sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O louco...

Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim...

...Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:

"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:

-- "É um louco!"

Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

"Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura.

E a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

(Khalil Gibran)

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