terça-feira, 30 de setembro de 2008

Guia do (pseudo) inteligente...


Este pequeno guia tentará dar algumas táticas simples para fingir erudição, cultura, etc.

Pintura
Lembre-se dessa regra simples: Toda pintura clássica é a relação do homem com Deus. Toda a pintura moderna é a relação do homem com o homem em um mundo sem Deus.

Se você está parado na frente de um quadro cheio de respingos, manchas e qualquer outra coisa que uma criança no pré faria, finja estar concentrado e se perdendo na “narrativa emocional tão presente nas pinceladas”. Diga que você quase pode sentir a pulsação do autor e sua frustração com o mundo moderno. Note que o pintor abandonou qualquer tentativa de mudar o mundo com sua arte e se concentra em mudar nós, o seu público.

E emende: “E atinge de forma exemplar seu objetivo”.

Pintores que você DEVE gostar: Van Gogh, Magritte, Pollock, Caravaggio, Goya, Da Vinci.

Nota: Pessoas realmente inteligentes como você por terem um intelecto tão grande são extremamente seletivos, logo esnobar algum pintor de renome não é apenas natural como desejado, já que expressa personalidade. Critique Degas, Frida e Picasso (não importa qual você escolha diga algo como “o maior atraso para a pintura nos últimos 100 anos!”).

Filmes
Blockbusters são acéfalos e entretenimento das massas. Pão e circo. Feito por uns fariseus que querem matar a sétima arte. Diga que nenhum diretor americano sequer chegou perto de “Morangos Silvestres” (você nem precisa saber nada, já que a maioria também não vai).

Diretores que você DEVE gostar: Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Robert Altman, Woody Allen, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni e qualquer cara francês.

Citações
Use citações sempre e sempre. Um indivíduo culto e instruído como você não precisa expressar seus próprios pensamentos e sua própria opinião sendo que você sabe que houve pessoas célebres muito mais inteligentes e cultas que qualquer um na sala que disse algo definitivo a respeito do assunto.

Nota: Se você encontrar alguém que esteja usando esta técnica o desafie. Pessoas cultas sempre têm duelos intelectuais onde seus neurônios são postos à prova. Em algum momento diga: Como Voltaire disse: “Uma boa citação não prova nada”. O que é, em si mesma, uma citação e que portanto não prova nada, mas que por causa desse viés irônico e metalinguístico fará muito sucesso por ser pós-moderno.

Pensadores que você DEVE gostar: Nietzsche, Voltaire, Oscar Wilde, Einstein, Gandhi, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinícios de Moraes e a unanimidade: Confúcio.

Aliás, Confúcio é meio que o Capitão Óbvio. Se não tem nada para dizer diga: “Como Confúcio disse, merda faz flores crescerem e isso é lindo”. Ou “Como Confúcio disse, virgindade é como bolhas. Basta cutucar e ela se vai” ou ainda “Como Confúcio disse, calcinhas não são a melhor coisa do mundo, mas ficam bem próximas disso”.

Filosofia
A Filosofia não é como a ciência, onde se você se concentrar em Newton, por exemplo, logo que você encontrar um sujeito obcecado com Einstein você será o bundão da sala. Em Filosofia, mesmo dizendo algo completamente diferente de todos, um filosofo dentro de seu sistema de pensamento está certo. Ao menos possui lógica interna. E, lembre-se dessas palavras: “após o mundo pós-moderno fragmentar e relativizar a noção de verdade e conhecimento, mostrou-se que nossos sistemas por mais refinados que sejam jamais poderão nos dar um conhecimento da coisa-em-si que nunca teremos contato. Resta que tudo é uma amálgama de conhecimento a priori e a posteriori que podem nos levar a lugar nenhum”.

