domingo, 29 de junho de 2008

O tempo...

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
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(Mário Quintana)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aí tem...

As coisas são como são. Se alguém diz que está calmo, é porque está calmo. Se alguém diz que te ama, é porque te ama. Se alguém diz que não vai poder sair à noite porque precisa estudar, está explicado. Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.
Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: "O que é que está havendo?". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.
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Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: "Que alegria é essa?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.
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Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.
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Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?
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É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem.
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(Martha Medeiros)

domingo, 22 de junho de 2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

Nada falta...

Nada está faltando, tudo é como deveria ser. Cada um já é perfeito. A perfeição não é para ser alcançada, ela já está presente. No momento em que você aceita a si mesmo, ela é revelada.
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Se você não aceita a si mesmo, ficará perseguindo sombras, miragens, distantes miragens. E elas somente parecem belas quando você está muito distante delas. Quanto mais próximo você chegar, mais descobrirá que nada existe, somente areia; era uma miragem. Então você cria uma outra miragem, e é assim que as pessoas desperdiçam sua vida inteira.
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Simplesmente aceite a si mesmo como você é, nada deve ser condenado, nada deve ser julgado. Não há como julgar, como comparar, porque cada pessoa é única. Nunca existiu uma pessoa como você e nunca existirá novamente; assim, você está sozinho e a comparação não é possível. E essa é a maneira que a existência deseja que você seja, e esse é o motivo de você ser dessa maneira. Não brigue com a existência e não tente se aperfeiçoar, ou criará uma confusão. É assim que as pessoas criaram uma confusão a partir de suas vidas.
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Portanto, esta é minha mensagem a você: aceite a si mesmo. Será difícil, muito difícil, porque a mente idealista está sempre observando e dizendo: "O que você está fazendo? Isso não é o correto a ser feito! Você precisa se tornar notável, precisa se tornar um Buda ou um Cristo ou seja lá quem for - o que você está fazendo? Isso não se parece com um Buda, você está se comportando como um tolo. Você ficou maluco?"
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Aceite a si mesmo. Nessa aceitação está o estado búdico.

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(Osho)

sábado, 14 de junho de 2008

Amor-próprio

"Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável, pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama amor-próprio" (Chaplin)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Identificação: ´Sacanagens domésticas´

