sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Escutatória...

"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
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Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma."
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Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
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Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
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Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
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Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
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Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios.
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Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.
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Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
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Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado."
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Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".
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Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
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Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
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Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
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A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa...
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No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
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Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto." (Rubem Alves)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Parábola do abmudo..

Um mestre para um discípulo que está andando pela rua e lhe diz:

Venho pedir humildemente pra que você seja meu guia, meu mestre. Sei que você tem muito a me ensinar. Sei que eu ainda tenho muito que aprender.

O discípulo responde: tudo que tenho pra lhe ensinar é que você não tem nada pra aprender.

O mestre duvida.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O anúncio...

Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:

"Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?"

Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando: "Queremos, queremos!"

"Excelente!", disse o Mullá. "Era só para saber. Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim."

sábado, 24 de novembro de 2007

A doença como forma de alcançar a perfeição...

A doença humana manifesta-se através dos sintomas. Sintomas, portanto, são partes da sombra da nossa consciência que se precipitaram na forma física. Qualquer princípio não vivido na consciência insiste no seu direito à vida, manifestando-se através dos sintomas físicos. Com estes sintomas somos forçados a conviver constantemente de modo a concretizar coisas que não pretendíamos realizar por opção da nossa consciência, mas que nos são impostas pelo nosso espírito.
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É assim que os sintomas compensam qualquer tentativa da consciência que espelha a realidade do espírito, em não buscar a plenitude na unidade perfeita. Este estado de unidade plena é considerado o verdadeiro equilíbrio que o espírito busca, porém dificilmente interpretado pela nossa consciência desacostumada com o estado uno da perfeição a ser alcançada pela evolução. A tendência e a necessidade da polaridade persistem até a abertura total da consciência com a conseqüente compreensão e aceitação da unidade no espírito. O sintoma, a doença, é a busca daquilo que o espírito sente falta na consciência. Por isso cada sintoma tem seu significado e interpretação específica no desequilíbrio de cada ser humano.
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A doença nos torna mais honestos porque revela o outro lado da nossa consciência, que busca no sintoma a dualidade para o nosso espírito poder equilibrar-se. Apresentando os dois lados, o da consciência e o do sintoma, podemos contemplar exata e honestamente como espiritualmente somos. A cura só é possível na medida em que nos conscientizamos e nos integramos dos aspectos que ainda se apresentam ocultos de nós mesmos, formando a nossa sombra. Assim que descobrimos o que nos faz falta espiritualmente, o sintoma (doença) torna-se supérfluo. O objetivo da cura é a unicidade e a totalidade do espírito. O ser humano é perfeito quando enfim descobre seu verdadeiro Eu, o seu grau evolutivo espiritual e se torna uno com tudo o que existe, como toda a criação de Deus. A doença força o ser humano a permanecer na trilha rumo à unidade, e por isso: - " A Doença é um Caminho para a Perfeição".
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Quando pregamos a unicidade e a totalidade do ser, estamos estimulando o homem a evoluir espiritualmente, caminho que naturalmente leva a Deus, e isso se faz através da reformulação moral, da aquisição de novas interpretações da vida, da existência, dos problemas, do destino e da dor. Portando, as melhorias que promovemos em nosso caráter humano, nos equilibra espiritualmente, conduz nosso espírito à unidade, à totalidade, à plenitude, à perfeição e à Deus. Assim entendemos perfeitamente o objetivo de Jesus Cristo em seu divino ensinamento sobre o amor, a fé, o perdão e a caridade. Conduzir nosso espírito a Deus através da superação, da reformulação, da unidade e manutenção do estado de elevação do caráter humano, mesmo que temporariamente, enquanto estamos encarnados, mas que lenta e gradativamente transformam e elevam nosso espírito a outras dimensões com características afinadas com a regeneração.
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Quando dói nosso corpo entendemos que o espírito, através da consciência, está a reclamar sua parte do todo, da unidade que a natureza universal, divina e plena conspira incessantemente para buscar. Se o sintoma, a doença, é a expressão da imperfeição que vai no espírito, a cura é o equilíbrio conquistado através da sua superação. O espírito sendo a unidade matriz dos demais corpos, físico e etéreos, é natural que todos os corpos criados tenham sua característica básica estampada, tanto intrínseca quanto ostensivamente. Toda manifestação física, moral, emocional, energética, social, cultural e comportamental do homem, está ligada à característica de seu espírito, inclusive a dor que tanto tememos e da qual tanto fugimos.
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O espírito (matriz) tem a necessidade do complemento, da unidade, da expansão evolutiva, influindo nos demais corpos etéreos que constituem o ser, vindo até a parte mais densa destes corpos, ou seja, o físico. Quando esta sutil influência chega ao corpo físico, já não é mais sentida como impulso nem como simples tendência, mas sim como necessidades: doenças! Este é o princípio da Psicossomatização. O espírito busca a evolução através da reformulação dos seus valores essenciais. Os corpos somáticos intermediários constituintes do ser, interpretam a carência e os excessos como uma necessidade do espírito de atingir a unidade perfeita.
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A consciência, que é o consenso destes corpos, identifica o método a ser utilizado na ação de reformulação progressiva e o corpo físico, através dos sintomas (doenças), o executa. Se a doença nos faz tanto mal, como costumamos interpretar, basta preparar-nos para podermos interceptar as ordens da matriz (espírito) antes que cheguem em nosso corpo físico.
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Se mais espiritual, consciente, elevado no caráter, tranqüilo, seguro, afetuoso e menos apegado às coisas da terra, de ordem material e humana como a avareza, a luxúria, os vícios, o orgulho, as paixões, os medos, as culpas e a necessidade constante de sermos heróis, conseguiríamos melhor interpretar as derivações do nosso espírito, sem precisar de tantos recados indiretos, geralmente por via muito pouco conhecida: - a consciência ! Daí sim, poderíamos sentir menos dor!
(A doença como caminho de cura)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Como sua casa é vista...