O que isso quer dizer? Não estou certo, mas uma parte é que não há verdade.
Especialize-se em um filósofo, i.e, aprenda uma ou duas frases deles, período histórico e principal obra (veja na Wikipédia). Improvise no meio da conversae critique qualquer outro. Simples. Por exemplo, você acabou de ver Juno e tem uma discussão sobre aborto com seus amigos. Você é um especialista em Platão, improvise, cite o mundo das idéias, que a idéia do bebê existe antes dele e que portanto o aborto é anti-natural. Cruze os dedos e torça para ninguém lhe lembrar de que na Grécia o aborto não era nem mesmo discutido pois se nascia uma criança com defeitos eles simplesmente jogavam montanha abaixo.

Filósofos que você DEVE ter conhecimento: Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Hobbes, Rosseau, Hume, Sartre, Hegel e talvez Marx.
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E se tudo isso falhar, tente ser engraçado.

(Autor desconhecido)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Professores x Educadores

Em uma escola estava ocorrendo uma situação inusitada:
Uma turma de meninas de 12 anos que já usavam batom, todos os dias removiam o excesso beijando o espelho do banheiro.

O diretor da escola andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom…

Um dia o diretor juntou a turma de meninas e o zelador no banheiro, e lá explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam.

Depois de uma hora falando, pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.

Nunca mais apareceram marcas no espelho!

sábado, 27 de setembro de 2008

Eternidade...

"Milhares dos que anseiam pela eternidade não sabem o que fazer consigos mesmos numa tarde de domingo chuvosa..."

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Independência emocinal...

"No início da nossa vida e de novo, quando envelhecemos, precisamos da ajuda e a afeição dos outros. Infelizmente, entre estes dois períodos da nossa vida, quando somos fortes e capazes de cuidar de nós, negligenciamos o valor da afeição e da compaixão. Como a nossa própria vida começa e acaba com a necessidade da afeição, não seria melhor praticarmos a compaixão e o amor pelos outros enquanto somos fortes e capazes?"
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As palavras acima são do atual Dalai Lama. Realmente é muito curioso ver que nos orgulhamos de nossa independência emocional.
Claro, não é bem assim: continuamos precisando dos outros em nossa vida inteira, mas é uma vergonha demonstrar isso, então preferimos chorar escondidos. E quando alguém nos pede ajuda, esta pessoa é considerada fraca, incapaz de controlar seus sentimentos.
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Existe uma regra não escrita, afirmando que o mundo é dos fortes, e que sobrevive apenas o mais apto. Se assim fosse, os seres humanos jamais existiriam, porque fazem parte de uma espécie que precisa ser protegida por um largo período de tempo (especialistas dizem que somos apenas capazes de sobreviver por nós mesmos depois dos 9 anos de idade, enquanto uma girafa leva apenas de seis a oito meses, e uma abelha já é independente em menos de 5 minutos).
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Estamos neste mundo. Eu, de minha parte, continuo - e continuarei sempre - dependendo dos outros. (...)
Como qualquer pessoa sadia, necessito também de solidão, de momentos de reflexão.
Mas não posso me viciar nisso.
A independência emocional não leva a absolutamente lugar nenhum - exceto a uma pretensa fortaleza, cujo único e inútil objetivo é impressionar os outros.
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A independência emocional, por sua vez, é como uma fogueira que acendemos.
Da mesma maneira que o fogo, é necessário conformar-se com a fumaça desagradável - que torna a respiração difícil e arranca lágrimas do rosto. Entretanto, uma vez que o fogo aceso, a fumaça desaparece, e as chamas iluminam tudo ao redor - espalhando calor, calma e eventualmente fazendo saltar uma brasa que nos queima, mas é isso que torna uma relação interessante, não é verdade?
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Comecei esta coluna citando um Prêmio Nobel da Paz sobre a importância das relações humanas. Termino com o professor Albert Schweitzer, médico e missionário, que recebeu o mesmo Prêmio Nobel, 1952.
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"Todos nós conhecemos uma doença na África Central chamada de doença do sono. O que precisamos saber é que existe uma doença semelhante que ataca a alma - e que é muito perigosa, porque se instala sem ser percebida. Quando você notar o menor sinal de indiferença e de falta de entusiasmo com relação ao seu semelhante, fique alerta!
A única maneira de prevenir-se contra esta doença é entendendo que a alma sofre, e sofre muito, quando a obrigamos a viver superficialmente. A alma gosta de coisas belas e profundas."
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domingo, 14 de setembro de 2008

sábado, 6 de setembro de 2008

Filosofando: A progressão continuada...

