sábado, 22 de maio de 2021

Deus já entrou

Eu rezo para a minha janela aguardando que Deus se apresente: seja como folha, nuvem, pluma ou vento. Uma delicadeza pessoal a me confortar no instante mesmo em que desdiz o cansaço - este que me põe a rezar para janelas, aguardando que Deus se apresente e me diga que logo adiante a esperança triunfou. E então eu possa não mais rezar para a janela porque me descansei e esqueci; e porque me dei conta de que Ele não precisa me responder como eu desejei que me respondesse.

Deus já entrou.

sábado, 8 de maio de 2021

Pro lado, pro alto, pro céu?

Há quanto tempo você não olha pro alto? Pergunto porque dia destes na estrada já no início da noite, eu, no lugar do passageiro resolvi abrir a janela e olhar para o céu. E eu o olhei como quem tem passado a vida no concreto cheio de luzes que apagam as estrelas. O olhar então se admirou. Ali estavam várias delas, junto ao cheiro de pasto no meio do nada. Me emocionei. Por diversas razões, mas tem esta que compartilho. A gente acostuma a pegar na direção da própria vida e vai adiante como se nada mais fosse importante senão a chegada. A gente liga o GPS, se assegura do tempo, da rota, dos atrasos e mira, se concentra e vai. E vai. E chega. Porque é aí onde a maioria de nós acredita que - agora sim! - vai aproveitar, seja lá como você tenha definido isto. Quando somos crianças a gente aproveita, como eu aproveitei, o vento frio com cheiro de mato, as vaquinhas na penumbra, as propagandas engraçadas, a parada pro banheiro, a música e as estrelas tantas que se revelavam. Isto porque eu decidi descolar os olhos da estrada e olhar para o lado. Isto porque eu me permiti estar no lugar do passageiro para escolher as músicas, contar as moedas pro pedágio e me perguntar o quanto estamos vivendo com a seriedade de alguém cansado que busca chegar para depois chegar novamente, e chegar, chegar, chegar. Que a gente desaprenda esta métrica tão adulta com que medimos a vida (e a nós mesmos) e se permita olhar pra qualquer direção porque em qualquer direção pode já estar o inesperado que você há tanto espera.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

No que você acredita sem saber que acredita?

Tem gente que acredita que não pode, e aí, não pode mesmo. Tem gente que acredita que deve, que "tem que", arranjando uma responsabilidade, uma obrigação pra chamar de sua, algo pra poder carregar, pra resolver, e aí, arranja, consegue, carrega, se entulha, se cansa, se exaure. Tem gente que acredita que a vida é uma batalha, e aí, terá um imenso e largo campo onde tudo será luta, tudo será processo, tudo será difícil. Até porque tem gente que acredita que o difícil adoça a vida, ou que apenas através dele você cresce, expande, evolui. E aí, claro, o difícil estará lá pra legitimar você, pra você poder crescer, expandir, evoluir, e o que mais você acredita para que sirva o "difícil". Talvez você confunda "desafio" com "difícil" o que é coisa bem comum mas coisas bem diferentes. Disse Henry Ford - "Se você acredita que pode ou se acredita que não pode, de qualquer forma você está certo". Porque é a partir daquilo que você acredita que você irá viver suas experiências. Uma situação pode ser vivida e elaborada de maneiras bem distintas por cada uma das pessoas que tenham vivido a situação. A mesma situação. E a mesma situação não é a mesma porque cada um se relacionará com ela de uma própria maneira. Não há certo ou errado aqui, entende? O que há é que aquilo que você acredita e que vem acreditando sobre dinheiro, sobre espiritualidade, sobre seu corpo, sobre trabalho, sobre difícil, sobre ser fácil, criará a sua experiência a reforçar aquilo que você acredita criando uma continuidade e um looping. Há milhares de pessoas vivendo experiências diferentes das suas em cada uma destas áreas (e outras mais) da vida. Quais são as histórias que você acredita sobre você? Quais as perspectivas e pontos de vista que você comprou como verdade sobre o que as coisas são, sobre quem você é, sobre o que o passado foi e que, de alguma maneira, acaba lhe dando o martelo para bater definindo que as coisas são assim ou assado? Afinal, no que você acredita sem saber que acredita?

