Farés e Zará; a Farés nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão; (1:3) a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom;(1:4) a Salmom nasceu, de Raabe, Booz; a Booz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé;(1:5) e a Jessé nasceu o rei Davi. A Davi nasceu Salomão da que fora mulher de Urias;(1:6) a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asafe;(1:7) a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias;(1:8) a Ozias nasceu Joatão; a Joatão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias;(1:9) a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amom; a Amom nasceu Josias; (1:10) a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia. (1:11) Depois da deportação para Babilônia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel; (1:12) a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor;(1:13) a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde;(1:14) a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó; (1:15) e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo (1:16).

De acordo com o Evangelho apócrifo de Thiago (Tiago 1:1), temos:
Segundo narram a memória das doze tribos de Israel, havia um homem muito rico, de nome Joaquim, que fazia suas oferendas em quantidade dobrada, dizendo:
— O que sobra, ofereça-o para todo o povoado e o devido na expiação de meus pecados será para o Senhor, a fim de ganhar-lhe as boas graças.

Ou seja: Yeshua era descendente DIRETO do Rei Davi e do Rei Salomão (aquele que construiu o Templo Sagrado, que detinha a Arca da Aliança, que dominou os 72 espíritos da Goécia e que dispunha das Minas do Rei Salomão) por parte de pai e tinha como avô por parte de mãe um homem que "fazia suas oferendas em quantidade dobrada" e era dono de inúmeros rebanhos. Duas famílias extremamente ricas e poderosas.
O que é mais provável?

1) Jesus era um pobrezinho que nasceu em um estábulo.
2) Jesus tinha um avô descendente direto do Rei Salomão e o outro avô era uma das pessoas mais ricas de Belém, ambos conectados com as maiores ordens detentoras dos conhecimentos ocultos de sua época. 

Qual a profissão de José?

Conforme eu havia explicado nas colunas anteriores, todo o Templo Solar estava estruturado ao redor dos ensinamentos trazidos por Moisés do Egito, como a geometria sagrada, engenharia, arquitetura, matemática, astrologia, magia ritualística e medicina. Todo o simbolismo dos graus das Escolas de Mistérios antigas girava em torno da construção do Templo de Salomão, do Tabernáculo e da Arca da Aliança. Sendo assim, os títulos iniciáticos começavam em "Aprendiz", "Companheiro" e " Mestre" e evoluíam pelos graus simbólicos relacionados a estas artes (e assim o são até os dias de hoje). Desta maneira, temos os Escultores, os Telhadores, os Pedreiros, os Ourives, os Guardas do Templo, os bibliotecários…
Isto é a mesma coisa que dizer "o tio Del Debbio é um pedreiro livre" e alguém na rua achar que eu sou um peão de obras! Dentro dos Templos Solares, o grau mais alto dentro da hierarquia simbólica é o de " Mestre Carpinteiro", ou ainda "Carpinteiro da Arca da Aliança", pois é ele quem trabalha a acácia para construir a Arca da Aliança.
O que é mais provável?

1) José trabalhava fazendo banquinhos de madeira para ganhar a vida.
2) José era uma das pessoas com maior conhecimento místico de seu tempo, pertencente ao último grau de iniciação dentro dos Essênios, com o título simbólico de "Mestre Carpinteiro".

Maria era Virgem?

Tanto quanto a sua mãe, nobre leitor(a). Na bíblia original, Maria é descrita em hebraico como "Almâ", que significa "Aquela que já tem idade para ter filhos, mas que ainda não teve nenhum ". Quando as primeiras traduções para o grego foram feitas, usaram a palavra "Parthenos", que significa Virgem (quem não teve relações sexuais ainda) ao invés de "Neanis", que significa Donzela.
Além disto, Maria não era uma mulher qualquer. Para carregar um Avatar em seu ventre, Maria teria de estar iniciada e com todos os chakras desenvolvidos até o ponto máximo que uma mulher humana poderia, para ser capaz de conceber um espírito de tamanha pureza. Existem textos rosacruzes que descrevem a infância de Maria no Egito como uma Virgem Vestal e sua preparação posterior para o casamento com Yosef, que também detinha todas as iniciações na Tumba do Faraó… ops… Câmara das Iniciações.
O que é mais provável?

1) Jesus nasceu de uma mulher que não teve relações sexuais.
2) Maria era uma Grande Sacerdotisa das Antigas Tradições, cuja pureza da alma e preparação mental e espiritual lhe permitiram carregar um Avatar em seu ventre.

Ele nasceu em uma manjedoura?

