quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sempre igual...

E todo dia ela aparece sem avisar
Me agarra diz que nunca vai largar

Tudo é sempre igual
Tudo é sempre igual

E todo dia eu ensaio uma conclusão
Ela vem e me entope de paixão

Mas é tudo igual
Tudo é sempre igual

Não posso mais não dá mais pra levar
Eu saio por ai pensando em não voltar
Mas volto atrás com medo de recomeçar

Mas é tudo igual
Tudo é tão igual
Ela é sempre igual

E todo dia ela me pede pra escolher
Entre ela e o jogo na tv
Tudo é sempre igual
Tudo é sempre igual

E quando finalmente enxerga minha apreensão
Me beija com urgência e aflição

Mas é tudo igual
Tudo é sempre igual
Ela é sempre igual

Não posso mais não dá mais pra levar
Eu saio por ai pensando em não voltar
Mas volto atrás com medo de recomeçar

Mas é tudo igual
Tudo é tão igual
Vai ser sempre igual

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(Moptop) http://www.youtube.com/watch?v=36-ZPp1BaZw

domingo, 27 de julho de 2008

Amor epidérmico...

Seus pais foram jantar fora e deixaram o apartamento só para você, seu namorado e a tevê a cabo. Que inconseqüentes! Em menos de um minuto vocês deixam a televisão falando sozinha e vão ensaiar umas cenas de amor no quartinho dos fundos. De repente, escutam o barulho da fechadura. Seu pai esqueceu o talão de cheques. Passos no corredor. Antes que você localize sua camiseta, sua mãe se materializa na porta. Parece que ela está brincando de estátua, mas não resta dúvida que entrou em estado de choque. Você diz o quê? Mãe, a carne é fraca.
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A desculpa é esfarrapada mas é legítima. Nada é mais vulnerável que nosso desejo. Na luta entre o cérebro e a pele, nunca dá empate. A pele sempre ganha de W.O.
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Você planeja terminar um relacionamento. Chegou à conclusão que não quer mais ter a seu lado uma pessoa distante, que não leva nada à sério, que vive contando piadinhas preconceituosas e que não parece estar muito apaixonado. Por que levar a história adiante?
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Melhor terminar tudo hoje mesmo. Marca um encontro. Ele chega no horário, você também. Começam a conversar. Você engata o assunto. Para sua surpresa, ele ficou triste. Não quer se separar de você. E para provar, segura seu rosto com as duas mãos e tasca-lhe um beijo. Danou-se.
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Onde foram parar as teorias, os diálogos que você planejou, a decisão que parecia irrevogável? Tomaram Doril. Você agora está sob os efeitos do cheiro dele, está rendida ao gosto dele, está ligada a ele pela derme e epiderme. A gravação do seu celular informa: seus neurônios estão fora da área de cobertura ou desligados.
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Isso nunca aconteceu com você? Reluto entre dar-lhe os parabéns ou os pêsames. Por um lado, é ótimo ter controle absoluto de todas as suas ações e reações, ter força suficiente para resistir ao próprio desejo. Por outro lado, como é bom dar folga ao nosso raciocínio e deixar-se seduzir, sem ficar calculando perdas e danos, apenas dando-se ao luxo de viver o seu dia de Pigmaleão.
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A carne é fraca, mas você tem que ser forte, é o que recomendam todos. Tente, ao menos de vez em quando, ser sexualmente vegetariano e não ceder às tentações. Se conseguir, bravo: terá as rédeas de seu destino na mão. Mas se não der certo, console-se. Criaturas que derretem-se, entregam-se, consomem-se e não sabem negar-se costumam trazer um sorriso enigmático nos lábios. Alguma recompensa há de ter.
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(Martha Medeiros)

terça-feira, 22 de julho de 2008

As 4 máscaras...