As lentes distorcidas do que não é...

Invejava os pássaros. Adoecia de poemas atravessados na garganta. No lugar do peito, um peso. O ressentimento por lamentar os seus passados: os que lhe aconteceram e os que não vieram a ser. A tristeza o visitava antes de dormir. O cansaço e a raiva o acompanhavam durante o dia. Gritava as injustiças do mundo ignorando as que fazia consigo. Se envenenava pelos excessos e faltas de vida - onde havia de ter mais tinha de menos; onde havia de ter pouca tinha de muito. Invejava os pássaros, é verdade, mas não toda ela. Invejava os vizinhos, o chefe, os amigos. Calava a inveja à força como um bom menino que aprendeu reciclando-a em frustrações. Por quem era, por quem havia sido, pelo que perdeu, pelo que não foi. Não haviam ensinado a sentir bem, a viver bem. Ou melhor, a viver. Sentia-se um ensaio num palco inteiro onde se via sempre acuado no canto. Mas, veja, ele não invejava os pássaros. Porque ele é feito de letra, remendo das palavras que escrevi. Ele não existe, mas fique à vontade para ver nele alguma fração sua, alguma dor de estimação descrita acima. Tome o que é seu se quiser. Dê nome aos fantasmas. Mas não inveje os pássaros, não culpe o passado e não se culpe. Apenas saiba que é possível despir-se do que você vestiu como a única e legítima perspectiva vista através das lentes distorcidas do que não é.

domingo, 11 de abril de 2021

Da salvação...

Ela morria de medo do amar mas culpava os homens com quem se relacionava. Ela atraia todos os tipos que vinham a decepcioná-la, confirmando suas suspeitas de que não havia homem bom para ela. O que ela ignorava é que ela atraia os mesmos tipos para não dar certo, para se frustrar, para reforçar o coro de que não havia homem bom para ela. É claro que havia bons homens, mas ela não os reconhecia, não os encontrava num desencontro qualquer. O exemplo clássico é daquele que não enxerga o produto na prateleira na frente do nariz. Vivia ela uma profecia auto realizável. Corpo fechado para o amor pelo medo de amar. O medo a protegia muito bem, permitindo que ela escolhesse aqueles que viriam a poupá-la do amor. Ela morria de medo do amar mas culpava os homens com quem se relacionava. Jamais mergulhou, embora só se afogasse. Isto porque jamais permitiu ir além da página dois ou três. Aliás, quando se permitiu num passado distante ela se partiu e se quebrou inteira. Sobrou pouca alma para contar história. Mas isto foi apenas mais um reforço no seu sintoma, mais um grau na sua febre. Tenha ela mergulhado ou só aberto a fresta da janela, morrido ou continuamente se poupado, ela não se permitia o amor por medo dele. Ela se insinuava à solidão sem perceber os óbvios. Não sei se ela se salvou. Não sei se ela se permitiu ver o que havia por detrás do medo. O que o nutria. O que o sustentava. Era uma cética a pregar a crença de que os homens não eram bons pra ela. Andava em círculo com seu medo, sua dor, sua raiva, sua frustração. Não sei se ela um dia se salvou. 

sábado, 10 de abril de 2021

Passagem...

Há pessoas que partem pro lado de lá e que nos tocam com suas passagens sem suspeitarmos de que ficaríamos tão mexidos. Independe da proximidade, da intimidade, do parentesco - é destas e disto que estou falando. São pessoas queridas que estão em nós em algum canto de carinho que cultivamos e que representam uma época, uma lembrança, uma virtude, um sentimento. São queridos que convocam nossa sensibilidade num dia em especial, numa tarde em particular e que acabam por abrir as portas para que as emoções que costumamos represar no dia a dia fluam. São pessoas que nos lembram de abrir a janela da vida e respirar um ar mais puro, ventilar o peito, arejar o espírito, sermos menos sérios, menos preocupados, mais presentes. Elas nos desarmam. A morte delas nos desarma. Porque ao falar sobre elas, ao pensar sobre elas, sabemos de nós. A morte por vezes cumpre o papel de um desentupidor de pia ao retirar acúmulos que nos anestesiam para nós mesmos, para o outro, para o viver. É neste momento onde então vem à superfície com maior ou menor força a tristeza, a raiva, a frustração, o medo. Cada uma delas legítimas de serem o que são e de estarem onde estão. Isto porque cada uma conta uma história sobre nós. Isto porque elas vem como vem para que possamos ouvir estas histórias. A morte não nos ensina pela repetição a nos despedirmos. A morte é convite para, entre outras coisas, enxergarmos melhor. E estas pessoas, bem, as pessoas nos ensinam a sentir.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Espelho, espelho meu...