Nos primeiros textos cristãos, Jesus é descrito como tendo nascido em uma gruta. A primeira pessoa a usar o termo Manjedoura foi São Francisco de Assis, em 1224, quando montou o primeiro presépio, baseado nos textos selecionados pelo Concílio de Nicéia.
A palavra original para designar o local onde Jesus nasceu é "Kephra", que significa "Caverna" ou "Templo". A caverna é considerada o templo mais sagrado de todos, porque não foi construído pelas mãos do homem, mas esculpido na Terra diretamente pelas mãos de Deus. A Caverna era (e ainda é) usada em inúmeras iniciações (Hermes Trismegistros nasceu em uma caverna, Zeus fica escondido em uma caverna, Hades reinava em uma caverna, a caverna de Platão, o mito de Orfeu e Eurídice, O Rei Arthur adormecido em uma caverna, etc, etc, etc… ). Para os Celtas, Essênios, Gregos e Bretões, a caverna era o único templo no qual um Avatar poderia nascer, pois nada construído pelas mãos dos homens poderia ser tão puro.

E, além disso, não era qualquer caverna. Era o complexo de Quram, as mais sagradas cavernas dos Essênios, conhecidas como o centro de estudos e congregações mais importantes daquela região.
O que é mais provável?

1) Jesus nasceu no meio das vaquinhas, cavalos e cabritos.
2) o Avatar nasceu no templo mais sagrado dos Essênios, cercado pelos melhores magos e terapeutas de sua época.

Ele nasceu no dia 25 de dezembro?

Definitivamente não. Este era o dia do Solstício de Inverno, que foi adotado pela Igreja Católica para usurpar a data de comemoração do Dies Natalis Solis Invicti, a grande festa em honra ao deus Mithra. Existem controvérsias em relação a data que Yeshua nasceu, mas as duas principais correntes são: 6 de Janeiro (data que até hoje na Europa é comemorada como o "Dia de Reis") e 20 de Maio (data que era comemorado o nascimento de Yeshua nas Igrejas Cristãs primitivas até o ano 366, quando o natal passou a ser "oficialmente" no dia 25 de dezembro). O ano estimado de seu nascimento é 7 AC.
O que é mais provável?

1) Jesus nasceu no dia 25 de dezembro.
2) A Igreja Católica usurpou esta data para associar o nascimento de um Jesus-Apolo fictício que agradasse aos romanos, aproveitando as festividades do Natalis Solis Invicti

Quem eram os 3 reis magos? E quais os presentes?

Grãos Mestres das Escolas de Mistério do Oriente. A tradição ocultista os nomeia Hormizdah (ou Melquior), rei da Pérsia, Yazdegerd (ou Balthazar), rei de Sabá e Perozadh (ou Gathaspa ou Gaspar), rei do país dos Árabes. Os presentes que eles traziam é uma alegoria ao Ritual da Criança da Luz, realizado desde o Antigo Egito até os celtas, composto de magos que representam os quatro elementos.
Eles sabiam da data do nascimento do Avatar porque eram Astrólogos e possuíam toda uma rede de mensageiros e magos dentro das Ordens Ocultas. Desta maneira, quando o filho de um rei nascia, nos parece lógico que os reis e grão-mestres das principais ordens fossem lhe prestar homenagem.
Desta forma: Melchior trouxe ouro, que representa o elemento TERRA; Balthazar trouxe mirra, que representa o elemento ÁGUA e Gaspar trouxe Incenso, que representa o elemento AR no círculo.

Ok, tio Marcelo… mas são apenas 3 reis… para fazer o círculo pagão precisamos de 4 reis-magos… e o quarto elemento?

Ora, crianças… vocês estão esquecendo o óbvio… José, pai de Jesus pertencia à linhagem de Salomão e, portanto, também era um Rei-Mago… ele representava o FOGO.

O que é mais provável?
1) três reis sábios perambulando pelo deserto no meio da neve e carregando presentes valiosíssimos são guiados por uma estrela até uma cocheira e dão estes presentes pra um bebê que estava por lá
2) Os três Reis Magos vieram prestar homenagens ao filho de um Rei-Mago que nasceu, que estava predestinado a ser o Avatar e o futuro rei dos Judeus.

E a fuga para o Egito?

Nesta altura do campeonato, vocês já devem estar pensando que não foi exatamente uma "fuga", mas sim uma viagem necessária para a Escola dos Mistérios, onde o Avatar seria iniciado nas mais sagradas tradições pelos maiores magos, mestres e professores do planeta, para no futuro dar continuidade à linhagem de Salomão e assumir o trono de Davi, libertando os judeus do domínio dos invasores romanos.