Morar com nossos pais, a partir da chegada da adolescência, começa a se tornar uma porcaria.
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É nessa época que o tradicional espírito de inconformação e de revolta contra imagens de autoridade começa a dar as caras, provocando em tantos lares aqueles confrontos totalmente desnecessários com as figuras paternas. E estes, que por algum motivo estranho recebem o fenômeno com surpresa (como se a insubordinação adolescente fosse algum tipo de evento inédito), respondem à revolta juvenil reforçando sua autoridade numa fútil tentativa de manter as rédeas da família. “Mostrar quem é que manda”, como se diz popularmente, com o sufixo “…nesta porra” geralmente adicionado.
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O resultado desse atrito entre pais atingindo a meia idade e filhos chegando à puberdade é uma desagradável guerra fria dentro da sua própria casa - um lado testando os limites do outro, gradualmente aumentando as provocações/punicões, vendo até onde pode antagonizar a outra pessoa até que ela finalmente exploda e retalie arranhando os CDs do Roberto Carlos de um, ou “acidentalmente” atropelando o cachorro do outro. Sim, eu acidentalmente dei ré e passei por cima do cachorro de novo oito vezes, filho.
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Na minha casa, o maior motivo das confusões era a minha preguiça e aparente recusa em colaborar com os afazeres domésticos. Me faltava iniciativa pra limpar a casa por conta própria, e eu só fazia isso se fosse diretamente comandado (múltiplas vezes) a executar a tarefa. E, quando finalmente fazia o que me era pedido, fazia da forma mais preguiçosa e desleixada possível, garantindo que alguma outra pessoa teria que refazer a tarefa ao mesmo tempo que resmungava a respeito da minha inutilidade.
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Atire a primeira pedra quem não passou os últimos três anos da sua adolescência emulando esse exato comportamento.
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Meu pai, compreensivelmente, ficava putíssimo com a minha vagabundagem, mas ele levou minha preguiça como indício de uma malícia maior - ele interpretava meu desleixo como uma declaração oficial de guerra, como se eu estivesse propositalmente ignorando as responsabilidades domésticas para provocá-lo de forma sutil. Ele estava determinado a crer que minha atitude era uma sofisticada tática de guerrilha psicológica que tinha como propósito deixá-lo louco. Louça suja na pia, camiseta no meio da sala, meias sujas abandonadas na escada, DVDs esquecidos embaixo da mesa de centro e por aí vai. Tudo calculado pra provocá-lo, ele pensava.
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Realmente não era o caso. Eu tinha apenas preguiça demais de organizar minha própria bagunça, e em alguns casos se tratava até mesmo de uma espécia de cegueira seletiva não-voluntária - é como se eu nem visse a bagunça.
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Independente de como eu tentava explicar que meu desinteresse nas tarefas era idôneo, meu pai havia se convencido religiosamente que a minha missão era causar sua raiva. Nem Jesus Cristo em pessoa poderia convence-lo do contrário, nem que usasse todo seu repertório de mágicas.
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Hoje, por ter me tornado o “chefe figurativo” do novo lar (sou o homem mais velho da casa, detentor do salário mais alto, e como toda figura paterna durmo no maior quarto da casa e jamais admito estar errado), é como se eu tivesse herdado do meu pai o anseio por manter a casa em ordem. Agora entendo por que meu pai sentia tanta fúria ao chegar do trabalho e encontrar nossa casa em estado de completa desordem.
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Meu quarto, por exemplo, era um cenário de perene baderna. É como se aquele cômodo, no momento em que me mudei pra ele, tivesse se tornado preso no estado quântico de maior entropia possível.
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Pros não-nerds, eu traduzo: meu quarto parecia ter presenciado a explosão de uma bomba cheia de roupas. Era uma lástima; e só agora isso me incomoda o bastante pra fazer algo a respeito. Já cheguei em certas ocasiões a arrumar a casa inteira, sozinho (varrer o chão/aspirar o carpete/passar pano no piso da cozinha/espanar os móveis), logo após chegar em casa do trabalho às 11 da noite, cansado, com fome e ainda de paletó e gravata.
