domingo, 16 de março de 2008

Que fim levou o amor?

O amor pode existir sozinho, platônico ou narcisista, mas é muito melhor quando é correspondido! Infelizmente, o que mais se vê é qualquer coisa, menos amor. Há muito interesse, muito negócio, muito oportunismo, muita conveniência, muita aparência, mas quase nenhum sentimento.
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As pessoas mal se conhecem e já estão juntas, para, logo depois, se separarem. Num dia, um acha o outro o máximo, digno de compartilhar seus segredos! No outro, não dá mais a mínima, e publica, com estardalhaço, todos os defeitos da “antiga paixão”!
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O casamento, então, foi transformado num mero contrato de prestação de serviços, cheio de cláusulas indenizatórias. Virou um instrumento para ascender socialmente, uma “escada” para o meio artístico, uma “peneira” para acobertar desvios de comportamento sexual, moral e social não assumidos, ou como um último recurso para satisfazer a compulsão sexual de conquistadores mesquinhos e baratos, por mais ricos que sejam. Quando o objetivo é atingido, entram em jogo as armações, para romper as amarras, com o maior lucro ou menor prejuízo possíveis. E para tanto vale tudo, com requintes de morbidez e crueldade!
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Que fim levou o amor?
Há quem case pensando que o outro vai mudar… Há quem case pensando que nada vai mudar… Há quem case porque não encontrou nada melhor para fazer… Há quem case para ter “segurança”… Há quem case com mitos… Há quem case para ter uma “regra três” em casa… Há quem case porque quer uma mãe ou pai, que não teve, ou por quem desenvolveu um afeto doentio…
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Mas a comunhão que o casamento representa, como o próprio nome pressupõe, não admite a anulação de nenhuma das partes! Mesmo que a personalidade de um seja mais forte que a do outro, o respeito deve estar de mãos dadas com o amor. Um deve elevar o outro!
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Um rosto ou um corpo, bonitos, têm a sua importância; o fogo da paixão, também; mas só isso não basta! A beleza se esvai, como um material de consumo; a paixão se acalma ou, pior, consome, extrapola, enlouquece, fere ou mata!
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O amor de verdade é natural! Não cobra, nem pune; não suga, nem esgota; quer a proximidade, mas resiste, na distância; quer estar perto mesmo estando longe; acaricia o corpo, quando presente, e a alma, em pensamento… O amor sincero é assim: avesso à confusão, frutifica em profusão! Mas, para saborear seus frutos é preciso cuidar dele, de si próprio e do outro, todos os dias, em pensamentos, atos e palavras. Assim, ele será prazer para todos os sentidos, e em todos os sentidos! Será celebrado em todos os dias, e não apenas em cerimônias caras e extravagantes, feitas para alimentar colunas sociais e tablóides sensacionalistas. Um será manchete, sim, em todas as edições, mas no coração e mente do outro, e não apenas no início, glamuroso, e no fim, rancoroso ou, até, criminoso…
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Para isso é preciso que haja muito mais que interesses mundanos nos relacionamentos. É preciso que a paixão e o desejo não ceguem e escondam os segredos da alma e os vazios da mente. É preciso estar atento e, ao mesmo tempo, tranqüilo. É necessário que um goste tanto do outro, que o prazer seja entremeado por amizade e companheirismo. Não há lugar para egoísmo, mas um pouquinho de ciúme é sempre bem-vindo…
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Amar dá trabalho, mas também dá descanso! Por isso mesmo, não se deve desprezar nem confundir o amor com outras coisas. Sua semente deve ser plantada e cuidada, para que floresça! Senão, continuará a aumentar o côro para a canção de Djavan:
“Que fim levou o amor? Plantei um pé de flor, deu capim!”
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(Alguém, que não eu)

2 comentários:

Samantha Steil. disse...

pois é...há quem case! quem des-case! que a-case!!!




o fim que levou eu não sei, mas estou indo atrás do pote de ouro no final do arco íris...acho mais fácil!

carol disse...

Que fim levou o amor?

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