A história de Herodes mandar matar as crianças não existe em nenhum documento histórico. Provavelmente foi uma estória inventada pelo Concílio de Nicéia para acobertar o que a família de Jesus realmente foi fazer no Egito.
Existem diversos textos rosacruzes que narram as iniciações de Yeshua nas Pirâmides, da mesma forma que seu pai e da mesma forma que João Batista, seu primo, e Lázaro, irmão de sua futura esposa. Lembram-se que eu falei sobre esta iniciação por mergulho nas águas, representando as informações que foram protegidas do Dilúvio? Pois é… os cristãos passaram a conhecer esta iniciação como "batismo".
O que é mais provável?

1) uma fuga para o Egito porque algum imperador alucinado mandou matar todas as crianças de um reino.
2) O Avatar foi levado para o Egito (e posteriormente para a Europa, Africa e Ásia) para fazer todas as Iniciações que os Antigos Faraós fizeram e estudar com os maiores sábios de seu tempo, para ter o conhecimento necessário ao futuro Rei dos Judeus.

Por que a igreja inventou tantas mentiras?

Simples. Foi algo necessário para manter o poder. Constantino I era o Imperador ROMANO e Yeshua era o grande libertador JUDEU . Yeshua era praticamente o OPOSTO do que o Imperador precisava. Em segundo lugar, o concorrente direto de Jesus era Mithra, que era filho do Sol, todo poderoso, deus realizador de milagres, enquanto Yeshua era apenas um homem, como Buda. A Igreja PRECISAVA de alguma "coisa" que pudesse competir de igual para igual com um deus. E buscou características de Apolo, Dionísio, Adonis e Khrisna para "embelezar" aquele judeu revolucionário e torna-lo mais palatável ao senado romano.
Mas claro que esta versão fantasiosa do nascimento de Cristo não apareceu do nada. Precisamos entender que do Concílio de Nicéia até os dias de hoje tivemos 1700 anos de mão de ferro, inquisição e fogueiras para matar e destruir TODOS os que sabiam da verdade. Lembrem-se que a razão pela qual as Ordens Secretas são chamadas de "secretas" é que, se elas fossem expostas, seus membros seriam mortos, para garantir que todas estas coisas permanecessem enterradas.

E, como eu sempre digo, não precisam acreditar em nada do que está aqui… examinem bem os dois lados (o meu e o do Papa) e decidam por vocês mesmo qual deles faz mais sentido e tem mais lógica, de acordo com seu grau de consciência.

(Marcelo Del Debbio)
 

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Venturosa...

"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"
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(Raimundo Correia)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Arquivo...

"No fim de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.

João era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

Agora João acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.

Prosseguiu a luta.

Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

João preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

Respirou descompassado.

— Seu João. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

João baixou a cabeça em sinal de modéstia.

— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

O coração parava.

— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.

— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

Nesta noite, João não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.

Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

O corpo era um monte de rugas sorridentes.

Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:

— Seu João. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:

— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.

O chefe não compreendeu:

— Mas seu João, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

A emoção impediu qualquer resposta.

João afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.

João transformou-se num arquivo de metal."
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(Victor Giudice)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Fragilidade ateísta...


... não existem ateus numa pane de avião.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Realmente...

Como você escuta? Você escuta com suas projeções, com sua ideologia, com suas ambições, desejos, medos, ansiedades, com atenção somente ao que você quer se ouvir, somente atenta para o que será satisfatório, ao que gratifica, ao que dará o conforto, ao que no momento pode aliviar seu sofrimento? Se você escutar através da tela de seus desejos, então você escuta obviamente sua própria voz; você está escutando seus próprios desejos. E há alguma outra forma de escutar? Não é importante encontrar uma forma como escutar não somente o que está sendo dito, mas a tudo, ao ruído nas ruas, à algazarra dos pássaros, ao ruído das ondas do mar agitado, à voz de seu marido, a sua esposa, a seus amigos, ao grito de um bebê? Escutar tem a importância somente quando não está projetando unicamente próprios desejos de quem escuta. Podemos por de lado todos estes filtros através de qual escutamos e escutar realmente?
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(Krishnamurti)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Se podes...

"Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.
Se podes reparar, contempla.
Se contemplas, enlaça.
Se enlaças, penetra.
Se podes penetrar, ama."
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(José Saramago)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Da Oração...

