segunda-feira, 5 de maio de 2008

Sobre o prazer...

"Então um eremita que visitava a cidade uma vez por ano, avançou e disse: Fala-nos do prazer!
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E ele respondeu, dizendo:
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O prazer é uma canção de liberdade, mas não é a liberdade. É o desabrochar dos vossos desejos, mas não é os seus frutos. É um chamamento profundo para as alturas, mas não é profundo nem alto. É o encarcerado a ganhar asas, mas não é o espaço que o circunda. Sim, na verdade, o prazer é uma canção de liberdade. E bem gostaria que a cantásseis com todo o vosso coração;
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No entanto, não percais os vossos corações nos cânticos. Alguma da vossa juventude procura o prazer como se isso fosse tudo, e esses são julgados e punidos.
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Eu não os julgaria nem puniria.
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Gostaria que empreendessem a busca. Pois eles encontrarão prazer, mas não só.
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Sete são as suas irmãs, e a mais insignificante delas é mais bela que o prazer. Nunca ouviram a história do homem que cavava a terra para encontrar raízes e descobriu um tesouro? E alguns de vós, mais velhos, recordam os prazeres com remorsos.
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Como erros cometidos quando estavam bêbedos. Mas o remorso só obscurece o espírito e não o castiga. Deveriam lembrar-se dos prazeres com gratidão, tal como fariam após uma colheita no verão.
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No entanto, se os conforta sentir o remorso, deixai-os confortarem-se. E há entre vós aqueles que não são nem suficientemente jovens para empreender a busca, nem suficientemente velhos para se lembrarem;
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E no medo deles de procurarem e se lembrarem, conseguem afastar todos os prazeres, a menos que negligenciem o espírito. Mas até na antecipação reside o seu prazer. E assim também eles encontram um tesouro, embora procurem as raízes com mãos trémulas. Mas dizei-me, quem pode ofender o espírito?
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Será que o rouxinol consegue ofender a quietude da noite ou o brilho das estrelas? E as vossas chamas ou fumo conseguem carregar o vento? Pensais que o espírito é um lago imóvel que podeis perturbar?
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Muitas vezes ao negardes a vós mesmos o prazer, estais a ocultar o desejo nos recônditos do vosso ser. Quem sabe que o que parece ser omitido hoje espera por amanhã?
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Até o vosso corpo conhece a sua herança e as suas necessidades e não sairá desiludido. E o vosso corpo é a harpa da vossa alma, e é a vós que compete extrair dela uma doce melodia ou sons confusos.
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E no vosso coração, perguntais,"Como distinguiremos o que é bom no prazer do que não é?"
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Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor. Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.
Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor.
E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.
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Povo de Orfalés, olhai para os vossos prazeres como as abelhas e as flores."
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(O profeta. Khalil Gibran)

Um comentário:

helen disse...

Eu estou negando hoje o prazer, e espero mesmo que amanhã nada espere por mim. Na verdade, cansei de prazer! =~

Beijos