POR VOCÊ
PELO SEU BANCO
POR UM POSSÍVEL COMPRADOR
POR UM AVALIADOR
PELO SEU MUNICÍPIO (IPTU)



domingo, 18 de novembro de 2007

Tem vez que cansa...

Tem vez que cansa. Cansam portas fechadas, chaves que não abrem as portas fechadas, a angústia por ainda não se saber como abri-las. A vontade que tece o seu ninho nos galhos mais verdejantes e passa tempos chocando ovos que parecem que não vão mais se romper. A espera pelo vôo das borboletas que demoram crisálidas para se desvencilhar dos casulos.
O repetido surgimento do não quando a vida da gente prepara incansáveis banquetes de boas-vindas para o sim. O quase que se prolonga tanto que causa a impressão de ser interminável. E, à espreita, sempre acompanhando os movimentos da nossa coragem à distância, a perigosa perspectiva do nunca, aguardando cada brecha criada pelo cansaço para tentar nos dissuadir dos nossos propósitos.
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Tem vez que cansa, sim. E parece que somos incapazes de mais um único passo fora do território do nosso cansaço. O ânimo desaparece sem deixar vestígios, pegadas na areia que nos levem até onde as suas águas refluem. Sabemos que ele permanece lá, em algum lugar que temporariamente não acessamos, como o sol por trás de nuvens que querem chover mas não conseguem. Sabemos que ele está lá e que precisa apenas de um tempo para se recompor. Para soprar as nuvens e voltar à cena. Para retomar o caminho com a gente. Para nos lembrar outra vez, depois de outras tantas, que, aconteça o que acontecer, sob hipótese alguma queremos desistir do que nos importa.
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Tem vez que cansa. Não há nada que possamos nos dizer que revitalize de imediato a crença na nossa capacidade de transformação. Sequer conseguimos ouvir a nós mesmos, a comunicação é interrompida pelos ruídos momentâneos da negatividade. Aquela conversa fiada mental que não nos leva a nenhum lugar bacana, o olhar estreito que não vê coisa alguma além do nosso próprio desânimo. Esse cansaço às vezes é acompanhado por uma tristeza muito doída, que pede o nosso melhor abraço; outras, por uma raiva que pode se fantasiar com um monte de disfarces. Quando a gente se cansa em demasia, o coração não canta, as cores desbotam, o tempo se arrasta pelos dias como se estivesse preso a imensas bolas de ferro.
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Tem vez que a vida da gente cansa. Pele sem viço, olhos sem lume, pés doloridos, os ombros retesados pelo peso que carregamos. Cansa e senta um pouco para descansar, respirar grande, recobrar o fôlego. Cansa e procura sombras de árvores, banhos de silêncio, acalantos capazes de fazer os medos dormirem. A vida da gente cansa, sim, vez ou outra. Quando acontece, o melhor a fazer é ouvir-lhe as razões com o coração. Permitir-lhe o cansaço e uma pausa pra repouso. Trocar os lençóis, suavizar a luz, massagear-lhe as costas, e lhe dizer mais ou menos assim: descansa um pouco, minha vida. Descansa. Depois, fica aqui, de novo, inteira comigo. Vem regar as sementes que ainda vão florescer. (Ana Jácomo)