"Orais em vão quando vos dirigis a quaisquer outros deuses que não a vós mesmos. Porque em vós está o poder de atrair, e em vós está o poder de repelir. Em vós estão as coisas que desejais atrair e em vós estão as coisas que desejais repelir.
Pois poder receber uma coisa é poder também concedê-la.
Onde há fome, há alimento. Onde há alimento, também deve haver fome. Ser afligido pela dor da fome é ser capaz de gozar da benção de estar saciado.
Sim, na indigência está o suprimento da necessidade.
Não é a chave uma autorização da fechadura? Não é a fechadura uma autorização da chave? Não são ambas, a fechadura e a chave, uma autorização da porta?
Não tenhais pressa em importunar o chaveiro cada vez que perderdes ou não souberdes onde puseste a chave. O chaveiro fez sua tarefa e a fez bem; não se deve pedir-lhe que faça o mesmo trabalho de novo, sempre. Fazei vosso trabalho e deixai o chaveiro em paz; pois ele, depois de ter-vos servido, tem mais o que fazer. Retirai o mau cheiro e o lixo de vossa memória, e certamente encontrareis a chave.
Quando Deus, o Inefável, expressou-vos, ele expressou-Se em vós. Também sois, portanto, inefáveis.
Deus não vos dotou de nenhuma fração de Si - pois Ele é indivisível - mas de toda a Sua divindade, indivisível, inefável, Ele vos dotou a todos. A que maior herança podeis aspirar? E quem ou o que pode vos impedir de vos apossardes dela senão vossa própria timidez e cegueira?
Entretanto, em vez de serem gratos por sua herança, e em vez de procurarem os meios de tomar possa dela, alguns homens - cegos ingratos! - querem fazer de Deus uma espécie de fossa, onde despejam suas dores de dente e de barriga, seus prejuízos nos negócios, suas brigas, suas vinganças e suas noites de insônia.
Outros fazem de Deus sua tesouraria exclusiva onde esperam encontrar a seu bel-prazer e a qualquer momento tudo aquilo que cobicem dentre todas as bugigangas cheias de filigranas deste mundo.
(...)Sim, os homens incumbem Deus de muitas e diversas tarefas; no entanto, poucos parecem pensar que se, de fato, Deus fosse desse modo encarregado de tantas tarefas, Ele as executaria sozinho e não precisaria de homem algum para aguilhoá-Lo a fazê-las ou para relembrá-Lo delas.
Relembrais a Deus das horas em que deve nascer o sol ou pôr se a lua?
Lembrais a Deus de fazer o grão de milho brotar para a vida naquele campo?
Tendes de lembrá-Lo daquela aranha que tece seu refúgio magistral?
Por acaso tendes de lembrá-Lo das inúmeras coisas que preenchem este ilimitado Universo?
Por que pressionais vossos egos franzinos cheios de necessidades frívolas contra Sua memória? Sois menos favorecidos a Seus olhos do que os pardais, o milho e as aranhas? Por que, como eles, não recebeis vossos dons e vos ocupais com vossas tarefas sem alarido, sem dobrar os joelhos, sem estender os braços e sem espreitar ansiosamente o amanhã?
Onde está Deus para que possais gritar-Lhe nos ouvidos vossos caprichos e vaidades, vossos louvores e queixas? Não está Ele em vós e ao redor de vós? Não está Seu ouvido muito mais próximo de vossa boca do que está vossa língua do céu da boca?
Basta a Deus Sua divindade, da qual tendes a semente.
Se Deus, tendo-vos dado a semente de Sua divindade, tivesse de cuidar dela, e não vós, qual seria vossa virtude? E se vós não tiverdes labor algum a executar, mas Deus precisar executá-lo para vós, que sentido terá, então, vossa vida? E de que valerão todas as vossas preces?
Não leveis a Deus vossas incontáveis preocupações e esperanças. Não Lhe imploreis para abrir as portas das quais Ele vos forneceu as chaves.Vasculhai antes a vastidão de vossos corações, pois na vastidão do coração encontra-se a chave de cada porta; e na vastidão do coração estão todas as coisas das quais tendes sede e fome, sejam do mal ou do bem.
(...) Vossos anseios e vossos desejos são a equipagem dessa hoste. Vossa Mente é o disciplinador. Vossa Vontade, o instrutor e o comandante.
(...) Orar, pois, é infundir no sangue um Desejo- Mestre, um Pensamento-Mestre, uma Vontade-Mestra. Trata-se, pois, de afinar o ser para que fique em perfeita harmonia com qualquer que seja o objetivo de vossa prece.
(...) Para orardes não precisais de língua nem de lábios. Mas antes necessitais de um coração silencioso e vigilante, de um Desejo-Mestre, um Pensamento-Mestre e, acima de tudo, de uma Vontade-Mestra que não duvide nem hesite, pois as palavras de nada valem quando o coração não está presente e desperto em cada sílaba. E quando o coração está presente e desperto, melhor é que a língua vá dormir ou se esconda atrás de lábios cerrados.
Nem precisais de templos para neles orardes.
Quem não pode encontrar um templo no coração, jamais encontrará seu coração em qualquer templo.
(...) Mas a vós e a todos os homens eu incumbo de orar por Compreensão. Desejar qualquer coisa que não seja isso é nunca se sentir satisfeito.
Lembrai-vos de que a chave da vida é o Verbo Criador. A chave do Verbo Criador é o Amor. A chave do Amor é a Compreensão.
Preenchei o coração com eles, poupai a língua da dor de muitas palavras e salvai a mente do peso de muitas orações; livrai o coração da servidão a todos os deuses, que desejam vos escravizar com uma dádiva, que desejam vos acariciar com uma das mãos somente para vos agredir com a outra; (...)
Sim, livrai vossos corações de todos esses deuses para que neles possais encontrar o único Deus que, tendo-vos saciado com Ele mesmo, quer ver-vos saciados para sempre.
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(O livro de Mirdad)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Maria Célia...