A ignorância em torno da progressão continuada começa pelo engano de confundi-la com sua contrafação: aquela que continua admitindo as reprovações nas passagens dos ciclos ou que usa esse sistema apenas para voltar à antiga divisão do ensino fundamental em dois níveis (agora chamados ciclos), de quatro séries cada um. Ora, a principal característica da progressão continuada é, precisamente, a eliminação da reprovação, o que constituiu o maior avanço pedagógico proposto pelas políticas públicas em educação no Século XX. Progressão continuada significa que se progride continuamente, sem o “regime estúpido das repetições de série”, como o chamava Anísio Teixeira. E a eliminação da reprovação é precisamente o principal foco de resistência daqueles que se opõem à progressão continuada, o que denota, no mínimo, a total ignorância dos fundamentos da ação educativa.
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A reprovação escolar não é estúpida apenas porque destrói a auto-estima do educando, num processo antieducativo que despreza o mais importante na relação pedagógica, ou seja, a condição de sujeito do aluno, a única que permite o êxito no aprendizado. Ela é estúpida também por motivos que poderiam estar à disposição mesmo de quem não tenha conhecimentos especializados em pedagogia. Isso porque a reprovação, a pretexto de pôr, no aluno, a culpa por um fracasso que é de todo o sistema escolar, revela-se a própria negação do mais comezinho processo avaliativo, necessário a qualquer prática humana, individual ou coletiva. Ao invés de um processo contínuo e permanente de avaliação de todos os elementos envolvidos, acompanhando o desenrolar da atividade, corrigindo-lhe os rumos e adequando os meios aos fins, opta-se por um processo irracional que espera um ano inteiro para, em vez de corrigir os erros, apenas condenar o aluno a repetir todo um ano do mesmo ensino medíocre.
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Um dos grandes problemas da ignorância com relação às questões pedagógicas é que ela funciona de modo perverso, invertendo causas e efeitos do mau ensino. Assim, em vez de se reconhecer, na não-retenção, a virtude de pôr à mostra o mau desempenho da escola atual — que, mesmo com a permanência do aluno por vários anos, proporcionada pela promoção compulsória, não consegue educá-lo —, passa-se a imputar a culpa à progressão continuada, como se a causa do não-aprendizado fosse a promoção e não a ausência de bom ensino. Até pessoas que se dizem progressistas se põem a dizer que estamos excluindo os alunos ao aprová-los, sem perceberem que o que os exclui não é a promoção, mas a falta de ensino de qualidade que costuma ser acobertada precisamente pela reprovação e inculpação das vítimas do ensino ruim.
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A resistência à progressão continuada alimenta-se da ignorância, pois não se aprende a reprovar pelo estudo e pelo conhecimento, mas pela falta deles. Da mesma forma, ninguém nasce reprovador, assim como ninguém nasce violento: assimilam-se essas condutas ao se experimentar a reprovação e a violência desde criança. A escola, ao reprovar e culpar o aluno pela incompetência que é dela, está “preparando” futuros adultos que se culpam, que reprovam e que se opõem à progressão continuada, todos eles ignorantes das verdadeiras causas do mau ensino de que eles também são vítimas.
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(Vitor Henrique Paro)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Kalama Sutra...

"Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no
que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é
razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o
aceiteis e façais disto a base de sua vida."


(Gautama Buda)