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E agora, consigo entender porque meu pai se chateava tanto tentando manter a casa em um estado mínimo de organização enquanto alguém parece chegar em casa disposto a pegar cada item da casa que não esteja colado ao chão ou parafusado à parede, e colocá-lo a dez metros de distância da posição inicial.
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Aqui está a lista com os mais odiosos desleixes caseiros acontecem por aí. Seja honesto e admita - quantos desses você cometeu hoje?
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Toalha Molhada
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Você conhece a cena. Tu acabou de chegar do trabalho, e está cansado porém animadíssimo pra finalmente jogar a cópia de GTA 4 que você precisou esperar numa fila por quase duas horas pra comprar. Sapatos removidos através de inércia (você conhece a técnica - um poderoso semi-chute interrompido bruscamente, transferindo a energia cinética através da sua perna até o sapato, que sai voando e acerta o cachorro), gravata afrouxada, paletó precariamente pendurado na maçaneta da porta e testículos meticulosamente coçados - primeiro o direito, no hemisfério inferior, depois o esquerdo, finalizando com um rápido porém eficiente remanejo dos seus aparelhos dentro da cueca. A cheiradinha da mão, pra averiguar a condição aromática testicular (e assim poder decidir com precisão cirúrgica quando o próximo banho é necessário), é passo opcional.
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Organização genital é uma técnica tal qual a migração dos pássaros - ninguém precisa nos ensinar o procedimento, está no nosso sangue.
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E assim como a migração sazonal das aves, é um instinto essencial pra nossa sobrevivência. Por que você acha que TODOS os homens organizam suas bolas? Porque os que não exibiam essa característica não viveram tempo o bastante pra deixar descendentes. O comportamento mais bem adaptado ao ambiente é que acabou se tornando predominante graças à herança hereditária. Seleção natural, fio. IT’S SÁIENSE.
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Após o breve ritual de reajuste testicular, você está oficialmente com o resto do dia livre. A namorada está trabalhando, seu irmão desapareceu a duas semanas, seu telefone foi cortado por falta de pagamento e os inconvenientes mórmons que rondavam sua vizinhança foram recentemente empurrados na frente de um trem em movimento por membros da gangue religiosa rival, os Testemunhas de Jeová. Uma tarde inteira de crimes virtuais te espera e ninguém te interromperá por horas.
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Mas espere. O que é isso? Alguém jogou uma toalha molhada em cima da sua cama. Seu dia está arruinado e nenhum joguinho eletrônico melhorará seu humor.
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Toalhas, como todos sabemos, tem a estranha propriedade de absorver seu mau odor, a despeito do paradoxal fato de que você acabou de tomar banho antes de usá-la. Essa misteriosa propriedade das toalhas (desenvolver uma poderosa nhaca apesar de que só a usamos após estarmos limpos) é potecializada caso você embrulhe-a enquanto ela está molhada e a deixe jogada por aí, fermentando em sua catinga. O pútrido aroma acaba permeando cada milímetro cúbico do ambiente, preenchendo o coração da testemunha do crime com puro ódio que só poderia ser amenizado por intermédio de jogar o culpado dentro de um forno industrial daqueles que se usam pra moldar vidro.
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Devo ser sincero - aqui em casa, sou o principal responsável por esse vacilo. Mas desenvolvi uma forma eficiente de desviar da bronca da namorada: quando ela começa a reclamar da toalha, finjo que não sei falar inglês.
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Garrafa dágua vazia
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Esta é ainda mais insidiosa que a toalha em cima da cama, e já aconteceu com todo mundo aqui ao menos cinquenta vezes na semana passada.
.Você acabou de chegar em casa após correr dez quilômetros ao sol do meio dia tentando escapar dos “homi” (para os não-malandros, “os homi” significa nada mais senão a respeitada corporação policial). Seus olhos ardem por causa do suor acumulado nas sobrancelhas. Sua boca está ressecada e você está até meio tonto, tamanha é a sua sede.