"Maria Célia estava gordinha. Calças apertadas, blusas só as largas e biquíni tamanho G. No último final de semana, maiô. A sua refeição preferida, bife à parmegiana com sorvete do McDonald's de sobremesa, teria que ser cortada. Ordens do nutricionista.

Maria Célia nunca foi magra e nunca ligou para isso.

Seus apelidos nunca foram magricela, cabo de vassoura ou bambu. Ela também nunca vestiu tecidos colados como cotton ou lycra. Maria Célia gosta de fritas e trufas. De catchup, ela também gosta.

Maria Célia está no terceiro colegial. Na última sexta-feira recebeu um bilhetinho na porta do banheiro feminino. A inspetora do prédio expressou um sorriso tímido e entregou o papel que estava dobrado em quatro vezes.

- Um mocinho pediu para te dar.

Ao abrir o recado, letras cortadas de revista formavam:

- Você é bonita, eu gosto de você.

Maria Célia arregalou os olhos, observou o pátio da escola e sorriu.

Ela era bonita, ele gostava dela. A identidade do admirador era desconhecida, mas Maria Célia já se sentia transformada. Agora, ela queria se gostar ainda mais.

Naquele dia à tarde, Maria Célia pediu a sua mãe para que a levasse a um nutricionista. Segunda-feira ela começaria a dieta. Pão integral pela manhã, beterraba, alface e frango grelhado no almoço.

No entanto, no domingo, horas antes da meia noite ela decidiu se despedir da vida sedentária e da gordurinha em cima do joelho. Isso merecia uma comemoração. Na cozinha, Maria Célia abriu um pacote de bolacha Passatempo recheada, mordeu a primeira e pensou:

- Eu sou bonita."
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(Clara Vanali)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mas eu...

 
"Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água."
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(Álvaro de Campos)

domingo, 13 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Afinal...

"...ensinamento bom é aquele que acaba como começa. Com uma dúvida."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A casa de hóspedes...



"O ser humano é uma casa de hóspedes...
Toda manhã uma nova chegada.

A alegria, a depressão, a falta de sentido.. como visitantes inesperados
Receba e entretenha a todos, mesmo que seja uma multidão de dores que
violentamente varrem sua casa e tira seus móveis.
Ainda assim, trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar te limpando.. para um novo prazer."
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"Se desejais chegar à casa da alma,
buscai no espelho, o rosto mais singelo."
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(Jalaluddin Rumi. Místico Sufi.)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sala de espera...

Sala de espera de dentista. Homem dos seus quarenta anos. Mulher jovem e bonita. Ela folheia uma Cruzeiro de 1950. Ele finge que lê uma Vida dentária.

Ele pensa: que mulherão. Que pernas. Coisa rara, ver pernas hoje em dia. Anda todo mundo de jeans. Voltamos à época em que o máximo era espiar um tornozelo. Sempre fui um homem de pernas. Pernas com meias. Meias de náilon. Como eu sou antigo. Bom era o barulhinho. Suish-suish. Elas cruzavam as pernas e fazia suish-suish. Eu era doido por um suish-suish.

Ela pensa: cara engraçado. Lendo a revista de cabeça para baixo.

Ele: te arranco a roupa e te beijo toda. Começando pelo pé. Que cena. A enfermeira abre a porta e nos encontra nus sobre o carpete, eu beijando o pé. O que é isso?! Não é o que a senhora está pensando. É que entrou um cisco no olho desta moça e eu estou tentando tirar. Mas o olho é na outra ponta! Eu ia chegar lá. Eu ia chegar lá.

Ela: ele está olhando as minhas pernas por baixo da revista. Vou descruzar as pernas e cruzar de novo. Só para ele aprender.

Ele: ela descruzou e cruzou de novo! Ai meu Deus. Foi pra me matar. Ela sabe que eu estou olhando. Também, a revista está de cabeça pra baixo. E agora? Vou ter que dizer alguma coisa.

Ela: ele até que é simpático, coitado. Grisalho. Distinto. Vai dizer alguma coisa...