sábado, 17 de novembro de 2007

Sermão..

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita.
Ele concordou.
Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:

"Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?"

"Não, não sabemos!" .. responderam em uníssono.

"Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja..", disse o Mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.
Desceu do púlpito e foi para casa.
Um tanto tristes e envergonhados, seguiram em comissão para mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.
Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:

"Sim, sabemos."

"Neste caso" disse o Mullá, "não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora."
E voltou para casa.
Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.

"Sabem ou não sabem?"
A congregação estava preparada.
"Alguns sabem, outros não."
"Excelente!!!", disse Nasrudin, "então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem."
E foi para casa.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Estratégia...

Um velho homem vivia sozinho em Reykjavík.

Ele queria arar a terra de seu jardim para plantar flores, mas era um trabalho muito pesado.

Seu único filho, que o ajudava nesta tarefa, estava na prisão. O homem então escreveu a seguinte carta ao filho: "Querido filho, estou triste pois não vou poder plantar meu jardim neste ano. Triste estou por não poder fazê-lo.. sua mãe sempre adorava as flores e esta é a época do plantio. Mas estou velho demais para cavar esta terra. Se estivesse aqui, eu não teria esse problema.. mas sei que não pode me ajudar. Com amor, seu pai."

Pouco depois o pai recebeu a seguinte carta: "PELO AMOR DE DEUS PAI! NÃO ESCAVE O JARDIM! Foi lá que escondi os corpos.."

Como as correspondências eram monitoradas na prisão; às 4 da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes e peritos apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo.

Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera. Esta foi a resposta:
"Pode plantar seu jardim agora pai. Isso é o máximo que eu posso fazer no momento."

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Doente, graças a Deus..

Nasrudin, sentado na sala de espera do consultório médico, repetia em voz alta:

"Espero que eu esteja muito doente", o que intrigava os outros pacientes.

Quando o médico apareceu, Nasrudin repetia quase gritando:

"Espero que eu esteja muito doente".

"Por que você diz isso?", perguntou o médico.

"Detestaria pensar em alguém que se sinta tão mal como eu não tenha nada!".

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O charlatão...

Havia um rei que todas as noites costumava dar uma volta pela cidade para ver como estavam as coisas - é claro que ele ia disfarçado. Ele estava bastante intrigado com um homem, um belo jovem que estava sempre sentado debaixo de uma árvore próxima à rua, debaixo da mesma árvore todas as noites.

Por fim, a curiosidade tomou conta do rei, ele fez seu cavalo parar e perguntou ao jovem: "Por que você não vai para sua casa dormir?"
E o jovem respondeu: "As pessoas vão para suas casas dormir porque elas nada tem para guardar. Eu tenho tesouros tão grandes que não posso dormir; preciso guardá-los."

O rei disse: "Que estranho, não vejo nenhum tesouro por aqui."
O jovem explicou: "Esses tesouros estão dentro de mim, o senhor não os pode ver."