Há quem escreva por questões narcísicas. Há quem escreva por razões espirituais. Há quem escreva para esvaziar o almoxarifado das ideias. Há quem escreva para dançar com seus próprios demônios. Há quem escreva para exorcizá-los. Há quem negue que escreva para se afirmar, mas escreve. Há quem escreva para costurar feridas, suas e alheias. Há quem escreva para sangrar. Há quem escreva para semear sonhos, apagar incêndios, enxugar gelo, avivar, esquecer, corrigir o passado e o destino nas mãos das cartomantes. Se me perguntam - por que escreve? - darei resposta conforme a mudança das estações, a oscilação da bolsa e do meu próprio humor. Porque não importa ao leitor o porquê um autor escreve. A palavra será sempre um espelho a confessar ambos os lados. A questão é que você não vê o outro lado do espelho, embora ele sempre estará ali, mesmo quando ninguém estiver.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Pandêmico...

Vacinas a parte, não há quem tenha atravessado imune a esta pandemia até então. Não há quem não tenha sentido em algum nível os respingos e efeitos dela. Eu, por exemplo, estou certo de que escrevo numa versão 1.0 do ano passado. O ano que o brasileiro o repetiu por indisciplina. Alguns dirão incompetência. Não julgo. E claro, dirão muitos também que outros países também repetiram. Mas, como não moro em nenhum deles eu falo daqui mesmo. E aqui não há quem não tenha por alguma razão mordido o cotovelo, tirado as calças, pisado em cima, tido ataque de pelanca ou dormido de tênis dentro da pia. Uma semana, um dia que fosse. Há quem tenha perdido o emprego, o olfato, um parente, o equilíbrio, o bom senso. Aqui vimos - vemos! - a generosidade e o egoísmo se alternando a cada instante nas redes sociais. O eterno fla x flu imbecil de que o brasileiro tanto aprecia e estende para todas as áreas da vida. Os negacionistas, os passapanistas, os estrategistas, os desgovernantes, os cientistas, o povo e um rebosteio im-pres-sio-nan-te a cegar tantos. Lembrei-me do livro do Saramago. Um vírus que causava cegueira nos personagens. Aliás, quando tudo isto começou, lembro de que alguns bradavam de que o povo aprenderia excelsas lições e toda uma fala esperançosa de um mundo melhor Não julgo, mas acredito na mudança individual - aquela de dentro pra fora - e não uma tomada de consciência coletiva. E até agora - pasmem! - poucos aprenderam alguma coisa, e isto sem qualquer distinção de credo, cor, gênero ou classe social. Quem sabe, até o final deste cenário apocalíptico e cansativo, uma porção de gente possa dizer com alguma certeza que aprendeu a usar máscara assim como a lavar as mãos.

Às favas...

Queria mandá-los todos pra puta que pariu. Minto. Todos, não. Muitos, na verdade. A única dúvida era se cabe melhor "à" ou "pra" puta que pariu. Dando início por todos aqueles que virão a julgar esta minha vontade dita nas palavras. E por todos os que também se sentirão surpresos e incomodados pelas palavras não esculpidas por mim em meio aos anjinhos no paraíso. E por todos os que virão a questionar e problematizar com suas pautas ideológicas fedorentas. Acredito que esta seria uma boa primeira leva. Uma boa fornada dos que eu enviaria pra - ou à - puta que pariu. Sem escalas. Sem retorno. Sem dó nem piedade. A outra caravana que mandaria à puta que pariu seriam os ressentidos, vitimistas, vampiros da atenção, da vida, da energia do outro. Junto a esta caravana, os baluartes das evangélicas intenções a enquadrarem-me como errado pelo que desejo e divulgo. Nesta caravana faria questão de imprimir folhetos explicativos a dizer o quanto esta compulsão absurda de enquadrarem todos e tudo em bom e ruim, certo e errado fodeu-lhes os cornos prendendo-os numa postura de auto cobrança e rigidez. Uma vida miserável de controle e asfixia. Talvez, no próximo texto venha eu mandar às favas ao invés de mandar à - ou pra - puta que pariu. Porque o que não me faltará é vontade e quantidade de coisas, pessoas, questões, entes, a embrulhar em laço cor de rosa e despachar para o nunca mais.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

2020...