Ele: o que é que eu digo? Tenho que fazer alguma referência à revista virada. Não posso deixar que ela me considere um bobo. Não sou um adolescente. Finjo que examino a revista mais de perto, depois digo Sabe que só agora me dei conta de que estava lendo essa revista de cabeça para baixo? Pensei que fosse em russo. Aí ela ri e eu digo E essa sua Cruzeiro? Tão antiga que deve estar impressa em pergaminho, é ou não é? Deve ter desenhos infantis do Millôr. Aí riremos os dois, civilizadamente. Falaremos nas eleições e na vida em geral. Afinal, somos duas pessoas normais, reunidas por circunstância numa sala de espera. Conversaremos cordialmente. Aí eu dou um pulo e arranco toda a roupa dela.

Ela: ele vai falar ou não? É do tipo tímido. Vai dizer que tempo, né? A senhora não acha? É do tipo que pergunta Senhora ou senhorita? Até que seria diferente. Hoje em dia a maioria já entra rachando... Vamos variar de posição, boneca? Mas espere, nós ainda nem nos conhecemos, não fizemos amor em posição nenhuma! É que eu odeio as preliminares. Esse é diferente. Distinto. Respeitador.

Ele: digo o quê? Tem um assunto óbvio. Estamos os dois esperando a vez num dentista. Já temos alguma coisa em comum. Primeira consulta? Não, não. Sou cliente antiga. Estou no meio do tratamento. Canal? É. E o senhor? Fazendo meu check-up anual. Acho que estou com uma cárie aqui atrás. Quer ver? Com esta luz não sei se... Vamos para o meu apartamento. Lá a luz é melhor. Ou então ela diz pobrezinho, como você deve estar sofrendo. Vem aqui e encosta a cabecinha no meu ombro, vem. Eu dou um beijinho e passa. Olhe, acho que um beijo por fora não adianta. Está doendo muito. Quem sabe com a sua língua...

Ela: ele desistiu de falar. Gosto de homens tímidos. Maduros e tímidos. Ele está se abanando com a revista. Vai falar do tempo. Calor, né? Aí eu digo É verão. E ele: É exatamente isso! Como você é perspicaz. Estou com vontade de sair daqui e tomar um chope. Nem me fale em chope. Você não gosta de chope? Não, é que qualquer coisa gelada me dói a obturação. Ah, então você está aqui para consultar o dentista, como eu. Que coincidência espantosa! Os dois estamos com calor e concordamos que a causa é o verão. Os dois temos o mesmo dentista. É o destino. Você é a mulher que eu esperava todos estes anos. Posso pedir sua mão em noivado?

Ele: ela está chegando ao fim da revista. Já passou o crime do Sacopã, as fotos de discos voadores... Acabou! Olhou para mim. Tem que ser agora. Digo: Você está aqui para limpeza de pernas? Digo, de dentes? Ou para algo mais profundo como uma paixão arrebatadora por pobre de mim?

Ela: e se eu disser alguma coisa? Estou precisando de alguém estável na minha vida. Alguém grisalho. Esta pode ser a minha grande oportunidade. Se ele disser qualquer coisa, eu dou o bote. Calor, né? Eu também te amo!

Ele: melhor não dizer nada. Um mulherão desses. Quem sou eu? É muita perna pra mim. Se fosse uma só, mas duas! Esquece, rapaz. Pensa na tua cárie que é melhor. Claro que não faz mal dizer qualquer coisinha. Você vem sempre aqui? Gosto do Roberto Carlos? O que serão os buracos negros? Meu Deus, ela vai falar!

- O senhor podia...
- Não! Quero dizer, sim?
- Me alcançar outra revista?
- Ahn... Cigarra ou Revista dda Semana?
- Cigarra.
- Aqui está.
- Obrigada.

Aí a enfermeira abre a porta e diz:
- O próximo.

E eles nunca mais se vêem.
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(Luis Fernando Veríssimo)

Buscador...

"Na minha opinião existem
dois tipos de viajantes: os que
viajam para fugir e os que
viajam para buscar"
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(Érico Veríssimo)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Eternos...

''Você não existe. Eu não existo. Mas estou tão poderoso na minha sede que inventei a você para matar a minha sede imensa. Você está tão forte na sua fragilidade que inventou a mim para matar a sua sede exata. Nós nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos para continuar vivendo. E porque nos inventamos um ao outro, porque éramos tudo o que precisávamos, para continuar vivendo. E porque nos inventamos, eu te confiro poder sobre o meu destino e você me confere poder sobre o teu destino. Você me dá seu futuro, eu te ofereço meu passado. Então e assim, somos presente, passado e futuro. Tempo infinito num só, esse é o eterno.''
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(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lição de preto velho...