Parar todos os dias passou a fazer parte da rotina do rei, porque o jovem era belo e tudo o que ele dizia fazia o rei pensar durante horas. O rei se afeiçoou tanto ao jovem e ficou tão interessado nele que começou a achar que ele era um verdadeiro santo - pois a percepção, o amor, a paz, o silêncio, a meditação, a iluminação, esses eram os tesouros que o jovem guardava; ele não podia dormir, não se podia dar ao luxo de dormir. Só os mendigos podem se dar esse luxo...

A história só começou por causa da curiosidade, mas lentamente o rei passou a respeitar e honrar o jovem, quase como a um guia espiritual.
Certo dia, o rei lhe disse: "Eu sei que você não irá comigo ao palácio, mas penso em você todos os dias. São tantas as vezes que você vem à minha mente que eu adoraria que você fosse hóspede no meu palácio."

O rei pensava que ele não ia concordar - tinha a velha idéia de que os santos renunciam ao mundo -, mas o jovem disse: "Se o senhor sente tanto a minha falta, por que não disse antes? Traga outro cavalo e eu irei com o senhor."

O rei ficou em dúvida: "Que espécie de santo é este, tão acessível?" Mas agora era muito tarde, ele já o convidara. Deu-lhe o melhor quarto do palácio, aquele que era reservado apenas aos hóspedes raros, aos outros reis. Pensou que o jovem ia recusar o quarto, dizendo: "Eu sou um santo; não posso viver neste luxo."
Mas o que ele disse não foi nada parecido com isso. Disse: "Muito bom."

O rei não conseguiu dormir naquela noite, pensando: "Parece que esse sujeito me enganou; ele não é um santo nem nada parecido." Duas, três vezes ele foi olhar pela janela - o santo dormia. E nunca antes ele tinha dormido; ficava sempre sentado debaixo da árvore. Agora ele não guardava o seu tesouro. O rei pensou: "Fui enganado. Este homem é um verdadeiro charlatão."

No segundo dia, o jovem comeu ao lado do rei - todos os tipos de pratos deliciosos, sem austeridade - e gostou da comida. O rei lhe ofereceu roupas novas, dignas de um imperador, ele adorou as roupas. O rei pensou: "Agora, como vou me livrar desse sujeito?" Depois de sete dias, o rei estava cansado e pensando: "Este homem é um completo charlatão, ele está trapaceando."

No sétimo dia, ele disse para esse estranho sujeito: "Eu quero lhe fazer uma pergunta."

E o estranho disse: "Eu sei qual é a sua pergunta. O senhor queria fazê-la há sete dias, mas por cortesia e boas maneiras a segurou - eu estava observando. Mas não lhe vou responder aqui. O senhor pode fazer a pergunta, depois nós sairemos para uma longa cavalgada matinal e então eu vou escolher o lugar certo para dar-lhe a resposta."

O rei disse: "Está bem. A minha primeira pergunta é: Qual é agora a diferença entre você e eu? Você está vivendo como um imperador, mas costumava ser um santo. Agora você não é mais um santo."

O jovem disse: "Apronte os cavalos!" Eles saíram e muitas vezes o rei lembrou-lhe: "Até onde iremos? Você já pode responder."

Finalmente chegaram a um rio que formava uma das fronteiras do reino. O rei disse: "Chegamos agora à minha fronteira. No outro lado do rio é outro reino. Este é um bom lugar para responder."

O jovem disse: "Sim, eu estou indo. O senhor pode ficar com os dois cavalos ou, se quiser, pode vir comigo."
O rei perguntou: "Aonde você vai?"

Ele disse: "Os meus tesouros estão comigo. Aonde quer que eu vá, os meus tesouros estão comigo. O senhor vem comigo ou não?"

O rei disse: "Como posso ir com você? O meu reino, o meu palácio, o trabalho de toda a minha vida estão atrás de mim."