Carl Gustav Jung, um dos fundadores da psicanálise moderna, costumava dizer que nós todos bebemos em uma mesma fonte. Para definir isso, desenvolveu uma teoria cuja origem pode ser encontrada no trabalho dos antigos alquimistas, que chamavam esta fonte de "alma do mundo" (Anima Mundi).
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Segundo esta teoria, sempre tentamos ser indivíduos independentes, mas uma parte de nossa memória é a mesma. Independentemente de credo ou cultura, todos buscam o ideal da beleza, da dança, da divindade, da música.
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A sociedade, entretanto, se encarrega de definir como estes ideais vão se manifestar no plano real. Por exemplo, hoje em dia o ideal de beleza é ser magra, enquanto há milhares de anos as imagens das deusas eram gordas. O mesmo acontece com a felicidade: existe uma série de regras que, se você não seguir, seu consciente não aceitará a idéia de que é feliz. Essas regras não são absolutas e mudam de geração para geração.
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Jung costumava classificar o progresso individual em quatro etapas: a primeira era a Persona - máscara que usamos todos os dias, fingindo quem somos. Acreditamos que o mundo depende de nós, que somos ótimos pais e nossos filhos não nos compreendem, que os patrões são injustos, que o sonho do ser humano é não trabalhar nunca e passar a vida inteira viajando. Algumas pessoas procuram entender o que está errado e terminam encontrando a Sombra.
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A Sombra é o nosso lado negro, que dita como devemos agir e nos comportar. Quando tentamos nos livrar da Persona, acendemos uma luz dentro de nós e vemos as teias de aranha, a covardia, a mesquinhez. A Sombra está ali para impedir nosso progresso - e geralmente consegue, voltamos correndo para ser quem éramos antes de duvidar. Entretanto, alguns sobrevivem a este embate com suas teias de aranha, dizendo: "Sim, tenho uma série de defeitos, mas sou digno e quero ir adiante."
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Neste momento, a Sombra desaparece e entramos em contato com a Alma.
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Por Alma, Jung não está definindo nada religioso; fala de uma volta à Alma do Mundo, fonte do conhecimento. Os instintos começam a se tornar mais aguçados, as emoções são radicais, os sinais de vida são mais importantes que a lógica, a percepção da realidade já não é tão rígida. Começamos a lidar com coisas com as quais não estamos acostumados, passamos a reagir de maneira inesperada para nós mesmos.
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E descobrimos que, se conseguimos canalizar todo este jorro de energia contínua, vamos organizá-lo em um centro muito sólido, que Jung chama de o Velho Sábio para os homens, ou a Grande Mãe para as mulheres.
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Permitir esta manifestação é algo perigoso. Geralmente, quem chega ali tem a tendência a considerar-se santo, domador de espíritos, profeta.
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Não apenas as pessoas, mas as sociedades também usam estas quatro máscaras. A civilização ocidental tem uma Persona, idéias que nos guiam e que parecem verdades absolutas.
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Mas as coisas mudam. Em sua tentativa de adaptar-se às mudanças, vemos as grandes manifestações de massa, onde a energia coletiva pode ser manipulada tanto para o bem como para o mal (Sombra). De repente, por alguma razão, a Persona ou a Sombra já não satisfazem - é chegado o momento de um salto, novos valores começam a surgir (mergulho na Alma).
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E no final deste processo, para que estes novos valores se instalem, a raça inteira começa a entrar de novo em contato com a linguagem dos sinais (o Velho Sábio).
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É exatamente isso que estamos vivendo agora. Pode durar 100 ou 200 anos, mas as coisas estão mudando - para melhor.

sábado, 19 de julho de 2008

Ofensas...

Durante sua peregrinação a Meca, um homem santo começou a sentir a presença de Deus. No meio de um transe, ajoelhou-se, escondeu o rosto e rezou:

"Senhor, quero pedir apenas uma coisa na minha vida: que eu tenha a graça de jamais ofendê-lo."

"Não posso conceder esta graça", respondeu o Todo-Poderoso.