"Dando início a uma destas reuniões mediúnicas num centro espírita orientado pela doutrina de Allan Kardec, foi feita a prece de abertura por um dos presentes. Iniciando-se as manifestações, pequenas mensagens de consolo e apoio foram dadas pelos desencarnados aos membros da reunião.
 

Quando se abriu o espaço destinado à comunicação de espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia ficou sob a influência de um Espírito. O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas-vindas,em nome de Jesus.
 

- Seja bem-vindo, meu irmão, nesta casa de caridade, disse-lhe Dr. Anestor.
O espírito respondeu:
- Boa noite, fio. Suncê me dá licença prá eu me aproximá de seus trabalhos, fio?".

- Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor da mesa.
 

Todos os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, a entidade continuou:
 

-"Vósmecê não tem aí uma cachacinha prá eu bebê, fio?".
- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz dos terreiros, que é o de ingerir bebidas alcoólicas. O Espírito precisa evoluir, completou o dirigente.

- Vósmecê num tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, fio.
- Ora, meu irmão, você deve deixar o mais breve possível este hábito adquirido nas práticas de terreiro, se é que queres progredir. Que benefícios traria isso a você?
 

O preto-velho respondeu:
 

- Preto-véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos médiuns não faz uso do cigarro, fio? Suncê mesmo num toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que beberica `whisky' lá fora, do meu Espírito que quer beber aqui dentro? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncês fuma na rua, daquele que eu quero pitar aqui dentro, fio?
 

Dr. Anestor não pôde explicar, mas resolveu arriscar: 
- Ora, meu amigo, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar os trabalhos de Jesus. 

O preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:
- Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita. Para nós, estudiosos da alma, o templo da verdade é o do Espírito. E é ele que está sendo profanado com o uso do álcool e do fumo, como vêm procedendo os senhores. Vosso exemplo na sociedade, perante os estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. 

A lição do próprio comportamento é fundamental na vida de quem quer ensinar.
 

Houve grande silêncio diante de tal argumentação segura.
 

Pouco depois, o Espírito continuou:
- Suncê me adescurpa a visitação que fiz hoje, e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para donde vim, mas antes, fio, queria deixar a suncês um conselho: que tomem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Sinhô', tem gente coando mosquito e engolindo camelos.
- Cuidado, irmãos, muito cuidado. Preto-véio deixa a todos um pouco da paz que vem de Deus. Ficam meus sinceros votos de progresso a todos os que militam nesta respeitável Seara".
 

Dado o conselho, afastou-se para o mundo invisível. Dr. Anestor ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma", mas não houve resposta.
 

No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma  importante lição para todos meditarem.."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Jabá - Acesso remoto...

Acesso remoto é a forma que uma pessoa tem, estando fisicamente distante do computador alvo, de ganhar acesso a este computador. Ou seja, você, através de seu computador, pode ter acesso, remotamente, a um computador qualquer e usá-lo como se estivesse trabalhando diretamente nele.

Está no trabalho e esqueceu a apresentação do trabalho pro chefe em casa?
Está na casa da namorada e a sua mãe não consegue usar o gravador de cd?

Com o conhecimento e alguns programas específicos, você tem acesso total ao seu desktop de qualquer parte do mundo. Alguns dos programas como o LogMeIn, o Team Viewer que sem nenhuma dificuldade, você poderá compartilhar seu desktop com qualquer pessoa da internet, o CrossLoop que controla o computador de qualquer amigo pela internet ou o RealVNC que lhe dá total controle sobre o computador alheio, são uma das opções.

http://www.baixaki.com.br/categorias/292-acesso-remoto.htm (Aqui estão alguns dos programas para download)

http://www.guiadohardware.net/guias/10/ (Guia do Acesso Remoto. Este guia fala sobre as várias opções de acesso remoto disponíveis e te ensina como usar ao máximo os recursos de cada ferramenta, tanto no Linux, quanto no Windows.)

Eis um vídeo que demonstra como "invadir" um computador para ajudar, através do msn! (http://www.youtube.com/watch?v=cCk6c2f8xi8)

Aproveite!

Obs.: Cuidado para que não percas o amigo, se complique todo e estrague a sua vida. :(

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Qual seria...

"Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?" (Confúcio)

domingo, 29 de novembro de 2009

Ponto de vista...

"Fim de tarde, um ginecologista aguarda sua ultima paciente que não chega.
Depois de 45 minutos, ele supõe que ela não virá e resolve tomar uma gin tónica para relaxar, antes de voltar para casa.
Ele se instala confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha. A tal paciente, que chega toda sem graça e pede mil desculpas pelo atraso.
- Não tem importância, imagine! - responde o médico.
- Olhe, eu estava tomando uma gin Tonica enquanto a esperava. Quer uma também para relaxar?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele lhe serve um copo, senta-se na sua frente e começam a bater papo.
De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório.
O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- Minha mulher!
Rápido, tire a roupa, deite na cama e abra as pernas, senão ela pode pensar bobagem!"

sábado, 28 de novembro de 2009

Vai passar...