O estranho riu e disse: "Agora o senhor vê a diferença? Eu posso me sentar nu debaixo de uma árvore ou viver num palácio como um imperador porque os meus tesouros estão dentro de mim. Se é debaixo de uma árvore ou se é dentro de um palácio, não faz a mínima diferença. O senhor pode voltar; eu estou indo para o outro reino. Agora não vale mais a pena permanecer no seu reino."

O rei se arrependeu. Tocou os pés do estranho e disse: "Perdoe-me. Eu pensei coisas erradas sobre você. Na verdade, você é um grande santo. Não se vá deixando-me assim; senão, esta mágoa vai doer por toda a minha vida."

O estranho disse: "Para mim, não há dificuldade alguma; eu posso voltar com o senhor. Mas quero alertá-lo. No momento em que nós chegarmos ao palácio, a pergunta sugirá de novo na sua mente. É melhor assim - deixe-me ir embora.

"Eu posso lhe dar um tempo para pensar. Eu posso voltar. Para mim, isso não faz diferença. Mas, para o senhor, é melhor eu deixar o seu reino; é bem melhor. Desse modo, pelo menos o senhor pensará em mim como um santo. Se eu voltar ao palácio, o senhor começará de novo a duvidar. Deixo novamente o palácio depois de sete dias, quando a pergunta se tornar muito penosa para o senhor."

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Com o coração...

"Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blábláblá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o diz-que-me-diz-que, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a freqüência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria agüentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.

Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.

Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.

Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras." (Ana Jácomo)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O velho tema do eu e do outro..

O outro nunca sabe direito o que é e representa para gente.
E a vida vai nos ensinando a sermos cada vez mais sozinhos, pelo acúmulo da não correspondência daqueles que nos significam algo, mas nunca souberam ou perceberam na exata medida. Ou preocupados em excesso com seus próprios problemas, nunca atenderam ao potencial de afeto que por eles ou para eles havia em nós, e foi se desgastando por desuso ou dispersão, já que não o souberam receber.
Às vezes a gente é esse outro. Aí o outro fica com seu gesto de amor à espera da gente.
Às vezes esse outro é mesmo o outro.Aí é a gente que fica com o próprio gesto de amor solto no ar à espera de aceitação, entendimento e correspondência.
Em ambos os casos, dói.
Mas isso já é outra crônica...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Coisas que ainda farão por você...

Muitos de nós vivemos nossas vidas como se o propósito secreto delas fosse, de alguma maneira, cumprir com todas as tarefas. Ficamos acordados até tarde, acordamos cedo, corremos de um lado ao outro se preocupando demais com o relógio, convencendo-se de que nossa obsessão com aquilo que "temos que fazer" é temporária, uma vez que tenhamos chegado ao fim de tudo, ficaremos calmos, tranquilos e felizes.
Mas isso raramente ocorre..
Você nunca terá a sensação de bem-estar se for obcecado por todas as coisas a serem feitas, pois outras irão substituir aquelas que você já as fez. Sempre haverá telefonemas a serem dados e trabalho a ser feito. Poucas coisas em nossa vida se encaixam na categoria de "emergência".
Levamos nossos objetivos tão a sério que esquecemos de aproveitar e se poupar de aborrecimentos, transformando pequenas coisas em complicações.
Pegamos meras preferências e as transformamos em condições para nossa felicidade ou, nos punimos se não conseguimos cumprir o que nos impusemos, porque a única pressão que recebemos é a nossa mesma.
O propósito do dia-a-dia não é fazer tudo, mas aproveitar cada passo que se dá. Afinal, quando você morrer, haverá coisas por completar e... alguém as fará por você.
Não desperdice os momentos da vida lamentando o inevitável; ela continuará se as coisas não saírem conforme o planejado...
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"Pai, perdoa-me porque, o que é certo eu nunca faço. E o que é errado, eu sempre faço." (São Paulo)

Sim, você é uma besta...

Alguma vez na sua vida, no âmago de seu ser, poderias suspeitar o quanto és uma besta?! Talvez você não saiba mas... SIM! VOCÊ É UMA BESTA!!!
Calma lá, você não é o único... você não está sozinho nesta incrível jornada da idiotice humana. Sim, porque a humanidade é o que é: um coletivo de bestas.