"Se você Me ofender, não terei motivos para perdoá-lo. Se Eu não preciso perdoá-lo, você em breve esquecerá também a importância da misericórdia para com os outros. Por isso, continue o seu caminho com amor e deixe-me praticar o perdão de vez em quando, para que você também não se esqueça dessa virtude."

terça-feira, 15 de julho de 2008

O caminho da luz...

"Durante anos busquei a iluminação", disse o jovem.
"Sinto que estou perto. Quero saber qual o próximo passo."
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"E como você se sustenta?", perguntou o mestre.
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"Meu pai e minha mãe me ajudam."
"O próximo passo é olhar o sol por meio minuto."
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Quando acabou, o mestre pediu que descrevesse o campo à sua volta.
"Não consigo, o brilho dos raios ofuscou meus olhos", respondeu o jovem.
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"Quem mantém os olhos fixos no sol, termina cego. Quem apenas busca luz e deixa suas responsabilidades para os outros, esquece a condição humana e também termina cego", foi o comentário do mestre.

domingo, 13 de julho de 2008

O caminho da compaixão...

O jovem disse ao abade zen:
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"Gostaria de entrar para o mosteiro, mas nada do que aprendi tem importância. Tudo o que meu pai me ensinou foi jogar xadrez, o que não serve para atingir a iluminação."
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O abade pediu um tabuleiro, chamou um monge e mandou-o jogar com o rapaz, acrescentando:
"Quem perder, morrerá!"
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O rapaz sentiu que lutava por sua vida e o tabuleiro tornou-se o centro do mundo. Entretanto, como sabia todas as estratégias, logo viu que o monge ia ser derrotado. Preparava-se para o golpe final, quando notou o olhar de santidade do seu adversário.
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Começou a jogar errado de propósito; preferia morrer, pois o monge podia ser mais útil à humanidade.
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De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão: "Você aprendeu mais do que lhe ensinaram", disse.
"Sabe que o caminho para a luz não é feito apenas de concentração, mas também de compaixão. Aceito-o como meu discípulo."

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O caminho do poeta...

Em apenas três linhas, no final de um dos mais belos poemas da literatura universal, Robert Frost resume a condição humana:

"Diante de mim estavam dois caminhos;
Eu escolhi o que era menos utilizado.
E isso fez toda a diferença."

domingo, 6 de julho de 2008

Início...

Onde você estiver, é sempre o início. É por isso que a vida é tão bela, tão jovem, tão virgem.
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Quando você começar a pensar que algo está completo, começará a ficar morto. A perfeição é morta; assim, os perfeccionistas são suicidas. Desejar ser perfeito é uma maneira indireta de cometer suicídio. Nada jamais é perfeito, não pode ser, porque a vida é eterna. Nada jamais se conclui; não existe conclusão na vida – apenas pontos cada vez mais elevados.
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Quando você atinge um ponto culminante, um outro está desafiando-o, chamando-o, convidando-o. Assim, lembre-se sempre de que onde você estiver é sempre um início. Então você sempre permanece uma criança, você permanece virgem. E esta é toda a arte da vida: permanecer virgem, permanecer novo e jovem, não corrompido pela vida, não corrompido pelo passado, não corrompido pela poeira que normalmente se junta nas estradas da jornada.
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Lembre-se: cada momento abre uma nova porta.
Isso é muito ilógico, porque sempre pensamos que, se houver um começo, deverá haver um fim. Mas nada pode ser feito. A vida é ilógica: ela tem um começo, mas não um fim. Nada que está realmente vivo jamais termina, mas segue continuamente em frente.
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(Osho)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Meu olho dói...

Um camponês aproximou-se de Nasrudin e queixando-se de que seu olho doía, pediu-lhe um conselho.

Então Hodja disse-lhe:

- Outro dia meu molar doía, e não me acalmei enquanto não o arranquei.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Procure...

Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"
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(Fernando Pessoa)