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Você se dirige à geladeira. Ao abrir a porta do eletrodoméstico, você é recepcionado com uma refrescante baforada de ar gelado. Você começa a relaxar, ao mesmo tempo que decide que o Capitão Planeta estava errado, e que o crime compensa sim - contanto que sua mira seja relativamente boa, isso é.
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Infelizmente sua alegria durará pouco, pois em alguns segundos você descobrirá que a garrafa está vazia. Não apenas essa que você pegou, mas todas as outras também.
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E como sabemos que não acontece evaporação dentro de uma geladeira, não há mistério sobre a situação: algum filho da puta chegou à garrafa antes que você, e consumiu todo o líquido antes que você pudesse ter a chance. Você não pode provar isso, mas dá quase pra imaginar o desgraçado fazendo isso propositalmente enquanto ri da sua decepção dali a alguns momentos quando chegar à geladeira.
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A parte realmente revoltante deste cenário é o fato de que o indivíduo que teve acesso à geladeira antes que você simplesmente não teve o menor interesse em reabastecer a garrafa. Ele esvaziou-a e, tendo saciado a própria sede, decidiu que os outros habitantes da casa não merecem a conveniência de encontrar água gelada no momento em que precisam dela. Encontrar uma garrafa vazia na geladeira é como se o sujeito estivesse dizendo “Tá com sede? FODA-SE se você está com sede; quero mais é que você se engasgue em uma piroca e morra ainda hoje”.
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Em matéria de comunicação não-verbal, deixar uma garrafa vazia na geladeira é sem dúvida o melhor método de passar uma longa mensagem com um único gesto de omissão egoísta.
Uma variação dessa prática é não reabastecer as forminhas de gelo no congelador, o que é exponencialmente pior. Falta de água gelada pode ser contornada com cubos de gelo, mas e a falta de cubos de gelo? Assim como a morte e o pagamento de impostos, falta de gelo é um problema que não pode ser resolvido a não ser através do uso de magia negra.
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O que trás um importante questionamento - poderia o MacGyver resolver esse problema? Depende - quantos clipes de papel ele tem a disposição? Geralmente um é suficiente pra que o herói resolva qualquer situação, mas como você pode ver o problema da falta de cubos de gelo é realmente bastante complicado.
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Não re-encher garrafas dágua é um dos maiores ataques disfarçados na arte da guerrilha doméstica.
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Papel higiênico esgotado
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Todo mundo já passou por essa - você senta-se à privada, apanha sua revista noticiosa favorita e, ao mesmo tempo que lê aquelas colunas meio chatas que você nunca lê em outras situações, tu conduz seus assuntos intestinais sem perceber a falta do papel higiênico até que seja tarde demais.
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Os dedos encontram o rolo vazio com total descrença. Dizem que o primeiro estágio psicológico que segue uma grande desgraça é a Fase da Negação, quando o infeliz não consegue (ou se recusa a) acreditar na tragédia que está acontecendo. Freud deve ter inventado essa após ser traumatizado por uma potente feijoada.
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Você dá aquela girada no rolo, não querendo aceitar a realidade. E não, aqueles fiapinhos de papel ainda colados ao rolo não servirão. E pouco a pouco a situação se torna mais clara.
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O desgraçado que usou o banheiro antes de você esgotou todo o papel. E pior que isso, ele deixou você abandonado à própria sorte, tendo que contemplar a idéia de tomar um banho prematuro ou destruir as próprias cuecas pra escapar da situação.
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Poucos outros objetos no banheiro poderiam oferecer ajuda nesse momento. Escovas de dentes? Apesar de ser uma idéia tentadora (ela serviria como solução E vingança ao mesmo tempo), a superfície de contato é pequena demais e você arrisca entrar em contato direto com a massa fecal.
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Sabonete? Coeficiente de atrito desconsiderável, impossível alcançar tração suficiente.