Da última vez que passei por aqui, os perfumes eram outros, os medos eram outros, os cenários eram outros. E aqui eu volto entre outros e novos perfumes, novas coragens, diferentes cenários lembrando-me - e a quem aqui passar - que haverá ainda mais novas coragens, curas, alturas, perfumes. E outras tantas experiências e bênçãos que perpassam, transpassam, transbordam a literatura e quaisquer palavras.

A vida é o que nós somos.
Deus tem em nossa vida a liberdade que damos a Ele.
A semente no Amor sempre germina.
A coragem para a semente é a força das primaveras.

Adiante...

Guilherme.

sábado, 28 de setembro de 2019

Talvez...

Talvez, no seu leito de morte, nos últimos instantes desta vida, você descubra que a inevitável coragem para morrer pudesse ter sido a coragem que você não usou para viver. Talvez, no seu leito de morte, você se arrependa de ter permanecido no trabalho que te consumiu a alegria. Talvez você se doa por não ter dado um basta no relacionamento infeliz, arrastado pelos anos por medo de não saber o que pudesse vir depois. Talvez você lamente por ter se preocupado tanto com o seu peso e tão pouco com a sua saúde. Talvez você se ressinta de ter deixado passar tantos momentos que poderiam te levar além, mas que você se encolheu junto ao temor pelo que os outros poderiam pensar. Talvez esteja claro que você não se levou adiante e, agora, sem poder sair da cama descubra que você poderia ter ido onde quisesse. Talvez você perceba o quanto cultivou mágoas e culpas, raivas, angústias e ansiedades a lhe ocuparem o tempo, o peito e a te afastarem do amor - próprio - e da sua própria paz. Talvez, no seu leito de morte, você se convença de que poderia ter sido mais, feito mais, sentido mais, realizado mais, arriscado mais e que não fez, não foi e não realizou não por culpa dos seus pais, do seu marido, da sua esposa, dos seus filhos, do seu patrão e sim por você ter acreditado nisto. E então você perceba o quanto entregou o seu poder pessoal na mão dos outros e se convenceu com o pretexto de que foram os outros que te impediram de viver e ser feliz. Talvez, no seu leito de morte, antes de dormir você desperte.

O bom é que você ainda não morreu.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Alma gêmea...

(Fonte: Pinterest)

O Amor nas suas diversas formas como expressão do Ser é um dos aprendizados que buscamos nesta vida e, uma destas formas é a do amor na relação com um parceiro. A alma gêmea é alguém que se conhece desde outras épocas, de uma afinidade singular e de uma atração magnética a fazer bater o coração mais forte. E, dentro desta perspectiva, existem muitas almas gêmeas para cada um, algumas compatíveis e outras não. O Thetahealing é uma técnica que identifica quais crenças nos limitam de manifestar nossa alma gêmea mais compatível. Crenças sobre amor-próprio, (não) merecimento, medo da intimidade são muito comuns de serem trabalhadas. Crenças, inclusive, sobre o amor. É bem comum que haja algum aspecto subconsciente que relaciona amor e amar ao sofrimento, ao apego, a anulação, a rejeição, etc. Assim, através da técnica vamos liberando os medos e demais limitações abrindo espaço para que o Universo aproxime um do outro e o encontro aconteça deste lugar de crescimento e abundância e não a partir da carência e do medo da solidão. A união das almas gêmeas fala sobre a criação de uma energia a ressoar no entorno e expandir e iluminar a própria vida. A manifestação é um dos maravilhosos recursos que a técnica do Thetahealing permite.

@gugliantunes
(13) 99660 0968