Não quero chegar ao ponto do exagero; de uma profunda análise da existência humana, suas relações, causas e consequências... dizendo sobre esta capacidade ímpar, a nossa de, sermos capazes de torturar, matar por prazer, poluir o ambiente.. longe disso!
Mas talvez, dizer tão somente que somos os únicos capazes de sentirmos pena de nós mesmos, neste coitadismo que nos paralisa, nesta dependência que criamos por qualquer coisa para nos satisfazer.. vivendo da atenção e da aceitação dos outros.. relacionamo-nos sendo inseguros, interesseiros, egoístas, na ansia por ter e manipular tudo e todos a nossa volta.. e ainda assim, somos escravos do tempo, dos vícios.. de nós mesmos. Ridículo, não?!
Seria ridículo se tudo isto não fosse tão profundo.
Você já viu algum animal na natureza, precisar acender um cigarrinho pra aliviar o ´stress´?!
Ou começar a se sentir ansioso por se comparar com algum outro animal?! O coelho se comparando com o cavalo?! A árvore com o pássaro?! Sabe de algum animal que precisou fazer regime?! Mesmo quando precisam, somos nós os culpados, que levamos o bichinho a precisar de uma.
Somos nós que sempre passamos dos limites... do bom senso! Precisamos nos preencher com o vazio, pois não costumamos estar satisfeitos com nós mesmos.
Quantas vezes você pensou que se estivesse "lá", estaria melhor do que "aqui"?! Quanta energia não foi desperdiçada na imaginação, na ansieadade, na frustração, ao invés de dedicá-la no presente, na única benção que você realmente possui! A felicidade está onde você está, e ainda fazemos dela uma eterna busca, pois queremos sempre mais e, não obstante, queremos aquilo que não é nosso, até ser. ´

É como se, depois de pagar as 5.396 parcelas daquele carro que você tanto sonhou, derreter-se e apaixonar-se por outro modelo (Tá certo, o exemplo não é muito bom, mas faça uma analogia..).
Sabe... TUDO pode perder seu valor, assim como ganhar proporções incalculáveis. É como trair a pessoa que você tanto gosta e que te adora, sem ao mesmo saber por quê, apenas beijar por beijar.. alimentando seu ego em sua vaidade.

É pensar e se desgastar no passado, fazendo disso um martírio, lamentando-se pelo acontecido. NÃO!!! Viva o agora, nada fará você voltar. Suas escolhas presentes lhe darão a direção do teu caminho. E nada, verdadeiramente volta, como a palavra dita e a pedra atirada.
Somos mestres em espalhar a bosta, depois de jogada no ventilador. Insistimos em ver o cisco no olho ao invés da paisagem. Êêê nossos dramalhões, viu?!
A humanidade ainda não se decidiu o que vai ser quando crescer. A gente só acaba aprendendo no tranco e no tronco mesmo, quando poderia ser bem diferente.

O problema não é cometer erros, pois aquele que nunca errou, não poderá crescer. Não poderá fazer novas escolhas e compreender seu caminho. O problema é cometer o mesmo erro duas vezes.
Uma vez me disseram: Nós só vemos nossos erros e nos mudamos num relacionamento quando acabado o namoro.
E é assim, com todo mundo e com muita coisa em nossa vida. Acho que está na hora de mudar isso. Não espere o leite entornar para só depois, desligar o fogão.
Deveríamos ser algo assim, como as formigas.. organizadas, cooperativas e determinadas por instintos.. ou pelo menos como os porcos.. inteligentes e com orgasmos de meia hora.

É, somos umas bestas!
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"O anseio interior se expressa numa centenade desejos que, pensam as pessoas, são suas necessidades reais. Mas a experiência mostra que não são estes seus desejos verdadeiros pois, ainda que atinjam tais objetivos, o anseio não diminui." (Jalaluddin Rumi)