Toalhas de mão? Se desfazer da arma do crime é complicado, já que uma toalha não desceria pela descarga e nenhuma quantidade de esguichos de Bom Ar seria capaz de camuflar o distinto odor de uma toalha de mão completamente folheada a bosta. Você teria que cruzar a casa inteira com uma toalha cagada a tiracolo, e ainda assim, onde você a jogaria? Na lixeira da cozinha?
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Ou você toma um banho, ou usa as cuecas. Não há meio termo. E quando você finalmente decide usar as próprias cuecas, é como aquele momento nos filmes de guerra em que as circunstâncias obrigam o grupo a deixar alguém pra trás - você sente um misto de tristeza e vontade ainda maior de extrair vingança.
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Tal sabotagem é uma das mais danosas aos relacionamentos domésticos, já que sua eficácia depende justamente de explorar a vítima em seu momento mais frágil - mais especificamente, quando o sujeito está todo cagado e humilhantemente dependente de ajuda exterior.
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Esse tipo de oportunismo não é esquecido ou perdoado facilmente. A utilização desta manobra deve ser considerada análoga à de uma bomba atômica - utilize apenas quando todos os meios diplomáticos já foram tentados, e apenas se você puder lidar com a possível retaliação.
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A preparação da armadilha exige um pouco mais de cuidado, também. Você deverá ir ao banheiro pra um relaxante Número Dois (obrigado, cultura norte-americana) e calcular seu uso do papel cuidadosamente. A idéia é usar todo o papel e terminar de se limpar ao mesmo tempo, deixando para trás nada além do rolo de cartolina. Essa seria a execução perfeita - falta de sincronia te obrigará a substituir o rolo no meio da cagada, estragando o plano.
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Essa sacanagem é uma das mais versáteis e não se limita ao território doméstico - você pode executa-la em locais públicos, como bibliotecas e lojas de departamento. Esse tipo de ambiente provoca uma situação muito mais desesperante do que em seu próprio domicílio, afinal, em casa na pior das hipóteses você pode abandonar a convencionalidade e simplesmente pular no chuveiro. Em território inimigo, a única solução são suas cuecas.
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Obviamente, quando nos vemos forçados a soltar o barro em locais não-familiares, bom senso dita que a checagem de papel antes do serviço é primordial; ela faz toda a diferença entre entrar e sair do banheiro com rapidez e praticidade, e se ver preso ao local à mercê da ajuda de estranhos. Entretanto, todos sabemos que bom senso não é uma capacidade mental compartilhada pela maioria da população. Uma quantidade considerável de infelizes cai nesse truque diariamente fora do seus domínios, o que tráz uma importante lição sobre prestar atenção no ambiente ao seu redor.
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Molhar o banheiro inteiro após um banho
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Passei minha infância inteira ouvindo duas frases várias vezes por dia - “moleque, desliga essa porra de videogame e vai estudar!” e “quem foi o infeliz que melecou a porra do banheiro inteiro?”.
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Por motivos que não consigo explicar, tenho um problema em ficar dentro do banheiro por tempo suficiente pra secar meu corpo de maneira eficiente. Eu suspeito que tem algo a ver com o fato de que quando criança, eu abominava a necessidade de tomar banhos. Por isso, o ato de lavar-se parecia uma supérflua perda de tempo. A única maneira de neutralizar o prejuízo do tempo perdido no chuveiro era não passar nem mais um segundo dentro do box. Se enxugar? A próxima roupa que eu vou vestir cuidará disso.
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Por causa disso, após cada banho meu, o banheiro parecia ter sido o palco onde um grupo de oito crianças pré-escolares havia brincado de guerra com balões dágua por cinco horas initerruptas.
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Por mais que minha mulher tente me catequizar pra abandonar essa prática, por mais que ela tente me convencer que os dez segundos adicionais dispensados ao ato de se enxugar dentro do box não serão tempo perdido em vão, esse é um daqueles hábitos que eu jamais abandonarei. Ela que se acostume a entrar no banheiro se apoiando firmemente nas paredes.
(...)
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(Kid. Hoje é um bom dia)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Os melhores conselhos...