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez."
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(Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Seriedade...

"Não saberemos analisar nossa seriedade com rigor, em alguns momentos, a menos que sejamos divertidos o tempo todo."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Impermanência...


Se você sofre, não é porque as coisas são impermanentes. É porque você crê que as coisas são permanentes. Quando uma flor morre, não sofremos muito, porque entendemos que as flores são impermanentes. Mas você não pode aceitar a impermanência de uma pessoa amada, e sofre profundamente quando ela morre. Se você olhar a impermanência em profundidade, fará o melhor que puder para fazer essa pessoa feliz agora. Consciente da impermanência, você se torna positivo, amoroso e sábio. Impermanência é boa notícia. Sem impermanência nada seria possível. Com impermanência toda porta é aberta para a mudança. Em lugar de lastimar, deveríamos dizer: Longa vida para a impermanência. Impermanência é um instrumento para nossa liberação.
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(Thich Nhat Hanh. Cultivando a Mente de Amor")

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Soneto de indiferença...


"Eu fui teu verso, eu fui a tua lira!
Brinquei, no teu olhar, em trajes de ouro
Tornei-me a carapaça de um besouro

Que – por não mais servir – ele retira!

Levaste à boca o pão que eu repartira
Com as mãos que te ofertaram meu tesouro
Meteste, entre os meus dedos, mau agouro

Sou hoje o teu reverso, outra mentira!

Mas posso asseverar que não me importa
Fertilizar a terra pr’outra horta
E ver arrebentarem-lhe as raízes

Eis o que faço e tu jamais o fazes
De minha parte eu fiz, com a vida, as pazes
Enquanto és inimigo, mas não dizes!"
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(Clarrissa Yemisi)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Identidade...

"Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço"

(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Entrega...

"Entenda, a vida tem me embalado de um jeito tão único que só encontrei meus passos com total entrega.
Quando desando, sei bem o que quero... mas não sei se posso.
Não quero licença para ser feliz.
Não mais."
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(Cecília Braga)

domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Palmares...



"A cultura e o folclore são meus
Mas os livros foi você quem escreveu
Quem garante que palmares se entregou
Quem garante que Zumbi você matou
Perseguidos sem direitos nem escolas
Como podiam registrar as suas glórias
Nossa memória foi contada por vocês
E é julgada verdadeira como a própria lei
Por isso temos registrados em toda história
Uma mísera parte de nossas vitórias
É por isso que não temos sopa na colher
E sim anjinhos pra dizer que o lado mal é o candomblé
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A influência dos homens bons deixou a todos ver
Que omissão total ou não
Deixa os seus valores longe de você
Então despreza a flor zulu
Sonha em ser pop na zona sul
Por favor não entenda assim
Procure o seu valor ou será o seu fim
Por isso corre pelo mundo sem jamais se encontrar
Procura as vias do passado no espelho mas não vê
E apesar de ter criado o toque do agogô
Fica de fora dos cordões do carnaval de salvador
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não"
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(Natiruts)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Guia...

"Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me pegou pela mão e me levou. O medo leva-me ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado".
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(Clarice Lispector)
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"Por ter a coragem de trazer a luz da consciência aos lugares dolorosos em sua psique, um milagre acontece. Este ato instiga uma cura, um processo criativo que é bem mais rico do que o que você barganhou. Ela abre as profundidades não nebulosas da aventura interior. Persista com coragem.

A vida mais atenção-consciente... então a felicidade surge, porque na consciência, na luz da consciência, a escuridão do ego desaparece."
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(Osho. The Pathless Path,Vol. 1, Capítulo 1)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desassossego...

“Foi no livro A caverna, de José Saramago, que o personagem Cipriano Algor definiu seu genro Marçal como um homem ´da raça dos desassossegados de nascença´. Logo pensei ao ler, ´eu também sou´, assim como você deve estar pensando, ´me inclua nessa´. À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos. Bem, desde que tenhamos duas características: a inquietação (que nos torna insuportavelmente exigentes conosco) e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, esse adversário implacável.

Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constantemente, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.

Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.

Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.

Desassossegados não podem mais ver o telejornal porque choram, não podem mais sair às ruas porque tremem, não podem mais aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, madrugadas e no silêncio dos bueiros.

Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando sua abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente. Desassossegados tem insônia e são gentis, as verdades imutáveis os incomodam, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com a idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente. Dessa raça, somos todos, eu sou e só sossego quando me aceito."
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(Martha Medeiros)