quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Confessa...

O Amor confessa no silêncio o que nas palavras esconde. O silêncio é a renúncia da palavra que no Amor se rende.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Riquezas...

Quando desperto viveu miséria;
Adormeceu e sonhou riquezas,
Eram bençãos e não moedas;
Eram milagres e não tristezas.
Tinha ele nome, 
sentia ele fome,
no mundo era pobre,
além dele, não.
no Amor que vivia,
a Alma se ria
da esperança comia
como se fosse seu pão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Talento...

Examinando percurso sinuoso da própria vida, reconhece seu sucesso em trancar as portas de oportunidades tantas e perder a chave. Sabe bem dar nó nos laços de carinho. Refinado na arte de por sempre o dedo na ferida, se faz excelente, não por cultivar flores, mas por dizimar jardins. Sabotagem é seu grilo falante; que lhe mostra como fechar janela com a lua lá fora. Tinge de branco, os quadros outrora em tons de Amor presenteados. Afasta habilmente o descanso e, convites, nega todos. Todos aqueles que lhe clamam para ser feliz, já que alegria se encontra apenas na hora de visita. E quanto mais quer próximo, mais afasta. Com suas mãos, sufoca o futuro, pois desconhece que o bom habita o porão de sua Alma, reconhecendo apenas a sombra de quem se é; e na casa escura de si, vive espantando fantasmas. Sua morada são suas prisões. E não há ninguém que explique, nem ninguém que não entenda, seu desespero. Mas não sabe se o talento que arrasta, é obra de deus, do diabo, ou dele mesmo.

(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 22.10.10)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Castigo...

Pobre de espírito, vivia ele pedindo o que não dava e quando tinha, não se preenchia. Temeu contratos de cláusulas que escravizavam a Alma, mas cobrou juros altos pelas faltas cometidas. Sem coração, duvidava que os outros também pudessem carregar um no peito. Atraia pelas semelhanças: vazios que se completavam, loucuras que se conversavam, tons de cinza a enfeitar seus tortos pés. Seu pecado era fingir o que não sabia, ou o que sabia perfeitamente bem; enganando os outros na medida em que enganava a si mesmo. Mentia por não saber sua própria luz. Que homem assim não é fração de um todo que nos habita? Ele era por inteiro. E cada escolha sua abrigava uma aflição e um fracasso. Afastou seus amores; abandonou-se no amanhã. Ninguém mais o conhecia, apenas ele próprio. E não havia nada no mundo que pudesse libertá-lo deste castigo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Semente...

O vento que aqui traz,
O vento que aqui traduz,
O silêncio que me faz mais
ser palavra que eu nunca fui.
Sou o sopro, sou o mesmo, sou engano.
Sou o avesso dos meus sonhos, 
o erro dos meus planos.
Sou o tempo senhor das sementes,
Se minto, sou jeito de chuva,
Se amo, inundo o peito que sente.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O monge que sabia voar...

Você não é nova aqui. Nunca foi. Você é mais do mesmo. Teu signo. Tuas reticências. O jeito que escreve. Você é meu padrão; minha história gasta. É a mesma casa velha de outrora que ouso decorar com teu nome; com tua cor. Mas que canta outras músicas, que prova outros pratos. E já que não consigo te matar, mantenho-te viva, pois você é a lição que ainda não aprendi. O erro que ainda não superei. É o livro de páginas repetidas em que encontro minha feiúra e minha verdade. Em que vomito meu azedume e banco o mocinho; que adoça a vida alheia. E o enredo que é teu, fala de mim. Do outro fruto que colhi, tens o mesmo gosto. Chamo pelo novo e é o velho que ecoa. Reconstruo o passado que se faz presente. E não consigo achar um final para você. Para nós dois. Você é a mesma que inevitavelmente me persegue e me encontra, já que andamos em círculo. Por saber meu endereço. Por saber em que canto de mim guardo meus segredos. E você vem sempre do mesmo jeito, mesmo que de outras formas, pra me lembrar que não estou aqui para reclamar, mas para transcender.


(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 02.09.10)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Contrários...

O coração só para pra depois voltar a bater;
A gente só morre pra um dia voltar a nascer;
A gente só perde pra saber o valor que é ter;
Enfim, o ciclo e os contrários ensinando a viver.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pra fazer voar...

Quando dois passarinhos conversavam sobre sonhos, laços e pés-de-sol, afinei o coração pra ouvir canto colorido de cada um; nos versos as flores e nas flores as asas. Amei e tornei-me andorinha. Quando flor bonita tocou minhas mãos, levei ao peito cores e perfumes insuspeitos. Amei e dei liberdade às sementes. Quis vestir o teu Amor como os jardins vestem as folhas no outono, e amanheci poesia. Caminhas de Alma desnuda como se eu fosse um dos teus passos; e como lua ao se reconhecer na lagoa, amar é dar exatidão aos reflexos. Janela para os meus olhos, o Amor como o meu quintal. Um canto imenso sem (in)cômodos em que se descanse tristeza, sem porões ou dias pela metade. Amar é mudar de casa e morar no outro. Afinal, o que é que pode ser poupado nos versos e sabido nos sorrisos? Visto palavras que falam de nós nas coisas mais simples que te confesso agora. Quero saber de Amor como o abraço sabe da pele; como a água sabe da sede; como o fogo sabe do sol. Quando convidei teu coração pra namorar na Ilha, fui palavra, fui ciranda, fui silêncio. Sou a esquina dobrada que te espera. Um sino dobrando que te anuncia. Sou sorriso de quem já recebeu todas as bençãos do mundo quando então, soube o Amor te amar.


"Ah, cansou de escrever sobre o amor? O amor não cansa, o senhor como escritor devia saber disso". (Rubem Fonseca)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Companhia...

Quando todos partem, são somente as lembranças que nos fazem companhia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Soma...

Quando assumimos nossa incompletude, é porque sabemos que apenas no outro a entrega pode ser inteira. É quando no encontro de dois no um, em que o um se torna maior que os dois.