Nasrudin começou a construir uma casa: seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mullá estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.

Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.

- Que curioso! - disse Nasrudin - e contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!

sábado, 7 de junho de 2008

Modo de usar-se...

"Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.
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Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.
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Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.
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Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.
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Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.
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E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.
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Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.
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Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia."

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(Martha Medeiros)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Aceitação...

O Tantra diz para aceitar tudo o que você é. Você é um grande mistério de muitas energias multidimensionais; aceite isso e se porte com cada energia com uma profunda sensibilidade, com consciência, com amor, com compreensão. Mova-se com ela! Então cada desejo se torna um veículo para ir além, cada energia se torna uma ajuda; então este mesmo mundo é o nirvana e este mesmo corpo é um templo, um templo sagrado, um lugar sagrado.
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O Tantra diz que não existe nenhuma dualidade. Se existir a dualidade, você não pode uni-las e, não importa quanto você tente, elas permanecerão duas; não importa como você as una, elas permanecerão duas e a luta continuará, o dualismo permanecerá.
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Se o mundo e o divino são dois, então eles não podem ser unidos. Se eles não forem realmente dois, se apenas aparentarem ser dois, só então podem ser um. Se o seu corpo e sua alma forem dois, então eles não poderão se unir; se você e Deus forem dois, não haverá possibilidade de uni-los; eles continuarão sendo dois.
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O Tantra diz que não há dualidade, que ela é apenas uma aparência. Portanto, por que ajudar a aparência a se fortalecer? O Tantra pergunta por que ajudar essa aparência a de dualidade a se fortalecer?
Dissolva-a neste exato momento! Seja um!
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Através da aceitação você se torna um, e não através da luta. Aceite o mundo, aceite o corpo, aceite tudo o que for inerente a ele. Não crie um centro diferente em você mesmo, pois para o Tantra esse centro diferente nada mais é do que o ego. Não crie um ego e simplesmente fique consciente do que você é. Se você lutar, então o ego estará presente.
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O Tantra diz para não lutar! Então não há possibilidade para o ego... Se entendermos o Tantra, haverá muitos problemas, porque para nós, se não houver luta, haverá apenas permissividade. Para nós, nenhuma luta significa permissividade. Mas para o Tantra a permissividade então é a “nossa” permissividade. O Tantra diz para ser permissivo, mas com consciência.
Você está com raiva... O Tantra não dirá para não ficar com raiva, mas para ficar inteiramente com raiva, mas esteja consciente.
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O Tantra não é contrário a raiva, mas é apenas contrário ao estado de sono espiritual e à inconsciência espiritual. Esteja consciente e esteja raivoso, e este é o segredo do método: se você estiver consciente, a raiva é transformada e se torna compaixão. A mesma raiva, a mesma energia, se tornará compaixão.
Se você lutar com ela, não haverá possibilidade de acontecer a compaixão.
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Assim se você for bem sucedido em lutar, em reprimir, será uma pessoa morta. Não haverá raiva porque você a reprimiu, mas também não haverá nenhuma compaixão, porque somente a raiva pode ser transformada em compaixão. Se você for bem sucedido em sua supressão, o que é impossível, então não haverá sexo, mas também não haverá amor, porque com o sexo morto, não há energia para crescer em amor. Você ficará sem sexo, mas também ficará sem amor, e então todo o ponto é perdido, porque sem amor não ha divindade, sem amor não há libertação, sem amor não há liberdade.
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O Tantra diz que essas mesmas energias devem ser transformadas; em outra palavras: se você for contra o mundo, não haverá nirvana, porque esse mesmo mundo é o que deve ser transformado no nirvana. Então você estaria contra as energias básicas que são a fonte.
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Dessa maneira, a alquimia tântrica diz para não lutar, para se amigável com todas as energias que lhe foram dadas. Acolha-as, sinta-se grato por você sentir raiva, por você ter sexo, por você ter ganância. Sinta-se grato porque essas são as fontes ocultas, e elas podem ser transformadas, podem ser abertas. E, quando o sexo é transformado, ele se torna amor, e o veneno desaparece, o que é feio desaparece.
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A semente é feia, mas quando se torna viva, ela brota e floresce, e então há
beleza.
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Para o Tantra, tudo é sagrado. Lembre-se disto: para o Tantra tudo é sagrado, nada é profano. Olhe para isso desta maneira: para uma pessoa irreligiosa, tudo é profano; para uma pessoa pretensamente religiosa, uma coisa é sagrada e outra é profana. O Tantra diz que tudo é sagrado, e é por isso que não podemos entendê-lo. Ele é o ponto de vista não-dual mais profundo – se pudermos chamá-lo de ponto de vista. Ele não é, porque todo ponto de vista fatalmente é dual. Ele não é contra coisa alguma; portanto, não é um ponto de vista, mas uma unidade sentida, uma unidade vivida.

(Osho. Tantra - o caminho da aceitação)

domingo, 1 de junho de 2008

Pedaço...

"Desejo a você, em toda a sua vida... sabedoria, saúde e paz interior. Com elas, você construirá uma bela fortaleza, com as pedras que tropeçar no caminho. Se a vida for uma dança, desejo a mais bela música para ti, para que você mantenha sempre seu sorriso.
Mas se isso, por um momento, deixar de acontecer, pare e lembre quem você é, a pessoa e o universo que existem dentro de ti, mas se você ainda não se recordar... me chame.
Aí sim, farei você lembrar que a felicidade faz parte do seu nome."
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Santos, 26 de novembro de 2004.